A jornada da gente tem obstáculos e situações que nos fazem sentir medo e uma certa angústia em relação ao caminho que escolhemos. Sem a tal independência, sem a tão buscada segurança, aos 40 anos, tenho dúvidas e medo do futuro.
Ir na contramão do mundo, é um desafio cansativo e que provoca o esgotamento emocional e físico, neste caso, já debilitado e diferente do padrão. Trabalhar e conquistar o direito de ser singular, sempre com um sorriso, não é o meu maior desafio. Essa parte faço com prazer e é o meu maior sonho.
Difícil é sobreviver em um mundo que te oferece pouco, te rotula por tudo e te julga por não acreditar no seu caminho. Não pedimos por companhia, só queremos ser acompanhados por quem aprendeu a sonhar com a gente.
Porém, enquanto sonhamos, o tempo passa, nosso suporte sente as marcas dele e o meu medo aumenta, pois não sei se serei capaz de sonhar e sobreviver.
O equilíbrio entre mudar a realidade e, enquanto sonha, se encaixar no mundo é algo bem desafiador. Não é que não acredite na positividade, mas as palavras ficaram tão banalizadas, que me irrita tamanha venda sobre as fórmulas mágicas da felicidade.
Em um mundo que aprende a se esconder e a compartilhar dores e dopaminas em um celular, se esquece do que somos feitos e que os padrões que criamos nos limita a apenas repetir a roda.
Se a diversidade fosse tratada com normalidade e lutasse pela igualdade, talvez passássemos a enxergar o mundo com mais amplitude e mais beleza. Não adianta estar conectado, se vivemos presos nos mundos que temos, o que é imposto pelo sistema e o que criamos para aguentar a luta.
Não quero lutar para me igualar a esse mundo que não me enxerga, quero lutar para que esse mundo quebre a parede e obtenha uma visão da qual possa compreender que, entre o sonho e a realidade existe um caminho que é difícil, porque as diferenças são tratadas com inferioridade e os padrões nos dão limitações que não suportamos, pois sabemos que poderia ser mais simples viver, se as singularidades pudessem conviver e viver em harmonia.
Não sei se isso é uma utopia, mas sonhar ainda não me custa.
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