A correria do dia a dia, o tempo perdido, as horas desperdiçadas e os sonhos adormecidos são situações que normalizamos para sustentar uma realidade que destrói a natureza, cobra pelo seu tempo, vende o seu conhecimento e ridiculariza a sua simplicidade.
Entre o começo que não nos lembramos e o momento em que nada é esquecido, a evolução de uma espécie se contradiz entre reviver o passado e suportar o presente, ao mesmo tempo, se agarrar na esperança de um futuro.
Enquanto isso, nos iludimos com nossas conquistas, nos forçamos a acreditar que somos inteligentes e temos um sonho de deixar um legado. Para que? Se acostumamos ou valorizamos as imensas construções, se nos orgulha criar uma inteligência mais rápida, contudo com as nossas arrogâncias, um dia, talvez em breve, ela nos supere e seja melhor para o mercado que nós.
Assim nos destruindo pouco a pouco, mostrando a nossa inquietude e a nossa necessidade de nos provar, inventamos novas maneiras de nos sabotar. Para isso, criamos novos rótulos, estipulamos outros preconceitos, sem esquecer os que já tínhamos, agora tudo é acumulativo e pesado, sem tempo para aprender ou para assimilar.
Tudo agora é assim, tudo pra ontem, pensando no amanhã e, assim, seguimos sobrevivendo pelo caminho. O nosso instinto de sobrevivência agora é controlado por remédios, as nossas diversas singularidades ganharam inúmeros tratamentos e a nossa vida se tornou um mero programa com tempo estipulado com missões cada vez mais curtas e a nossa dopamina se tornou julgar e se maltratar através da imagem do outro.
Deste modo, trabalhando o imaginário para destruir a imagem de alguém ou se diminuindo, pois alguém conseguiu ter uma imagem mais artificial do que você, construímos uma realidade de mentiras contadas milhares de vezes diariamente, no entanto, essa nova realidade inventada, entra em conflito com outra, igualmente lúdica, porém consolidada.
Nesse combate entre realidades diferentes, o sofrimento latente e as feridas abertas pelo passado ou pelo presente nos deixam vulneráveis para usarmos o que achamos ser racional. Em um mundo onde o tempo se perdeu, a humanidade busca reviver aquilo que um dia, para ela, foi bom para suportar o que ela nem imagina que está por vir.
Isso não é brincadeira, hoje o que é bom na TV são os Remakes, as séries e todos os segmentos se copiam, mas todos querem ser originais. No entanto, toda referência que você tem é um presente e um passado cheio de gatilhos que, na verdade, provam que não somos tão inteligentes assim, mas não aceitamos ser medíocres, por isso, fazemos firulas para deixar o nosso jeito e, deste modo, continuar enganando quem acredita que somos originais.
Somos singulares, mas precisamos de um líder que vamos copiar e seguir. E essa necessidade de ser alguém roubou a nossa essência de ser livre e de sorrir. Enquanto não formos aliados do tempo, ele continuará nos mostrando que ao correr contra ele, voltamos mais rápido ao ponto de partida, pois ele, o tempo, é o único que sabe a verdade, todo resto é ilusão!
*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.