11/06/2021 às 12h48min - Atualizada em 11/06/2021 às 12h48min

A pandemia, o estresse e a volta às aulas

JOÃO LUCAS O'CONNELL
Foto: Pexels
O ritmo de disseminação da COVID-19 vinha caindo em nossa região nas últimas semanas. Entretanto, com a reabertura do comércio e a diminuição das restrições à circulação de pessoas, o número de novos casos começou a subir novamente. A boa notícia é que, apesar deste aumento, a maior parte dos novos casos é de pessoas mais jovens. Assim, o aumento razoável do número de novos casos não foi acompanhado por uma elevação proporcional do número de internações e óbitos em Uberlândia.
 
Entretanto, como houve um aumento progressivo do número de casos em cidades menores da região (que não havia acontecido de modo tão evidente nesta segunda onda), muitos destes pacientes buscaram atendimento e internação em Uberlândia. Assim, ao longo das últimas semanas, os hospitais foram sendo novamente ocupados e sobrecarregados. Mas, a situação atual não é totalmente alarmante, como foi nos meses de Fevereiro e Março. Por tudo isso, fica difícil falar em terceira onda, uma vez que a chamada “segunda onda” nem havia terminado o seu estrago ainda...
 
À esta altura, já conhecemos várias consequências físicas advindas da infecção aguda e muitas complicações causadas direta ou indiretamente pelo vírus nos diversos órgãos e sistemas do corpo humano. Porém, além de todos estes males físicos, bem quantificados e documentados através de inúmeros exames laboratoriais e exames de imagem, a pandemia trouxe também uma série de transtornos e sequelas psíquicas, que não podem ser tão bem quantificados assim...
 
Sabe-se que a pandemia aumentou, em muito, o nível de estresse, depressão e ansiedade na população! Isto aconteceu não só pelo medo do vírus em si, mas por outros motivos também relacionados direta ou indiretamente à pandemia: 1) medo de entrar em contato com outras pessoas ou objetos (pelo medo de entrar em contato com o vírus); 2) medo de desenvolver complicações graves relacionados a infecção e necessitar de hospitalização; 3) medo de sequelas pós COVID; 4) medo da morte; 5) medo de perder entes queridos; 6) medo de perder renda; 7) medo de perder o emprego; e por aí vai...
 
A ansiedade frente ao desconhecido foi tanta, que boa parte dos pacientes mais jovens, que enfrentaram infecção, tiveram mais sinais e sintomas relacionados à ansiedade e ao medo do que da infecção propriamente dita. Mas, e agora que a pandemia está diminuindo seu ritmo de expansão? E agora que parte da nossa rotina está retornando ao normal, o nível de estresse diminuiu?
 
É certo que uma grande parte da população já perdeu o medo da COVID! É uma pena que, infelizmente, com a perda do medo veio também a perda do respeito pelo vírus. Muitos até agora não entenderam que a necessidade de evitar aglomerações e a intensificação das medidas de proteção individual e coletiva são necessárias não somente para sua própria proteção, mas, principalmente, para a proteção das pessoas mais idosas e mais frágeis, com as quais eventualmente possam entrar em contato.
 
Entretanto, num país de extremos, uma outra grande parte da população continua extremamente ansiosa e temerosa de um eventual contágio futuro e continua muito apreensiva com a volta à rotina. Neste fim de semana, esta preocupação está bem evidente entre pais de alunos e entre professores que devem retornar parte da rotina das aulas presenciais nas escolas públicas e privadas da cidade.
 
Muitos estão bastante inseguros em relação à devida segurança deste retorno no momento atual. Pais estão preocupados em permitirem o retorno de seus filhos às escolas. Professores e outros colaboradores estão com medo de uma possível contaminação no ambiente de trabalho.
 
O retorno às aulas é um assunto muito polêmico, que já tratamos por aqui recentemente. Existem vários pontos positivos e algumas ameaças relacionadas a isto. Para aqueles que estão ainda inseguros com o retorno, vale lembrar que a chance de má evolução da COVID em crianças e adolescentes é muito baixa. Esta possibilidade também é baixa entre adultos jovens e sem comorbidades.
 
Apesar de existir o risco, o benefício do retorno à nossa rotina habitual e do contato físico entre os estudantes deve trazer uma melhora emocional e psicológica que deve compensar este baixo risco de adquirirem a COVID. Neste período de estresse e ansiedade, existem outras dicas que podem ajudar muito no combate ao estresse: praticar meditação; dormir bem; manter os cuidados de higiene manual e respiratória já recomendados (se sentir mais seguro ao andar da rua é importante para retomar a confiança); se hidratar e alimentar bem; aumentar o contato com a natureza e com o sol; aumentar a frequência de atividade física semanal e de atividades de lazer.
 
Essas medidas também podem aumentar a imunidade, diminuir o estresse, e trazer muitos benefícios àqueles que vêm enfrentando maiores dificuldades neste período de retomada. Cuide-se! Aos poucos, as coisas vão se ajeitando. O pior já passou! Boa semana e bom retorno às aulas para nossos professores e estudantes!
           
 
 *Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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