É interessante imaginar: como guardamos as nossas lembranças? Qual tipo de saudade sentiremos? Será aquela boa, que faz abrir o sorriso? Ou aquela que machuca o peito? Memórias construídas em um passado analógico valem mais do que as memórias estáticas das redes sociais?
Tenho para mim que nossos pais, avós e parte da minha geração têm memórias mais saudáveis, ao mesmo tempo em que guardam dores escondidas que não querem mexer. Eu ainda vou poder aumentar, inventar, chorar e rir com o tempo, ainda não tão distante.
Já essa geração terá uma memória, possivelmente, sem criatividade ou com pouca imaginação. O saudosismo será diferente, a saudade terá imagem e o passado continuará presente, pois ele não será criado pela nossa vontade; será uma eterna lembrança das nossas histórias. Imaginar como seria é muito melhor do que relembrar como se foi, na maioria dos casos.
A nossa memória agora é debatida, julgada, elogiada e perdida em um reels de um minuto e meio, na qual o seu valor se esvai até a próxima lembrança em um novo carrossel. Agora, a vida não passa diante dos nossos olhos; ela permanece, e o que passa é só o tempo. Estamos preparados para a memória que queremos esquecer? Ou será que nos deixarão recriar as nossas lembranças?
Saudade da juventude? Hoje já não se tem; hoje queremos e fazemos de tudo para parecer jovens. Saudosismo ou medo de lembrarmos de um tempo em que vivemos? Sem tempo para criar e conectados para lucrar, a nossa memória vai se esquecer de lembrar e vai deixar de nos proteger.
Entre a memória de um tempo que me contaram e as lembranças que nos perseguem, fica o medo do futuro, a saudade da nossa ignorância e o saudosismo de quando ainda tínhamos esperança no futuro.
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