27/09/2025 às 08h00min - Atualizada em 27/09/2025 às 08h00min

Animais

SE MANCA!, por Igor Castanheira

SE MANCA!, por Igor Castanheira

O jornalista Igor Castanheira traz seu olhar sobre temas relacionados a inclusão e acessibilidade.

IGOR CASTANHEIRA

A força da arte e o poder da cultura provocam mudanças, trazem conhecimento, resgatam o passado, questionam o presente e nem sempre nos fazem ter esperança no futuro. O conhecimento nos liberta ou nos apavora?

Entre as dores de uma humanidade construída com sangue e a nossa vontade de mudar essa história, a tristeza nos aprisiona, o sorriso se apaga, as lágrimas caem e os nossos sonhos não fazem sentido.

Antes de lutar, precisamos compreender qual é e a origem dessa luta. Estamos preparados para a verdade? Estamos abertos a descobrir que fomos formados em sociedades mentirosas e cruéis? Queremos a verdade por completo ou só o que nos interessa?

A esperança, se houver, é arte. Ela nos faz suspirar, chorar, rir, pensar e refletir. Ao mesmo tempo em que nos paralisa, nos faz entrar em choque e questionar: eu conheço a minha história?

Depois de acompanhar, aplaudir e me emocionar com “Macacos”, afirmo que não. Eu não tenho a coragem do brilhante e humilde Clayton Nascimento. Eu tenho medo de descobrir se tenho ou não um passado.

Mas se um dia for mexer nessas feridas, gostaria de fazer como você: no palco, na tela, na sala de aula. “Macacos” é um espetáculo no qual a humanidade enxerga o homem em sua ignorância estúpida e, ao mesmo tempo, a sua sabedoria sublime.
Dentre essas algozes, a brutalidade vence na maioria das vezes e cria narrativas que perduram e se perpetuam com os séculos. A sensibilidade e o talento que insistem em questionar a realidade de sempre são ameaçados e crucificados de maneira sofisticada ou primitiva.

O que nos resta é combater o medo, buscar e encontrar esperança no ser humano, apesar de a própria humanidade, por inúmeras vezes, querer e insistir em apenas ser um animal, onde o que chama de inteligência se torna uma ferramenta de destruição da própria raça.

“Macacos” é o retrato de tudo que ainda somos; contudo, é uma riqueza tão profunda que nos faz questionar: quem somos? E quem podemos ser? O difícil é continuar a ter esperança no futuro, já que o passado e o presente podem ter mudado, mas ainda estamos distantes de sermos humanos.

Somos animais que acreditam ser inteligentes e evoluídos, ao mesmo tempo em que esperamos o futuro, mas jamais nos ensinaram a amar. Fomos enganados com histórias em que a força bruta e o poder sempre finito vencem com sangue e mentiras. Assim seguimos, agora potencializando essa máxima e ainda não aprendemos a amar.

Seguiremos animais, um dia sem passado ou presente e sem tempo futuro.

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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