23/12/2020 às 08h00min - Atualizada em 23/12/2020 às 08h00min

Estamos preparados para viver o Natal à distância?

ANTÔNIO CARLOS

É comum nesta época do ano começarmos a ver os enfeites natalinos por todos os lugares por onde passamos. Casas, ruas, lojas, por todos os lugares vemos muitos preparativos para o Natal. As estrelas, anjos, pinheirinhos, presépios e o Papai Noel estão lá a nos lembrar que o Natal está chegando, mas a pergunta é: será que estamos preparados para o Natal em ano de Covid-19?

Aquele encontro anual tão aguardado, o abraço acalorado, o aconchego no colo, o pedido de presentes ao pé do ouvido, tudo isso é a magia do Natal que polariza as atenções de toda a criançada ao encontro do Bom Velhinho, e ele com toda a paciência ouvirá atentamente e atenderá aos pedidos de todos. Essa relação mágica entre crianças e o Papai Noel, que perdura todo o mês de dezembro, nos shoppings está sofrendo alterações este ano, para cumprir recomendações sanitárias tão necessárias para conter a disseminação do novo coronavírus.

As alternativas de segurança coletiva e o encontro entre as crianças e Papai Noel estão recheadas das mais diversas novidades: o Bom Velhinho em uma torre, chamada de vídeo, conversas pelo WhatsApp, casas com paredes de vidro para evitar contato direto entre as pessoas. Para vários especialistas, apesar das circunstâncias é preciso manter a tradição. Todas as crianças esperam ansiosas o ano todo para falar com o Papai Noel.

O preparo para o Natal é muito mais do que uma simples montagem da árvore com luzes coloridas e um mine presépio. Estar preparado para o espírito natalino requer algo muito mais sério e mais sublime do que enfeites de casas e ruas. É preciso ter em mente o que essa época representa de positividade e valores fraternos.

Esse simbolismo e magia podem ajudar-nos a refletir naquilo que Deus significa para nós, quem é e que papel representa em nossas vidas. Mas não pretendo falar de magia por esse motivo. O Natal recorda-me esta palavra e esta palavra recorda-me a atitude que não raras vezes tomamos ao procurar Deus.

Vamos refletir: Com máscara e distanciamento, as festas de Natal e Ano-Novo serão diferentes em 2020. Sem os beijos e abraços tradicionais, refletindo o comportamento afetivo do povo brasileiro, isso, é claro, se você seguir todos os cuidados para evitar a contaminação pelo coronavírus, conforme as recomendações das autoridades sanitárias nacionais, com o aval da própria OMS (Organização Mundial da Saúde), que disse que a "aposta mais segura" seria não realizar as reuniões familiares tão tradicionais nesta época.

A recomendação vale especialmente para núcleos familiares que não habitam na mesma residência. Para aquelas famílias que já estão em convívio diário, a confraternização pode ser realizada desde que seguidas todas as recomendações e cuidados de higienização ao voltar da rua, por exemplo - adotados desde o início da pandemia. Por outro lado, se a ideia é reunir vários grupos da família, alguns cuidados devem ser tomados, principalmente se há pessoas de grupo de risco no mesmo local.

Entretanto, caso você escolha fazer reuniões familiares ou entre amigos, saiba que não é possível realizá-las de forma 100% segura, como destacado pela mídia especializada e referendado pelo Dr. Munir Ayub, consultor da SBI. "É um risco calculado que a pessoa irá correr. Ninguém pode dizer que teremos confraternizações seguras e tranquilas." Andrea Mansinho, infectopediatra da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, alerta para o momento da refeição e para o consumo de bebidas alcoólicas.

O mais recomendado é que as pessoas se abstenham em reunir neste fim de ano. A recomendação vale principalmente para núcleos familiares que vivem em locais diferentes e para grupos de amigos que encontram eventualmente e convivem diariamente com pessoas diferentes a cada dia. "Se a festa de fim de ano for com as pessoas que você já convive diariamente em sua casa, o risco será menor. São pessoas que você já conhece e confia, e sabe que não se exporá, explica Alexandre Naime, infectologista chefe do Departamento de Infectologia da Unesp e consultor da SBI.
As pessoas do grupo de risco, incluindo os idosos, são as que mais necessitam de maior cuidado. Este grupo deve ficar com maior distanciamento do restante.

O ideal é que as confraternizações, se realizadas, tenham o tempo de duração encurtado e isso pode variar de acordo com cada família ou grupo de amigos. Quanto menor o tempo, menor a chance de contaminação caso alguém esteja com Covid-19. Se todos estiverem usando máscara, com distanciamento adequado, higienizando as mãos a cada contato, em um espaço amplo e arejado, é possível estender o tempo.

O recomendável é que cada pessoa utilize seus próprios talheres (garfo e faca) e, caso use um pegador de salada, por exemplo, que seja higienizado na sequência. Também é importante que as pessoas lavem as mãos antes de se servir ou use luvas de plástico descartável.

Os infectologistas explicam que, por mais raro que seja a infecção de Covid-19 pelas superfícies, existem algumas práticas que podem ajudar no momento da troca de presente —normalmente que envolvem mais abraços e beijos.

Os riscos em aviões e ônibus são mais altos, porque são ambientes fechados e que, dificilmente respeitam o distanciamento físico. Para se proteger, é necessário o uso de máscara o tempo todo e higienização das mãos.

Pensando estrategicamente: ... Para ser solidário, não há idade ou distância. Nesse momento que antecede o Natal em época de Covid-19, o desejo de levar alegria aos mais necessitados supera qualquer dificuldade. Sejamos solidários com aqueles que não dispõem de meios para um Natal e Ano Novo adequado a esse momento.

Podemos dedicar algumas horas dos nossos dias para pensar nos outros. Quem se envolve com ações comunitárias na época natalina garante: o presente é em dobro para aqueles que se doam ao trabalho social.

É tempo de celebrar. Enfeitem ruas e casas. Mas, lembrem-se que o mais importante é enfeitar a vida com o amor e a paz que emanada de Cristo, pois só ele pode dar por meio de sua Palavra.


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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