14/02/2017 às 09h50min - Atualizada em 14/02/2017 às 09h50min

LAVA JATO Temer diz que se ministro se tornar réu, será afastado

Presidente reuniu a imprensa para dizer que não há nenhuma tentativa de blindagem

AGÊNCIA ESTADO - BRASÍLIA

Para tentar afastar as acusações de que o governo estaria querendo brecar a Lava Jato, o presidente Michel Temer convocou a imprensa para dizer que não há nenhuma tentativa de blindagem e dizer que definiu a forma como tratará os ministros envolvidos na operação. "Se houver denúncia, que é um conjunto de provas, que eventualmente pode levar ao acolhimento, o ministro denunciado será afastado provisoriamente. Se acolhida a denúncia e o ministro se transformar em réu o afastamento é definido", disse, ressaltando que "se alguém converter-se em réu estará afastado independentemente do julgamento final." 

Sem citar o caso de Moreira Franco, que é citado na Lava Jato e aguarda definição do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre se poderá ou não ficar na Secretaria-Geral da Presidência, o presidente ressaltou que diria "pela enésima vez" que o governo não quer interferir nas investigações. Ele ressaltou, entretanto, que só a citação não pode ser prova de culpa. "Uma simples menção não pode ser modo definitivo de incriminar", alegou.

O presidente disse que uma demonstração de que o governo não interferiu foi o fato de as delações da Odebrecht terem sido homologadas. "Chegando ao Judiciário toma um ritmo natural, tão natural que as delações foram homologadas", afirmou. 

Temer destacou que a declaração de ontem se fazia "em caráter definitivo" e repetiu que o governo jamais poderá interferir na Lava Jato, que é comandada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. "O governo não quer e nem vai blindar ninguém", afirmou, ressaltando que se trata de uma "questão muito séria".

 

ANTI-DILMA

Grupos anunciam volta às ruas para defender Lava Jato

Os grupos que organizaram as manifestações de rua em defesa do impeachment da ex-presidente da República Dilma Rousseff anunciaram ontem que voltarão às ruas no dia 26 de março para defender a Operação Lava Jato. A data foi divulgada no mesmo dia que o presidente da República Michel Temer prometeu afastar temporariamente ministros denunciados e em caráter definitivo aqueles que virarem réus.

O ato acontecerá na Avenida Paulista, em São Paulo, mas vai ter, segundo os grupos, ramificações em todos os Estados. "Pediremos celeridade nas reformas e daremos uma demonstração de apoio à Lava Jato. Há uma percepção do Congresso que as ruas esfriaram", disse Kim Kataguiri, líder do MBL.

Um documento assinado por sete grupos, como Nas Ruas, Revoltados Online e Endireita Brasil, adotou o mote "Brasil sem partido" e um tom duro contra a gestão Temer. "Não queremos um STF que se dobre às vontades deste ou de qualquer outro governo, agindo com lentidão para salvar os que têm Foro Privilegiado, utilizando-se dele para escapar da justiça."

 


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