04/11/2020 às 08h00min - Atualizada em 04/11/2020 às 08h00min

Os millennials estão prontos para assumirem o poder?

ANTÔNIO CARLOS DE OLIVEIRA
A geração Y são os nascidos entre 1980 e 1996, também chamada geração do milênio, geração da internet ou millennials, que se refere ao corte dos nascidos após o início da década de 1980 até, aproximadamente, o final do século passado. 

Esta geração foi a primeira verdadeiramente nascida neste meio, mesmo que incipiente, diferentemente da geração X que foi concebida na transição para o novo mundo tecnológico da geração Y, o oposto dos seus pais e avós – em sua maioria baby-boomers que nasceram no surto demográfico do pós-segunda guerra mundial e seus filhos da geração X que nasceram entre os anos 60-70. 

Por terem nascido sob a influência do novo mundo tecnológico os millennials esperam feedbacks muito rápidos do ambiente que os envolve, e buscam o senso de propósito e realização como grande motivador nas suas vidas pessoal e profissional.

Vale ressaltar que quase não existe geração Y no meio rural, lá a natureza da renda da família e da cidade estão relacionadas a um histórico de trabalhos braçais e tradicionais, rurais ou manufatureiras. Nota-se aí uma diferença significativa entre as modalidades de prosperidade econômica e níveis de interação material mundiais, quando comparadas as duas gerações (X e Y). 

Estas diferenças produziram uma geração familiarizada com a baixa durabilidade e efemeridade dos produtos. Neste novo ambiente volátil, onde podemos assistir à queda de diversas profissões e a relativização de outras, a lógica do trabalho até então conhecida das profissões e carreiras adquiriu novo significado e grau de comprometimento.

A geração Y foi desta forma, superexposta a novo nível de informação, afastada dos trabalhos braçais e sobrecarregada de facilidades materiais em troca de pouco ou nenhum esforço físico. Em parte, este processo ocorreu devido a uma aparente compensação a partir dos pais, originários da geração X, possivelmente tentando compensar a lacuna material pelo qual podem ter passado, se comparadas as prosperidades econômicas da geração X com a da Y. 

O mundo digital sempre foi o seu habitat natural, e estão, desde sempre, familiarizados com dispositivos móveis e comunicação em tempo real, como tal são um tipo de consumidores exigentes, informados e com peso na tomada de decisões de compra. São a primeira geração verdadeiramente globalizada, cresceram com a tecnologia e usam-na desde a primeira infância. A internet é, para eles, uma necessidade essencial e, com base no seu acesso facilitado, desenvolveram uma grande capacidade em estabelecer e manter relações pessoais próximas, ainda que à distância. A tecnologia e os dispositivos móveis (tablets e smartphones) em particular, criaram condições de comunicação para a geração Y como nenhuma outra geração o tinha feito anteriormente, permitindo partilhar experiências, trocar impressões, comparar, aconselhar, criar e divulgar conteúdos, que são o fundamento das redes sociais. Em 2016, dados mostram que esses jovens Millennials já estavam investindo mais tempo assistindo vídeos em smartphones do que assistindo TV ao vivo. 

Eles cresceram fazendo tarefas múltiplas. Acostumados a conseguirem o que queriam sem esforço ou prazos consideráveis, não se sujeitando às tarefas subalternas de início de carreira e desejando salários ambiciosos desde cedo, em geral com a suposição de que conhecimento e currículo técnico tornam desnecessários outros atributos profissionais. 

Vamos refletir: ... No Brasil, os millennials já compõem a maior parte da população brasileira: são 34% da população total, e representam 50% da força de trabalho. Estimativas dão conta de que esse número deve crescer. Até 2030, a Geração Y deverá ocupar 70% dos postos de trabalho.

A Geração Y está concentrada no Sudeste (63,4%), seguida de Nordeste (14%), Sul (11,7%), Centro-Oeste (6,7%) e Norte (4,2%). Ao analisar as divisões, é possível perceber a predominância nas regiões que mais se adéquam às suas realidades financeiras. 

Essa geração tem como característica principal, ter-se desenvolvido numa época de prosperidade econômica, facilidade material e grandes avanços tecnológicos, e efetivamente, em ambiente altamente urbanizado, imediatamente após a instauração do domínio da virtualidade como sistema de interação social e midiática, e em parte, no nível das relações de trabalho.  

Pensando estrategicamente: ... o mundo mudou drasticamente nos últimos 30 anos, nosso dia a dia passou a acontecer, em grande parte, em mídias digitais, mudando a nossa percepção do mundo e de nós mesmos. 

A essa altura os Millennials já se deram conta de que não dá para ficarem sentados esperando por um grande evento global que irá causar uma revolução e transformar todo o planeta ― é preciso que eles próprios sejam parte ativa dessa mudança, mesmo que seja para cobrar atitudes mais responsáveis das empresas ou de seus governantes.

Um dos reflexos do movimento “para fora do sofá”, segundo Amelie, é a ressignificação da economia. A consultora diz que Millennials estão muito menos favoráveis a gastar dinheiro de modo frívolo após os acontecimentos globais de 2020. “Como muitos Millennials perderam os empregos ou tiveram redução salarial na pandemia, eles não estão apenas poupando dinheiro, mas também olhando para esse assunto com outros olhos”, afirma.

Graças ao enorme senso de responsabilidade social, Amelie espera boas coisas no futuro advindas dessas gerações, tanto em termos de economia quando de responsabilidade social e valores individuais.

Podemos dizer que os millennials estão prontos para assumirem o poder, por estarem mais bem preparados e familiarizados com o mundo tecnológico.


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

 
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