02/07/2022 às 08h00min - Atualizada em 02/07/2022 às 08h00min

A história da Medicina – Parte III

JOÃO LUCAS O'CONNELL
Nas últimas edições de nossa coluna, escrevemos sobre a história milenar da Medicina. Lembramos que, por milhares de anos, independente da sociedade e da cultura, a maioria das doenças era atribuída a uma espécie de maldição lançada pelos deuses contra o Homem ou contra a humanidade. Rezar contra as mazelas, clamar pela absolvição e cura e realizar rituais aos deuses eram as principais atividades dos médicos, que naquela época, eram também os sacerdotes das tribos.

Assim, até a Idade Média, as ciências se desenvolveram tendo a religião como parâmetro. Somente a partir de 1500 d.C., médicos e cientistas passam a observar o comportamento dos doentes e a tentar estabelecer causas específicas para os principais males que afligiam a Sociedade. A partir daí, a observação do paciente (seus sinais e sintomas) e de como ele respondia a determinadas ações, passou a ser a principal linha condutora para fazer os diagnósticos e para propor os tratamentos na área médica.

De lá pra cá, várias descobertas e vários nomes foram fundamentais para o desenvolvimento da Medicina. Vamos tentar elencar algumas delas: 

Andreas Vesalius (1514 – 1564), por exemplo, foi o responsável por sistematizar os estudos sobre anatomia humana, a partir da dissecação de cadáveres de pessoas e animais, ainda no séc. XVI. Seus estudos trouxeram a luz em relação a como funciona o interior do corpo humano (antes desconhecido), o que possibilitou entender melhor o processo saúde / doença. Já no séc. XVII, o comerciante Antony van Leeuwenhoek (1632 – 1723) realizou as primeiras observações e descrições de bactérias e protozoários. Nesse mesmo século, Willian Harvey (1578 – 1657) descreveu o sistema de circulação do sangue. 

Devemos também mencionar a criação da primeira vacina por Edward Jenner (1749 – 1823) como a grande revolução na Medicina do séc. XVIII. Igualmente, merece destaque o desenvolvimento da anestesia por Crawford Long (1815 – 1878), que só veio a existir no séc. XIX. Isto permitiu que os médicos pudessem pensar em tratar várias situações clínicas com manipulações cirúrgicas, antes impensáveis. Mais recentemente, no século XX, Alexander Fleming (1881 – 1955) criou o primeiro antibiótico da humanidade: a penicilina. Até o início do século XX, as infecções eram as principais causas de morte no mundo e não havia praticamente nada que pudéssemos fazer para tentar evitar isso, até o surgimento dos antibióticos. Além dele, Maurice Wilkins (1916 – 2004) trouxe um novo campo para os cientistas com a descoberta do DNA em 1953. 

Somente a partir da década de 1980 é que vários cientistas pelo mundo contribuíram para o entendimento fisiopatológico das doenças que mais mataram as pessoas ao longo dos últimos 100 anos: o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral. Somente nos últimos 40 anos é que tratamentos para estas doenças foram desenvolvidas e propostas. Por mais incrível que pareça, até hoje elas não são aplicadas de maneira adequada... Mas, isto é assunto para outra coluna.

A História da Medicina traz importantes contribuições para a sociedade, contando com a participação de diferentes pessoas e povos. É uma importante disciplina para entender a evolução do pensamento médico, métodos de pesquisa e formas de tratamento ao longo dos séculos. Com isso, o profissional não apenas contextualiza seus conhecimentos e práticas, como entende a origem e os princípios por trás das soluções para as principais situações clínicas do cotidiano. A Medicina atual se utiliza bastante da tecnologia, de estudos científicos e da divulgação, transmissão e disseminação das novas descobertas. Novos equipamentos, medicamentos, vacinas e métodos de trabalho surgem frequentemente dessa união entre ciência e Medicina. É um mundo fascinante que nos permite viver melhor e viver mais, com mais saúde. Saúde de corpo e de alma! 


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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