17/02/2021 às 08h00min - Atualizada em 17/02/2021 às 08h00min

​Enquanto a cura não chega, aja!

ANTÔNIO CARLOS DE OLIVEIRA
A pandemia chegou em sua segunda onda e com ela foi acesa a luz amarela, dando-nos o sinal para que pudéssemos desligar o piloto automático da zona de conforto.

Estamos todos à mercê desse flagelo que chamamos de novo coronavírus. É verdade que ele não atinge da mesma maneira ricos e pobres. Os mais afortunados têm plano de saúde e isso amplia as chances de se recuperar da doença com o menor sofrimento possível. Existe um ponto em comum, todos nós fomos surpreendidos e é evidente que a grande maioria da população ficará desolada de um jeito ou de outro.

As causas são as mais variadas: ou porque perdeu o emprego; ou porque teve que fechar o seu negócio; ou porque adoeceu física, mental ou emocionalmente por causa do isolamento; ou porque perdeu um ente querido; ou porque não pôde continuar seus projetos pessoais; ou porque o relacionamento diário com os filhos lhe mostrou que as coisas não estão muito bem; ou porque o casamento se desfez diante de todas as dificuldades e a obrigatoriedade do convívio rotineiro em demasia; ou especialmente porque, quando acreditávamos que iria acabar começou tudo novamente.

O caminho que devemos percorrer é o da solidariedade e a prática da compaixão. O foco é sair do supérfluo e direcionarmos para os bens essenciais. Enquanto a cura não vem pela via das vacinas – escassas no momento - podemos ir curando a nós mesmos, usando a nossa capacidade de resiliência. Assim, neste momento de transição é hora de escolher com muito discernimento o que queremos levar conosco, que comportamentos, crenças e desejos vamos manter e quais deverão ser abandonados de vez.

Entendo que adaptar-se é fundamental. E isso precisa acontecer de forma ágil e despretensiosa. É hora de explorar com leveza sem muita exigência ou cobrança. Dosar a produtividade, agir mas não esquecer de sentir.

Acho que estamos prontos, mas não tenho certeza se estamos no caminho certo, com coragem vamos testar, aprender errando e acertando. O momento é o de aproveitar a oportunidade para desapegar. Renunciar as nossas verdades que não trazem mais felicidade nem saúde e nos abrirmos para aprender a desaprender o que não mais funciona, e aprender coisas novas, preparando para o mundo pós-pandemia.

Vamos refletir: ... um dos grandes obstáculos que distanciava o ser humano do seu potencial era o conformismo. Milhares de pessoas, inicialmente, optavam por uma vida modorrenta mas segura, fazendo o mesmo do mesmo, com pensamentos ultrapassados ao invés de experimentar o novo, ousar e criar. O medo e a busca pela perfeição prevaleciam. O ego era maior que o propósito. Objetivos sem sentido deixavam pessoas reféns de seus pensamentos ultrapassados e limitantes, e no automático, no ilusório modo de sobrevivência, seguiam suas vidas alheios aos acontecimentos.

Quando pensávamos que tudo estava acabando, eis que surgem novos casos, a crise da falta de infraestrutura em Manaus, a logística na distribuição das vacinas, menos isso, mais aquilo, desencontros entre os interesses políticos em detrimento dos interesses coletivos. Assim, a esperança sempre se declinou, e é por tudo isso que estamos em paralisia coletiva, onde cada um, a seu modo, está enfrentando as fases do surto e do susto com muita raiva e negação.

Para ultrapassar com saúde integral essa realidade de trabalho, relacionamentos e vida pessoal tudo no mesmo lugar, pratique algumas atividades durante o seu dia:  Faça uma atividade física - mesmo que seja em casa com aqueles vídeos aulas do Youtube. Mesmo nos dias de descanso não despreze a atividade física, caminhada tranquila faz bem; Faça uma atividade artística - Mude os móveis de lugar, crie um arranjo, aprenda uma frase em outro idioma, experimente uma nova receita, costure, faça uma maquiagem… Não importa o dia, trabalhe! O trabalho melhora a qualidade de vida. Entenda por trabalho não apenas aquele que você desenvolve para ganhar dinheiro para o sustento.

Trabalho, neste prisma, pode ser algo que você realiza por no mínimo meia hora - organizar as próprias gavetas; consertar a torneira; pintar as paredes; reciclar; plantar; decorar; aprender uma nova técnica; conhecer novas ferramentas e muito mais. Dê asas para a imaginação.

Não importa o quão atribulado é o seu dia, Divirta-se!  Se obrigue a tirar uns minutos para se divertir: Assista uma série; converse descontraidamente com alguém que goste; É comprovado terapeuticamente que rir muito durante o dia, nos ajuda a dormir mais e melhor à noite.  

Está comprovado que nossa percepção do próprio sofrimento se transforma à medida que tentamos amenizá-lo, ajudando alguém. Solidariedade não é oferecer aquilo que lhe sobra, mas aquilo que também lhe faz falta. Por isso, benevolência e paciência com o outro também é solidariedade, escutar é solidariedade, uma palavra de afeto é solidariedade, um apoio emocional é solidariedade, uma ligação é solidariedade. Não deixe seu dia terminar antes que ouça ao menos um obrigado.

Pensando estrategicamente:... não é bom para a saúde esperar a crise passar esperando. O melhor e esperar passar, vivendo da melhor maneira possível. Por nós mesmos e por aqueles que convivem conosco. Pensando assim, devemos adotar a postura proativa, seja nos dias úteis, finais de semana ou feriado.

Estamos expostos, vulneráveis e dependentes uns dos outros, somos conectados. Mais do que nunca precisamos agir pelo outro e por nós. Olhar para fora, para dentro e para os lados. Mudanças internas levam a mudanças externas Escolher o caminho dos nossos antepassados que já trilharam a jornada do desconhecido com confiança em si, na vida e no mistério.

Ainda não temos as respostas, mas sei que elas virão na hora certa. Meu compromisso é com a vida e com a decisão de continuar evoluindo sempre.

E você? Quais as suas escolhas? Como será a sua trajetória? Enquanto a cura não chega, aja!



Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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