13/01/2021 às 08h00min - Atualizada em 13/01/2021 às 08h00min

O mundo está mudando: já fez o seu plano de voo?

ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA

Tudo está mudando! Parece que o mundo não será como antes. Com a chegada do coronavírus, aquele mundo antes do coronavírus não existe mais. Nossas vidas mudarão muito daqui para a frente, e alguém que tentar manter o status de 2019 é alguém que ainda não aceitou essa nova realidade. As mudanças que o mundo levava décadas para concretizar de forma espontânea, a gente está tendo que implementar aos solavancos e em pouquíssimo tempo.

O mundo está mudando: esta é a frase que tem dominado a agenda pública desde o início do milênio, quando as tecnologias da comunicação e informação avançaram subitamente e tomaram conta das nossas vidas nos mais diversos aspectos. Mas, quando dizemos “mudança”, estamos falando dos mais diferentes âmbitos de nossa sociedade: desde o modo como nos relacionamos até o modo como nos informamos e consumimos.

Com a chegada do coronavírus, em pouquíssimo tempo aconteceram várias transformações que passaram pela política, economia, modelos de negócios, relações sociais, cultura, psicologia social e as relações com as cidades e o espaço público dentre outras coisas.

Temos a capacidade de nos antecipar a essas mudanças? Como poderíamos moldá-las para o benefício da humanidade? Em meio à crise atual, temos oportunidade de conceber o mundo de outra forma? Como será em termos de instituições governamentais, economia e meio ambiente?

Para ter a real compreensão desse estado de coisas, torna-se necessário ter consciência de que os efeitos da pandemia devem prevalecer por bom tempo, pois a Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que sejam necessários alguns meses para que haja vacina contra o Covid-19, suficiente para imunização da população mundial em escala de segurança. Isso significa que os países deverão alternar períodos de abertura e isolamento durante bom período.  A instabilidade financeira decorrente da pandemia por si só será motivo para que as pessoas economizem mais e revejam os seus hábitos de consumo.

Vamos refletir: O mundo antecipou todas as mudanças que já estavam em curso.  Especialistas acreditam que a linha do tempo foi antecipada em pelo menos três décadas com a chegada da Pandemia. O trabalho remoto, a educação à distância, a busca por sustentabilidade e a cobrança por parte da sociedade para que as empresas sejam responsáveis do ponto de vista social.

Várias outras mudanças estavam em suas fases embrionárias e talvez não fossem perceptíveis, mas agora ganharam novo sentido diante da revisão de valores provocada por uma crise sanitária sem precedentes na história. Como exemplo, podemos citar o fortalecimento da solidariedade e da empatia, assim como o questionamento do modelo de sociedade baseado no consumismo e no lucro exacerbado a qualquer custo.

As mudanças provocadas pelo coronavírus deverão permanecer entre todos nós? De acordo com os especialistas, é importante que políticos, representantes do setor produtivo, enfim, toda a sociedade comece a se preparar para essas mudanças – que podem representar uma nova ordem mundial.

Nesse sentido, é preciso refletirmos algumas das principais mudanças sofridas pelo capitalismo – sistema econômico e social que impera na maior parte do globo. O capitalismo é baseado, em essência, na legitimidade dos bens privados e na irrestrita liberdade de comércio e indústria, tendo como principal objetivo a obtenção de lucros e a acumulação de riquezas através dos meios de produção. Vale ressaltar que, nesse sistema, os meios de produção e de distribuição são de propriedade privada e o maior esforço deste processo está nas mãos dos trabalhadores. Por conseguinte, a desigualdade social também aparece como característica intrínseca a esse sistema, ressaltando a divisão de classes entre trabalhadores e empresários. Em tese, os governos existiriam em sociedades capitalistas apenas para banir a iniciação de violência humana.

Pensando estrategicamente... seria muito bom se pudéssemos prever o futuro, como num passe de mágica, consultando uma bola de cristal conseguíssemos prever o que acontecerá nos próximos 6 seis meses, mas infelizmente não existe essa alternativa no menu das possibilidades. Então só nos resta uma análise dos dados disponíveis e a observação de macro tendências, a fim de elaborar uma predição de como será o mundo pós pandemia.

Nos últimos tempos, na última década, em especial, estávamos vivendo um momento de relevantes transformações, uma onda de mudanças jamais vistas, batizada pelo professor Klaus Schwab em 2010, como a quarta revolução industrial. Desde a maneira como compramos, nos entretemos, nos relacionamos, negociamos, registramos ou nos movimentamos, para citar somente algumas áreas, presenciamos a desmaterialização de ativos e tudo, ou praticamente tudo que queremos e precisamos, passou a estar ao nosso alcance palma das nossas mãos através de um simples clique. Com o surgimento das startups, empresas de garagem que geram valor de mercado, com pouquíssimo capital inicial, incomodando o status de sólidas organizações bem posicionadas no mundo dos negócios.

A 2ª década do século XXI iniciou-se com grande expectativa, como sendo a primeira da quarta revolução industrial. Em dezembro de 2019, havia muita expectativa para esse novo período e quando tudo parecia tecnologicamente em escala exponencial, surgiu uma ameaça biológica, um vírus que, assim como os unicórnios corporativos, possui uma escala de crescimento exponencial.

Novas tendências ficaram claras para o pós COVID-19, principalmente voltadas para educação, trabalho remoto, liderança, conectividade, solidariedade, família, economia circular, capitalismo social, social mídia e meio ambiente. Essas são algumas das áreas sobre as quais é possível predizer grandes mudanças.

A pandemia acentuou o medo e a ansiedade das pessoas estimulando novos hábitos de consumo. Assim, cuidados com a saúde e o bem-estar estão em alta. Enfim, realmente o mundo de uma hora para outra, sem aviso prévio, está mudando.

E você! já fez o seu plano de voo para a nova realidade?


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

 
 
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