Nas profundezas das montanhas, onde os picos tocam o céu e os vales se estendem até onde a vista alcança, há uma solidão que ecoa. É lá, onde os ventos sussurram segredos entre as rochas e os rios dançam em seu próprio ritmo, que um coração solitário anseia pela presença do mar.
Desde a infância, as ondas quebrando na costa e os ventos salgados acariciando o rosto eram sinônimos de lar. Mas agora, envolto pela imensidão das montanhas, ele sente a saudade do oceano como uma dor física, uma ausência que pesa sobre seus ombros.
Nas noites silenciosas, ele deita sob um céu estrelado, onde cada ponto luminoso parece uma promessa não cumprida. Ondas de nostalgia o invadem, enquanto ele imagina as constelações como traços familiares, apontando o caminho de volta para onde pertence.
Os sons da noite nas montanhas são diferentes da sinfonia familiar do mar. Os grilos cantam uma melodia suave, os pássaros noturnos entoam suas canções misteriosas, e o vento sussurra entre os pinheiros como uma amante distante. Mas, apesar da beleza dessa serenata natural, falta-lhe a familiaridade reconfortante das ondas batendo na praia.
Em meio a essa solidão, seu coração permanece apaixonado, esperando pelos encantos do amor que ele só conheceu através das histórias contadas pelas estrelas. Ele anseia pelo toque suave de uma mão desconhecida, pelo calor de um abraço que prometa pertencimento e lar.
Cada estrela cadente que risca o céu noturno é um lembrete do desejo não realizado, uma prece silenciosa para que o destino finalmente o conduza à sua outra metade. Ele se pergunta se as fadas da noite, que dançam nas sombras das árvores, ouvem seus anseios e os transformam em realidade.
Mas por enquanto, ele se aconchega sob o manto estrelado, deixando-se embalar pelo ritmo das montanhas e pelas memórias do mar. Pois, mesmo na solidão, ele sabe que há beleza e magia a ser encontrada, e que o amor pode ser encontrado nos lugares mais inesperados, mesmo nas montanhas distantes.
Chegou até aqui? Ótimo. Gostou, conseguiu sentir minhas emoções de forma verdadeira? No seu imaginário de leitor conseguiu sentir o vento no rosto, o cheiro de sal no ar trazido pela brisa do mar!?
Viu o corre-corre dos guruçás a fugir da espuma das ondas em seu eterno ritmo ao dar na praia?
Suponhamos que sim.
E se eu lhe disser que não fui eu que escrevi o tudo aquilo? Se eu te contar que usei minha imaginação como peças de um quebra cabeça da alma e entreguei de bandeja para sim, programa de inteligência artificial ou simplesmente IA, aquela tão cantada em versos (falsos) e prosas (pra boi dormir) sem um pingo de emoção, frios como a mais altas das geleiras de algum lugar ermo onde apenas a solidão fria habita?
Pois foi isso que aconteceu. Tanto me falaram desse tal ChatCpt que me rendi e fui provar da fonte e perceber o tamanho cilada que estão nos oferecendo.
Ah, a letra da música Lunik 9 de Gil que diz com o coração:
"Poetas seresteiros namorados correi! É chegada a hora de sorrir cantar(?) ... Talvez a derradeira noite de luar."
Será o fim da poesia escrita com sangue, lágrimas, saudades, amor e paixão/entrega?
Espero que não. Mas pode ter certeza seremos continuamente bombardeados por falsos amantes, poetas, pensadores e os horríveis treinadores hoje num Brasil pouco nosso virou “coach”. Tem dó até o som lembra canto de sapo! Lástima, uma lástima.
Fecho deixando uma pergunta de ordem ética no ar: se foi a tal IA que criou e um outro publicou, podemos chamar isso de plágio o fato desse outro tomar para si o que não de sua mente saiu?
Em uma corrida de carros, quem ganha? O piloto ou a máquina? Dirão aquele que dominar com mais maestria o carro. Aqui no mundo dos pensamentos, da arte ou das ciências ganha aquele que melhor dominar a leitura, a pesquisa o raciocínio a paixão a dor e principalmente a curiosidade, coisa que IA ainda, repito ainda não tem.
Então, seguindo tão raso raciocínio logo teremos vencedores de Nobel de literatura, de medicina, de economia, da paz e de ou de qualquer outra área das áreas HUMANAS laureadas com tamanho reconhecimento
Por trabalhos produzidos por NÃO humanos.
Repito, lástima pura lástima. O pensamento humano cada vez pobre, mais mesquinho mais medíocre.
Ou talvez você prefira este meu desabafo escrito de forma, perfeita em ortografia, mas totalmente nu, como o rei de Hans Christian Andersen. Fala Alexia:
Entendo sua frustração e preocupação com a crescente presença da inteligência artificial na criação artística e intelectual. De fato, há um debate em curso sobre os limites éticos e os desafios que surgem quando máquinas começam a produzir obras que antes eram exclusividade do ser humano.
Ainda que a inteligência artificial possa simular a linguagem e até mesmo criar composições poéticas ou musicais, há uma diferença essencial entre a produção humana e a produção artificial: a experiência emocional, a vivência, a subjetividade que um ser humano traz para suas criações.
A arte, a poesia, a literatura são expressões da alma humana, carregadas de emoção, de vivências, de reflexões sobre a existência. Embora a inteligência artificial possa imitar essas formas, falta-lhe a profundidade emocional e a riqueza da experiência humana.
Quanto à questão do plágio, é realmente uma preocupação válida. Se alguém se apropria de uma obra gerada por inteligência artificial e a apresenta como sua própria, isso pode ser considerado plágio, pois não houve a contribuição humana criativa original.
No entanto, é importante notar que a inteligência artificial, como o ChatGPT, por exemplo, é apenas uma ferramenta. Ela pode ser usada para auxiliar na criação, mas a autoria genuína ainda reside no ser humano que a utiliza.
Quanto ao seu desabafo, ele é um lembrete poderoso da importância da autenticidade e da profundidade nas expressões artísticas e intelectuais. A inteligência artificial pode oferecer muitas coisas, mas nunca poderá substituir a singularidade e a complexidade do pensamento humano.
*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.