25/10/2016 às 15h36min - Atualizada em 25/10/2016 às 15h36min

Renan Calheiros nega crise institucional e marca reunião com Cármen Lúcia

Também deverá participar do encontro o presidente Michel Temer; ministra do STF se irritou depois que peemedebista ofendeu juiz de primeira instância

Crise entre os três poderes se acirrou depois que Renan Calheiros fez críticas a um juiz e ao ministro da Justiça

Crise entre os três poderes se acirrou depois que Renan Calheiros fez críticas a um juiz e ao ministro da Justiça

Jonas Pereira/Agência Senado - 24.10.2016
Crise entre os três poderes se acirrou depois que Renan Calheiros fez críticas a um juiz e ao ministro da Justiça

Após a troca pública de farpas entre os poderes Legislativo e Judiciário, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), negou que o País esteja enfrentando uma crise institucional e anunciou nesta terça-feira (25) que irá se reunir com o presidente Michel Temer e a chefe do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, para selar o entendimento entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Segundo Renan Calheiros, a reunião “é fundamental para que nós tenhamos o contorno da democracia brasileira e o limite na separação dos poderes”. A relação entre o Supremo e o Senado ficou abalada na última sexta-feira (21), quando a Polícia Federal executou operação na Casa e prendeu quatro agentes da Polícia Legislativa suspeitos de atrapalharem o andamento das investigações da Lava Jato.  Também foram feitas ações de busca e apreensão em gabinetes de senadores. Os mandados foram expedidos pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, que foi chamado pelo peemedebista  de “juizeco de primeira instância”.

Na segunda-feira (24), o presidente do Senado anunciou que entraria com ação no STF para questionar a operação da PF na Casa. “A ação vai ser no sentido de fixarmos claramente a competência dos poderes. Um ‘juizeco’ de primeira instância não pode a qualquer momento atentar contra um poder. Busca e apreensão no Senado somente com a decisão do STF”, afirmou em entrevista coletiva.

As declarações do peemedebista irritaram a ministra Cármen Lúcia, que, nesta terça-feira, defendeu publicamente o magistrado ofendido. “Não é admissível aqui, fora dos autos, que qualquer juiz seja diminuído ou desmoralizado. Como eu disse, quando um juiz é destratado, eu também sou”, disse a presidente do STF, que também comanda o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Executivo

Durante a entrevista em que disparou contra Oliveira, Renan também fez críticas ao Executivo, principalmente ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, a quem classificou como “chefete de polícia”. Os ataques foram feitos porque, hierarquicamente, a PF é subordinada ao ministério da Justiça. O peemedebista disse ainda que o chefe da pasta “fala demais” e acaba “dando bom dia a cavalo”.

LEIA MAIS: Juiz diz que Polícia do Senado atuava desde 2015 para atrapalhar Lava Jato

A página oficial do Senado informa que a reunião entre Renan Calheiros, Cármen Lúcia e Michel Temer será realizada às 11h. Também deverá participar do encontro o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A agenda oficial da ministra não havia sido divulgada até o fechamento desta reportagem, portanto ainda não foi confirmada a participação dela. Está previsto para ser votado nesta quarta-feira (26) no Supremo o recurso o tema da desaposentadoria.

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