27/03/2026 às 08h00min - Atualizada em 27/03/2026 às 08h00min

E agora Alice?

WILLIAM H STUTZ

Alice nunca entendeu exatamente o momento em que começou a cair. No início, parecia só um tropeço desses banais, como quando a gente perde o equilíbrio diante de uma notícia inesperada. Mas logo a queda se alongou, tornou-se quase confortável, como se o próprio tempo tivesse decidido desacelerar para que ela pudesse observar melhor o mundo ao redor.

Lá embaixo ou talvez lá dentro tudo fazia menos sentido e, paradoxalmente, parecia mais explicável. Foi nesse estado suspenso que pensei no Brasil, na queda da taxa de juros, essa tal de Selic, que desce em números enquanto sobe em expectativas. Há quem comemore como se fosse o coelho branco anunciando: “é tarde, é tarde!”  uma urgência que ninguém sabe bem de onde vem, mas todos sentem.

Alice, durante sua queda, pegava objetos no ar, observava rótulos, questionava significados. Aqui fora, fazemos algo parecido: tentamos entender gráficos, discursos econômicos e promessas de crescimento. Mas, assim como no País das Maravilhas, as regras mudam sem aviso. O que ontem era prudência, hoje vira atraso. O que parecia estabilidade, de repente se revela ilusão.

E então, como se a toca do coelho tivesse uma saída inesperada para o outro lado do mundo, surge a guerra no Golfo Pérsico distante geograficamente, mas estranhamente próxima nas consequências. O preço do petróleo oscila, os mercados se agitam, e aquela queda suave da Selic começa a parecer menos uma decisão calculada e mais um salto de fé.

Alice encontra personagens que falam em enigmas, cada um defendendo uma lógica própria. Não é muito diferente dos especialistas na televisão, que discutem com convicção caminhos opostos. Quem está certo? Talvez todos, talvez ninguém. No fim, como no chá do Chapeleiro, o tempo não anda em linha reta ele gira, insiste, confunde.

A verdade é que viver, hoje, parece um pouco como cair na toca do coelho: a gente tenta manter a compostura enquanto tudo muda de escala. O grande vira pequeno, o urgente vira relativo, e o distante, como uma guerra, invade o cotidiano através de números, preços e incertezas.

Alice, ao final de sua jornada, acorda. Nós, não. Continuamos caindo, analisando, tentando dar sentido. E talvez a única saída seja aceitar que nem tudo precisa fazer sentido o tempo todo. Afinal, como ela mesma percebeu, o absurdo não é necessariamente o oposto da realidade, às vezes, é apenas a forma mais honesta de descrevê-la.

Em outra frente de batalha...

Na Granja do Solar, depois da revolução narrada por George Orwell, os bichos descobriram algo que não estava nos discursos inflamados dos porcos: governar é, sobretudo, lidar com escassez. Não bastava expulsar o antigo dono, era preciso decidir como distribuir o milho, quando estocar feno e, principalmente, como garantir que o esforço coletivo não se perdesse pelo caminho.

No começo, tudo parecia simples. Produção em alta, entusiasmo generalizado e a sensação de que, finalmente, o trabalho seria recompensado de forma justa. Mas, aos poucos, surgiram problemas que nem mesmo os mais eloquentes discursos conseguiam esconder. Faltava planejamento. E, sem perceber, a granja começou a viver sua própria versão de uma economia desorganizada.

Foi então que os porcos, sempre muito hábeis com palavras difíceis, passaram a falar de algo parecido com “taxa de juros”. Não usavam esse nome, claro. Diziam apenas que era preciso “guardar um pouco hoje para garantir o amanhã”. Quando os estoques diminuíam, endureciam as regras: menos consumo, mais poupança. Quando havia abundância, incentivavam o gasto, prometendo dias ainda melhores. Sem saber, estavam tentando controlar o ritmo da economia da granja.

Mas havia outro problema, mais silencioso e perigoso: alguns animais começaram a esconder parte da produção. Um punhado de grãos aqui, algumas maçãs ali. Não era exatamente roubo, diziam, era apenas precaução. Um medo difuso de que as regras mudassem novamente. Era a evasão de divisas da granja: riqueza que deixava de circular, enfraquecendo o coletivo.

Com menos recursos disponíveis, as decisões ficavam mais difíceis. A “taxa de juros” informal subia: mais restrições, menos acesso aos estoques, mais controle. E, quanto mais controle, maior o incentivo para esconder ainda mais. Um ciclo silencioso se formava, onde desconfiança gerava escassez, e escassez alimentava ainda mais desconfiança.

Enquanto isso, os porcos ajustavam os mandamentos na parede, sempre explicando que tudo era para o bem comum. E talvez fosse, ao menos em parte. Porque, no fundo, até mesmo na ficção de Orwell, a economia não deixa de obedecer a certas verdades: confiança é tão valiosa quanto produção, e regras claras são tão importantes quanto boas intenções.

A granja continuava funcionando, é verdade. Mas já não era movida apenas pelo ideal revolucionário. Era sustentada por algo mais complexo, mais humano, ou mais animal: expectativas, medo e escolhas individuais.

No fim, a grande lição que se escondia entre os celeiros e discursos era simples e incômoda: não há revolução que dispense a economia. E, sem entender como circula a riqueza e porque ela às vezes foge, até o mais justo dos sistemas pode começar a ruir por dentro, grão em grão.

E não poderia de deixar de citar Voltaire
Voltaire foi um dos mais importantes pensadores do Iluminismo, movimento intelectual que defendia o uso da razão, da ciência e da liberdade como bases para a organização da sociedade. Em um contexto marcado pelo predomínio do absolutismo, Voltaire destacou-se por suas duras críticas aos reis que concentravam todo o poder político em suas mãos, governando sem limites e, muitas vezes, sem considerar os direitos da população.

Na época, muitos monarcas justificavam seu poder por meio da teoria do direito divino, segundo a qual sua autoridade vinha diretamente de Deus. Voltaire rejeitava essa ideia, argumentando que nenhum governante deveria estar acima da razão ou imune a críticas. Para ele, o absolutismo favorecia abusos, como a censura, a perseguição religiosa e as prisões arbitrárias, práticas que impediam o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e livre.

Além disso, Voltaire defendia a liberdade de expressão como um princípio essencial. Ele acreditava que o livre debate de ideias era fundamental para o progresso humano e para a correção de erros políticos e sociais. Em regimes absolutistas, porém, a crítica ao governo era frequentemente reprimida, o que mantinha estruturas injustas e atrasava avanços importantes.

Outro ponto central em seu pensamento era a defesa da tolerância, especialmente no campo religioso. Voltaire criticava a aliança entre Estado e religião quando esta era usada para justificar a opressão e a intolerância. Para ele, a diversidade de crenças deveria ser respeitada, e o Estado não deveria impor uma única visão religiosa à sociedade.

As ideias de Voltaire contribuíram significativamente para o enfraquecimento do absolutismo na Europa, inspirando transformações políticas e sociais. Seus pensamentos influenciaram movimentos que buscavam limitar o poder dos governantes e garantir direitos individuais, como ocorreu durante a Revolução Francesa. Dessa forma, sua obra ajudou a consolidar valores que hoje são fundamentais nas democracias modernas, como liberdade, igualdade e justiça.

A grande revelação
Meus queridos leitores, se é que os tenho, toda tudo relatado acima escrita sem conexão e de um nonsense pueril repleto de ordem ilógicas, absurdas e incoerentes não saiu de minha confusa cabeça, apenas alguns pequenos comandos (só citei trechos obras que adoro dos fantásticos Lewis Carroll e George Orwell e Voltaire particularmente emCândido , uma crítica satírica ao otimismo, e Cartas Filosóficas, as quase consideroleituras essenciais e pedi a “coisa” ou seja uma IA e “ELA”, melhor seria um “IT” mas não temos esta flexibilidade em nossa pátria língua, e em segundos it “criou” os textos secos, sem sal , sem vibração sem a maravilhosa criatividade humana.

Colou de outros autores em uma falta total de esforço. A seguir por este caminho não teremos mais pensadores, mas sim um bando de imitadores dependentes do sistemabinário, pobres criaturas...

Plágios cibernéticos serão aceitos e a razão enlatada. Tá certo a IA pode ser e já é uma ferramenta importante para milhares de tarefas, mas para o poeta, o escritor o artista, o crítico vão se tornar um diminuidor de cérebros, de criatividade de raciocínio puro, de beleza e liberdade, uma tristeza. Muito cuidado com tudo que lhe mostram, podem estar lhe vendendo gato, por lebre. “Assim falou Zaratustra” não é querido Nietzsche, vida que segue.

 

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

 

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