05/01/2022 às 08h00min - Atualizada em 05/01/2022 às 08h00min

Política brasileira, onde o casuísmo e o clientelismo prevalecem…!

ANTÔNIO CARLOS DE OLIVEIRA
Como já abordamos anteriormente em nossa coluna, a economia brasileira é o reflexo da política desorganizada, egoísta e imediatista que vivemos. E, a cada dia que passa, notamos isso de maneira mais evidente! O jeitinho brasileiro, do toma-lá-dá-cá e a teoria de que "cada caso é um caso", são exemplos de situações práticas que vivemos diariamente.

Como em toda sociedade civil organizada, temos as regras que regem o país e direcionam nossos direitos e deveres. Esses, que, teoricamente, são assuntos de conhecimento público e que a população deveria saber de cor e salteado ainda causam dúvidas quando precisam ser colocados em prática. 

O “sangue quente do brasileiro e o patriotismo da nação” que faz barulho quando se sente ameaçado ou incomodado por alguma coisa, são características que ficaram evidentes nos últimos anos, com o Brasil passando por fortes turbulências políticas. 

Quando um ex-presidente, indiciado juridicamente, quase foi nomeado ministro para que pudesse gozar do benefício do foro privilegiado, a sociedade se mobilizou em defesa da ética e da moral e, em um bonito ato cívico, oprimiu tamanho absurdo. 

Tempos depois, em mais um capítulo da batalha entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e apoiadores do atual Presidente que têm promovido ataques à Corte, um ministro determinou a prisão preventiva do ex-deputado federal e presidente nacional do PTB Roberto Jefferson, e, dessa vez, o manifesto popular, praticamente, não existiu, ficando isolado a poucas vozes discordantes aqui e acolá.

Vamos refletir: A Coroa, ao implementar modelos administrativo e judicial em território brasileiro, deixou nítido seu projeto econômico de exploração. Dominou povos, exterminou nativos, trouxe escravos e impôs regras, um conjunto normativo e burocrático, que impôs a todos o seu cumprimento.

O vasto conjunto de regras de conduta imposto pela Metrópole à população brasileira, aculturada e heterogênea, restava incompreendido, apesar do projeto ter sido exitoso, afinal a Metrópole ao exercer o seu domínio por tantos anos, conteve as insatisfações da colônia pela repressão bruta.

Hábitos e culturas completamente diferentes, choques inevitáveis sofridos por uma massa humana dispersa em um vasto território brasileiro: esse era o panorama brasileiro durante o processo de colonização. 

Hoje os governantes estão sempre prontos a justificar o próprio senso de oportunidade a partir da dita ética consequencial weberiana. Vendem a obsessão com o interesse casuístico deles mesmos, sem a preocupação com as consequências de seus atos para os governados.

O casuísmo está presente na política, na ciência e na justiça, sendo utilizado para resolver o problema de uma pessoa ou grupo específico, favorecendo – os, sem levar em consideração o bem coletivo. É uma prática que garante benefícios para uns e não para todos.

No cenário político nacional, o casuísmo é praticado para favorecer pessoas ou grupos políticos através da alteração de regras, leis e outros mecanismos que, em determinada situação, possam prejudicar determinado partido ou agente político.

Em tempos de pandemia há também o casuísmo científico com a aceitação, de tudo que a ciência propõe como verdade irrefutável, pela população leiga.

Esse tipo de casuísmo é causado pela limitação de conhecimento em relação às pesquisas realizadas pelos cientistas.

O clientelismo e o casuísmo estão presentes na história política, eleitoral e jurídica do Brasil. São práticas que podem alterar o sentido da democracia. Mais comum no cenário político, o clientelismo se faz presente na história política brasileira há muito tempo, mas foi com a Proclamação da República, especialmente na República Oligárquica, que essa prática se tornou algo corriqueiro nesse meio.

A engrenagem do clientelismo funciona da seguinte forma: o político faz promessas de benefícios em troca do voto do eleitor. O objetivo é o de garantir apoio político do povo e vantagens eleitorais para si.

O alvo principal do clientelismo é a população mais pobre e analfabeta que é carente de recursos e conhecimento, o que os torna mais “fáceis” de serem manipulados e de aceitar trocar o seu voto por “favores”.

Hoje, a reflexão que temos que fazer é se nós, que cobramos justiça, coerência e igualdade dos nossos líderes políticos, temos essas mesmas características quando é nossa vez de sermos cobrados. Será que somos realmente justos ou também lutamos só quando as mudanças nos afetam diretamente?

Pensar estrategicamente… Tanto o casuísmo quanto o clientelismo, se tornam práticas desfavoráveis ao desenvolvimento sociocultural e econômico de uma sociedade, quando usadas para beneficiar um determinado grupo, organização, partido político ou pessoas, sem levar em conta o coletivo, a sociedade como um todo. 

Analisar o impacto que duas medidas para uma mesma regra têm sobre a política e, consequentemente, para a economia do país, é o que vai fazer com que situações como essas, impregnadas de casuísmo não se repitam. Precisamos parar de ser massa de manipulação e entender o que defendemos. Saber se lutamos por ideais políticos verdadeiros ou se nossa motivação é a mídia, nosso vizinho ou qualquer outra influência passageira. Isso faz toda a diferença para sabermos se as mudanças que propomos e pedimos serão reais ou se serão empolgação que dura pouco tempo, indignação de redes sociais passageira como fogo de palha.

Não se faz aqui juízo de valor, apenas uma constatação. Aliás, líderes que não se preocupam com a consequência de seus atos para os liderados costumam conduzir a sociedade ao desastre. 


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
 
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