
O jornalista Igor Castanheira traz seu olhar sobre temas relacionados a inclusão e acessibilidade.
Como é bom ser criança! Andar na rua descalço, tomar chuva, comer besteira, ganhar colo da avó, impressionar-se com tudo, sonhar com as pequenas coisas e sorrir para quem apenas nos ama.
Não sei vocês, mas sinto saudade dessa época. Parece-me que as crianças de hoje estão mais conectadas e menos infantis. Que pena! Era tão bom parecer bobo, imaginar um mundo de massinha e carrinhos, ou bonecas e casinhas.
Esse mundo visual e virtual cansa e é tão automático que as cores e os objetos não ganham mais vida. Tudo é tão irreal que a imaginação perdeu a graça, a surpresa do inesperado não tem o mesmo impacto, e a tela dos nossos olhos ofusca a nossa visão da alma.
Querer descobrir algo novo, encantar-se com a simplicidade do dia a dia e, até mesmo, confundir-se com os próprios sentimentos, é algo tão complexo atualmente que deixou de ser natural.
Assim como nós enxergávamos as histórias. Não sou contra a mudança, mas estamos desconstruindo tanta coisa que me pergunto: tudo que sonhei, imaginei e criei é errado?
E quem insiste em viver de fantasia é resistência? Se pensarmos assim, o circo ainda resiste! O picadeiro, apesar das mudanças de outros tempos, mantém a essência do sonho e da imaginação. Por isso, é tão bom reviver essa experiência, ver crianças elétricas, falando e apontando sem parar e, assim, criando a sua própria história.
Ao mesmo tempo, podemos ver adultos com o sorriso largo, o olhar com um brilho já esquecido e com aquela ingenuidade despertada novamente.
É a complexidade da vida: enquanto temos que crescer, achamos que vamos evoluir, quando na verdade, queremos mais lugares em que possamos sonhar e fugir da realidade. Enquanto houver resistência, há esperança!
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