31/03/2021 às 09h34min - Atualizada em 31/03/2021 às 09h34min

Presidente escala sua nova seleção

ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA
Estamos no último dia do mês de março quando um quarto do ano já se passou. Este ano em especial, é muito significativo para nós brasileiros – primeiro pelo fato de estarmos vivendo o ápice da pandemia do COVID-19, um episódio sem precedentes para todo o mundo - segundo por vivermos em um ambiente político bastante polarizado, onde as diversas correntes políticas movimentam-se para marcar suas posições neste cenário.

A virada da página para 2022 já começou e sinaliza para o último ano desse governo que tomou posse em 1º de janeiro de 2019. Essa virada marcará o fim do governo do atual presidente e o início de um novo momento que deverá ser composto por novos protagonistas políticos. Já começamos a acompanhar as movimentações e negociações políticas entre partidos para a nomeação dos Ministérios que influenciarão as próximas eleições.

Os Ministérios são órgãos do poder executivo federal brasileiro. São 22 pastas ministeriais, sendo 17 ministérios, duas secretarias e três órgãos equivalentes a ministérios. Cada um desses órgãos é responsável por uma área específica e é liderado por um ministro ou ministro-chefe nomeado pelo Presidente da República. Os ministros funcionam como braços auxiliares do Presidente no exercício do Poder Executivo.

Na última segunda-feira (29/03) o atual governo promoveu seis mudanças no gabinete ministerial, o presidente em exercício ultrapassou seus antecessores na rotatividade de ministros, ele chegou à marca de 24 mudanças em ministérios ou órgãos com status de ministério, superando o recorde anterior, da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que havia feito 20 mudanças em período equivalente.

Diferentemente de seus antecessores Dilma e Lula, ambos do (PT) e Fernando Henrique (PSDB), Bolsonaro não havia feito uma reforma tão ampla, alterado um conjunto de ministérios de uma só vez, ao longo dos dois primeiros anos de mandato. Quando promoveu uma “mexida” mais ampla, em fevereiro de 2020, o presidente demitiu Osmar Terra da Cidadania e acomodando na pasta Onyx Lorenzoni, o que levou a Casa Civil a ser ocupada pelo general Braga Netto.

Antes da reforma dessa segunda-feira (29/03), as mudanças havidas, ocorreram por divergências com outros Poderes, que foi o caso do ministro da Educação, Abraham Weintraub, em julho de 2020; por atritos dentro do corpo de ministros, o que ocasionou a demissão de Marcelo Álvaro Antônio do Turismo no fim de 2020; ou por incompatibilidade com o próprio presidente e seus familiares - casos de Gustavo Bebianno, que deixou a Secretaria-Geral da Presidência em janeiro de 2019, e também de Carlos Alberto dos Santos Cruz, desligado da Secretaria de Governo em abril daquele ano

Nesta nova escalação seis alterações foram realizadas pelo presidente. Alguns entram na administração federal. Outros foram remanejados.  A troca de cadeiras, em parte, atende aos interesses das urnas para 2022.

Os “jogadores” escalados pelo presidente para ocuparem suas posições no jogo da política nacional são estratégicos para esse novo cenário e são eles: Casa Civil: General Luiz Eduardo Ramos; Justiça e Seg. Pública: Delegado da Polícia Federal Anderson Gustavo Torres; Defesa: General Braga Netto; Relações Exteriores: embaixador Carlos Alberto Franco França; Secretaria de Governo: deputada federal Flávia Arruda (PL-DF); Advocacia-Geral da União (AGU): André Mendonça.

Vamos refletir:... Trazendo para um plano mais popular no Brasil, o futebol, é como se o Presidente fosse o técnico do time, responsável por dirigir as atividades de uma equipe. Desenvolver e coordenar treinamentos, pensar em esquemas táticos diferentes para cada jogo e, principalmente, fazer a convocação das peças para comporem o time são responsabilidades que exigem o conhecimento de táticas e estratégias de jogo e de competição.

Os jogadores, por sua vez, funcionam como os ministros: tendo sempre em mente o esquema tático montado pelo técnico e seguindo suas orientações, os jogadores planejam seus movimentos, seu posicionamento e sua atuação em campo para que, em colaboração com as demais peças, o time planejado pelo técnico consiga entregar o que promete – ou seja, que consiga vencer o jogo.

É necessário ressaltarmos que no “jogo político”, ao contrário de um jogo de futebol, não existe um lado “perdedor” e um “vencedor” – assim que o técnico assume o comando de sua “Seleção”, estamos todos no mesmo barco, torcendo para que ela vença e transforme a nossa Nação em um país melhor. A diferença prática é que, caso o “time escalado” não esteja indo bem em campo, quem perde é a Nação.

O que podemos tirar de lição é que, atualmente, graças ao aumento do acesso à informação e aos recorrentes fracassos dos governos anteriores, os brasileiros demonstram estarem em dia com as escolhas do próximo presidente para os ministérios. O cenário se desenha da seguinte maneira: enquanto uns já são conhecidos pela população (por bons ou maus motivos), outros ainda possuem uma aura de mistério, já que se trata de escolhas tomadas levando em consideração “critérios técnicos” – como sempre denominou o atual Presidente.

É difícil olharmos para a situação atual e não relembrarmos os tempos áureos da Seleção Brasileira de Futebol, quando o técnico era escolhido para comandar o “escrete canarinho”. Com ele, entravam em campo com suas críticas e elogios dos mais de 212 milhões de técnicos vestindo a camisa da “pátria de chuteira” para também escalar a próxima seleção que iria representar o glorioso esporte bretão.

Pensando estrategicamente... as atribuições de um ministro estão previstas no artigo 87 da Constituição Federal, que postulam que é sua responsabilidade “exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração federal na área de sua competência e referendar os atos e decretos assinados pelo Presidente da República; expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério. Trata-se, portanto, de serviços públicos e, assim como o de presidente, governadores, deputados e senadores, estes estão sujeitos à fiscalização e cobranças.

A nós, os eleitores, cabe o papel de fiscalizar as ações dessa “seleção de ministros”, mantendo-os “na linha” de suas funções ao longo do exercício delas e fazendo com que sejam cumpridas à risca, sempre pensando na “Seleção” como um todo. Desta forma, evitaremos o esquecimento do ocorrido no fatídico Mineiraço, não permitindo que o mesmo ocorra no Brasil dos próximos quatro anos.




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