27/01/2021 às 08h00min - Atualizada em 27/01/2021 às 08h00min

A indústria 4.0, a pandemia e como se preparar

ANTÔNIO CARLOS DE OLIVEIRA
O termo Indústria 4.0 com pouco tempo alcançou grandes proporções, uma vez que engloba tecnologias e conceitos-chave, impactando a forma como a indústria caminha atualmente. Esse termo nasceu como um plano do governo alemão e fez parte de uma estratégia de alta tecnologia que visava promover a informatização da manufatura.

A tecnologia passou a ser o cerne do desenvolvimento econômico em todas a revoluções industriais pois provoca a elevação da renda dos trabalhadores. Nas três primeiras revoluções, ocorreu produção em massa, linhas de montagem, eletricidade e tecnologia da informação.

Mas afinal, o que é a Indústria 4.0? A Indústria 4.0 tem facilitado a visão e execução de “Fábricas Inteligentes”. Em essência, podemos dizer que na quarta revolução industrial as tecnologias digitais, os sistemas físicos se comunicam e cooperam uns com os outros e trazem novas possibilidades, como o trabalho remoto – intensificado em 2020 com o advento da pandemia – que se tornou possível graças à internet.

A Indústria 4.0 é a realidade e implicará a adoção gradual de um conjunto de tecnologias emergentes de TI e automação industrial, na formação de um sistema de produção físico-cibernético, com intensa digitalização de informações e comunicação direta entre sistemas, máquinas, produtos e pessoas. É a consolidando do conceito da tão famosa Internet das Coisas (IoT). Esse processo está gerando ambientes de manufatura altamente flexíveis e autoajustáveis à demanda crescente por produtos cada vez mais customizados.

Nesse estágio da indústria 4.0 – uma fábrica não é apenas automatizada, mas todas as suas máquinas estão interconectadas digitalmente dentro de um único sistema. Essa “fábrica inteligente” permite monitorar todos os processos físicos em tempo real, podendo tomar decisões descentralizadas e efetivas, gerando a maximização dos resultados para as empresas. Por via disso, um número cada vez maior de indústrias passa a investigar as tendências e maneiras de se integrarem a ela. 

Vários trabalhos acadêmicos estão sendo dedicados para estudar a nova tendência da indústria, dentre eles, podemos destacar os autores americanos Hermann, Pentek & Otto (2015). Segundo os estudos desses autores, quatro componentes são a chave da Industrie 4.0 ou 4ª. Revolução Industrial: Sistemas Físico-Cibernéticos, Internet das Coisas, Internet de Serviços e Fábricas Inteligentes.

A associação entre a computação, rede e processos físicos são a combinação de vários sistemas de natureza diferente, cujo objetivo principal é administrar um processo físico e, através do seu feedback, adequar-se a novas condições, em tempo real.  Os acompanhamentos dos serviços da Internet das Coisas ou a produção de serviços está profundamente ligado à IoT. Partindo basicamente de que a IoT abrange a comunicação constante entre máquinas/máquinas e entre máquinas/homem.

Internet das Coisas é o conceito de conectar algum dispositivo à Internet e a outros dispositivos conectados. Cada vez mais, operar com mais competência, compreender melhor os clientes para oferecer serviços aperfeiçoados, melhorando a tomada de decisões, aumentando o valor dos negócios, passou a ser motivo para sobreviver.

As fábricas inteligentes têm a capacidade e a autonomia necessárias para agendar manutenções, prever falhas nos processos e se adaptar aos requisitos e mudanças não planejadas na produção. Em todas as fases, os funcionários das organizações devem ser instruídos nas operações de novas tecnologias. Isso irá garantir uma transição suave, reduzindo a ansiedade que acompanha cada nova era da indústria.

Vamos refletir: ... a Covid-19 obviamente, teve um impacto devastador na 4ª Revolução Industrial, seus efeitos transformadores são imensos, mas nem todos são negativos. Diante da realidade em que tudo é regido pela distância – do trabalho ao entretenimento, educação, contato com os amigos e muito mais – as tecnologias que impulsionaram a 4ª Revolução Industrial ofereceram soluções para dar continuidade e alguma normalidade nos negócios e na vida.   

Satya Nadella, CEO da Microsoft, disse: “Vimos dois anos de transformação digital em dois meses”. A Covid-19 acelerou a adoção das tecnologias da 4ª Revolução Industrial, uma vez que as pessoas e empresas passaram a depender da computação em nuvem, inteligência artificial, velocidade da rede 5G, big data e muitos outros recursos e tecnologias para continuar suas operações,.

Pensando estrategicamente: ... na época do surto de coronavírus, muitas pessoas e empresas estiveram relutantes em apostar tudo nas tecnologias da Indústria 4.0, felizmente, a capacidade e a estrutura desses recursos estão à disposição, mesmo que não totalmente aperfeiçoadas. Imagine viver nossa realidade de 2020 no ambiente de negócio em 1980 – sem dispositivos conectados, videoconferência e inteligência artificial para nos apoiar, tudo seria um caos.

A adoção de tecnologias da indústria 4.0 é uma questão de sobrevivência - No que pareceu uma transição da noite para o dia, mudanças tão dramáticas nos negócios geralmente levam meses, senão anos, as empresas mudaram para operações remotas em resposta à imposição do isolamento social. Era uma questão de sobrevivência inovar e experimentar novas formas de trabalhar e atender clientes e acionistas que, no passado, não eram adotadas por um motivo ou outro.

Educar e treinar uma população de quase 8 bilhões de pessoas em tempo recorde pelo mundo afora não é uma tarefa tão simples assim.  Podemos afirmar sem medo de errar que todos os caminhos levarão à Indústria 4.0. Ou seja, levarão à completa descentralização de controle dos processos produtivos, graças à proliferação de dispositivos inteligentes. Com o avanço da Inteligência Artificial, da Computação Cognitiva e de outras inovações tecnológicas, automatizar é o caminho natural para aumentar a competitividade e a produtividade. 


Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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