Nas Olimpíadas somos brasileiros. Amamos os que vencem, criticamos os que erram e esquecemos quem está competindo. Aprendemos e entendemos tudo, de todas as modalidades. Queremos e podemos julgar ou esquecer cada atleta, dependendo do resultado
As redes sociais são o termômetro dessa loucura. Entre absurdos e a idolatria instantânea, vivemos o imediatismo e a extrema carência de exemplos e atenção. Queremos ter notoriedade, criticar sobre o que não conhecemos, julgar quem poderia ser nosso novo ídolo, afinal, somos um país olímpico, né?
São 46 modalidades esportivas, que estão sendo disputadas na França, gostamos do vôlei e seguimos o basquete, podemos ter tradição no judô, ter alguns ídolos esporádicos em outras modalidades, ter esperança isolada em algum destaque que surgiu isoladamente nos últimos anos, mas não somos um país que valoriza o esporte.
Entre os belos saltos e as lindas coreografias da Rebeca Andrade, o desabafo de Caio Bonfim e a expectativa gerada em cima da menina Rayssa, a fadinha que voa, e a superação Willian Lima, o reconhecimento é palpável pelo peso no peito.
A vitória vem com a responsabilidade de representar algo que nosso povo se acostumou a ser sofrido. Por isso, não valorizamos os demais atletas que vencem somente por chegar a competir.
Enquanto os atletas lutam com um propósito e dedicam a vida para competir, a fim de inspirar e vencer os próprios limites, os comentaristas de rede social seguem nos mostrando que a crueldade e a supervalorização estão caminhando juntas.
A cada notícia ou, a cada final, a expectativa está conectada na TV e no celular, observando a opinião de quem entende e querendo deixar sua marca para os seguidores. Os comentaristas de ocasião imitam os diversos comentaristas de futebol, que em suas mesas redondas ou em seus canais dedicados ou time que torcem, vão da euforia ao julgamento pessoal mais rápido do que o chinês nos 100m rasos na natação.
Não é por nada não, essa necessidade de atenção mostra que a comunicação é tão importante e faz tanta diferença, que estamos esquecendo que precisamos aprender como nos comunicar. Pois as nossas emoções, aliadas as nossas expressões provocam reações a quem acredita no que está vendo.
A profundidade da informação ou, da opinião, que nunca é própria, será equivalente conhecimento que adquiriu nos minutos antes da transmissão. Não estamos preparados para o poder da comunicação imediata, não sabemos diferenciar resultado e esforço, não compreendemos que as palavras e as nossas emoções podem atingir a qualquer um, mas acreditamos que falar é o começo.
Porém precisamos aprender como fazer essa comunicação, senão, iremos exaltar e descartar seres humanos como fazemos com qualquer utensílio doméstico.
Mas seguimos, ainda estamos nos jogos, queremos vencer, mas daqui a pouco, todos caem no esquecimento, dependendo do resultado temos orgulho, se não vencer é apenas um de nós, mais um dentre tantos que sofrem e que sequer foi lembrado nesse texto.
*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.