A sua lágrima não me comove. A sua desculpa já não me interessa. Nunca fiz questão da sua opinião, mas você invadiu, falou e influenciou.
Você vive da fofoca e da vida alheia, ganhou status, importância e seguidores. Isso não te faz um exemplo, apesar de a futilidade ser, hoje, um estilo de vida. Sem legado e sem propósito, você e tantos outros passam os dias procurando uma “bomba”. O seu hype é o sofrimento de quem nem conhece, ou a suposta felicidade insuportável de quem vive de forma diferente do habitual.
Você me fez enfrentar dores além das que eu suportava, fez me mexer onde eu não queria nem precisava. Em sua rede de egoísmo, você cresce, finge humanidade e faz esse circo de absurdos normalizados continuar.
Agora, dizem que sou corajosa, uma inspiração, um exemplo. A morte não é cruel, a vida é que é desperdiçada. Meu sorriso, minha beleza, minha fragilidade e minhas lágrimas foram compartilhadas por mim. No entanto, fui exposta e julgada por uma minoria como você, que tem voz e alcance. Apeguei-me a milhares de desconhecidos que acolheram a minha dor.
A minha imagem feliz perante as dores reais te incomodava? Eu não te conhecia. Por que querer opinar? Para que criar teorias? Por que espalhar a sua pequenez diante da vida? Suas expressões e volúpia verbal pesavam mais a cada dia. Mas você me seguia, vigiava e falava quando era oportuno.
Enquanto eu buscava alento e amor também na minha rede, você destruía a imagem com que eu tentava camuflar minha dor. Eu não criava outro ser humano, apenas queria ver algo bom no meu dia. Consegui deixar algo além do atual exemplo para os fofoqueiros.
A vida virtual deveria servir para agregar e compartilhar amor e positividade. Isso é o que fica. O sofrimento é amenizado, mas não escondido. Contudo, sem holofotes ou desejo de ser digno de pena, eu não queria que ele fosse visceral a ponto de apagar o brilho do sol que eu ganhava a cada dia.
Você não precisava concordar comigo, mas eu também não precisava saber da sua existência. Entende?
Eu vivi a plenitude e enfrentei a morte. Você não se olha no espelho, tampouco é capaz de mudar. Talvez, quando encontrar a morte, você peça perdão para quem pode te perdoar. Eu vivi o quanto pude. Agora, na eternidade, espalho luz.
Eu vivi para mim, enfrentei você e plantei a minha verdade. Você é capaz de fazer isso? Os seus dias e os de tantos outros barulhentos também irão passar. Enquanto a vida dos outros rola no seu Instagram, a sua se esvazia. Enquanto você espalha verdades e mentiras, o ego infla e a gente esquece quem é. Você engana a todos com jogos de palavras e nos faz fugir de nós mesmos.
Julgar o outro é mais fácil do que mudar. Enquanto você espera a próxima vítima e prepara outras lágrimas, torna o mundo um inferno para alguém. Mas você não se importa, apenas forneceu dopamina para um padrão de ignorância que ajudou a criar.
Faça da sua rede algo produtivo. Siga, compartilhe e comente somente sobre quem você gosta. Quem tem uma verdade diferente da nossa não merece o nosso tempo, muito menos o status de celebridade. Temos o poder de decidir quem nos influencia.
Obrigada, Izabel!
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