06/01/2021 às 08h00min - Atualizada em 06/01/2021 às 08h00min

O que nos aguarda em 2021?

ANTÔNIO CARLOS DE OLIVEIRA
Feliz ano novo e de plenas realizações...! Assim terminamos o ano de 2020, quando todos se confraternizaram e desejaram votos de realizações para os amigos e familiares. 

Não é bem assim! Todos nós sabemos que com o passar dos primeiros dias do ano novo, as “coisas” vão caído no devido lugar, e aí, começamos a viver de fato os dias do ano que se inicia.

É certo que ainda conviveremos em 2021 com os impactos da pandemia. Mesmo que se avizinhe um processo de imunização em massa, que aparenta ser próximo, há razoável incerteza sobre os detalhes das campanhas de vacinação e seu efeito sentido pela população. Apesar disso, podemos ter mais esperança e afirmar que estamos, hoje, mais capazes de enfrentar os desafios que a pandemia trouxe. 

Para o setor imobiliário, não há dúvida que grande parte das conquistas obtidas em 2020 deveu-se à política de crédito, sobretudo com recursos do SBPE. Taxa de juros baixa para o tomador de crédito, bem como a Selic baixa para o investidor orientado pelo CDI, são, isoladamente, os fatores que mais mobilizam o mercado. Vimos compradores de todas as classes indo às compras, seja como primeira moradia, como upgrade, diversificação de investimento e mesmo como segunda moradia que acabou virando uma primeira moradia; exaltou-se o home office.

O mercado imobiliário está com bons fundamentos para seguir uma trajetória positiva: demanda das famílias das classes média e alta retornando aos patamares pré-crise e a migração de investidores para o setor já se faz sentir. 

As projeções pós-pandemia para o agronegócio são muitas, o ano de 2020, ao mesmo tempo em que mostrou sua força no Brasil, também deixou muitas lições para o produtor rural. É por isso que estar atento às tendências do agronegócio em 2021 é fundamental para que continue a trilhar como carro chefe da economia.

Nesse sentido, segundo as estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), para 2021, o crescimento deve ser de 3% no PIB Agro e 4,2% de VBP, Valor Bruto da Produção, superando R$ 903 bilhões. Já com relação a 2020, o crescimento estimado é de 9%, enquanto o VBP deve atingir 17,4% crescimento.

A China e o agronegócio brasileiro: considerando o aumento de produtos exportados para a China (19,4%), houve também mudança no comportamento do consumidor chinês. Então, uma das tendências do agronegócio em 2021 é que o país seja um dos principais demandantes de soja em grãos do Brasil.

A Educação e o que esperar das escolas - o ano de 2020 foi desafiador para todo mundo e, em especial, para as famílias que tiveram de manter as crianças em casa por cerca de oito meses sem ir à escola, sendo privadas do convívio com os amigos e de uma série de experiências para além das cognitivas. Agora, com o iminente reinício do período letivo, a falta de perspectiva rápida de vacina e a instabilidade da pandemia do coronavírus, que volta a apresentar alta no número de casos, muitos pais, senão todos, estão se perguntando como será a educação em 2021. No momento, há diferentes cenários entre escolas públicas e particulares, que dependem de autorizações do estado e do município para funcionar e de decisões das redes de ensino, das próprias instituições e das famílias.

A professora, socióloga e presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Maria Helena Guimarães de Castro, diz que o retorno das atividades presenciais deve ocorrer à medida que as autoridades sanitárias e os dirigentes estaduais e municipais autorizarem a volta às aulas. “O conselho prevê volta gradual, respeitando protocolos até que escolas tenham condições de receber vacina e todos serem imunizados”. Ninguém sabe ao certo o que 2021 reserva, mas a expectativa, segundo especialistas, é que a tecnologia deverá permanecer e que as escolas voltem às atividades, pelo menos parcialmente.

O Meio Ambiente estará no centro do debate. Quase dois terços dos consumidores, somando 65%, desejam impactar positivamente o meio ambiente. Dessa forma, a questão da sustentabilidade ganhou força total. Então, a demanda para que empresas se alinhem à essa responsabilidade social também cresceu.

Vamos refletir:... as mudanças nos hábitos de consumo levarão as pessoas a buscarem se alimentar cada vez melhor, com isso, há a tendência por produtos Plant-based, alimentos e bebidas à base de plantas e que se encaixam na alimentação vegetariana. Isso exige mais opções no cardápio, como a carne alternativa.

Os consumidores querem mais transparência. A alimentação saudável demanda maior consciência ao consumir. Por exemplo, 26% dos consumidores globais leem os rótulos para saber a origem do produto. Com isso, cresce a demanda por maior transparência na divulgação dos alimentos. Ou seja, a procura por produtos que forneçam informações claras de todo o seu ciclo de vida tende a aumentar.

Pensando estrategicamente:... Na economia, as projeções para a taxa básica de juros, a Selic, foi para 3% em 2021, segundo estimativas publicadas pelo boletim FOCUS. Além disso, a expectativa é que o setor econômico seja favorecido diante dos indicativos, permanecendo a projeção de R$ 5,10 para o dólar; 3,40% para o PIB e IPCA, 3,34%.

A Tecnologia será um grande diferencial na vida das organizações. Para o setor agrícola, por exemplo, o uso da tecnologia para analisar os dados em tempo real pode ajudar produtores a enfrentar os impactos no setor. Vale ressaltar que a pandemia apressou a digitalização dos negócios e essa tendência deve permanecer em 2021, sendo mais capazes de aproveitar a oportunidade aquelas empresas que melhor se posicionarem com uma atuação compatível com o novo cenário.

O que esperar de 2021: temos que ter a clara noção de que o aumento da desigualdade social e da violência, gerados pela pandemia, a polarização da sociedade sobre temas político-ideológicos, o elevado índice de desemprego e o crescente desalento da juventude quanto ao futuro, não podem ser enfrentados sem a retomada do crescimento sustentado, essencial, inclusive, para o equilíbrio das contas públicas, sem contar que viveremos um ano pré-eleitoral cheio de especulações e incertezas. 


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
 
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