14/10/2020 às 08h00min - Atualizada em 14/10/2020 às 08h00min

Como ficará a educação pós pandemia da Covid-19?

ANTÔNIO CARLOS DE OLIVEIRA
Há cerca de dez meses, em virtude do coronavírus, o mundo entrou em um processo de reconfiguração, incluindo a educação. Todos os que trabalham com a educação estão se reinventando na busca de novas formas para executar seu trabalho e manter seus propósitos. 

Após a primeira onda de mudanças emergenciais, entramos em um “novo normal” no processo de ensino e aprendizagem. Precisaremos lidar com a perpetuação da tecnologia, das metodologias ativas e os desafios de um novo “modelo mental” a ser desenvolvido por gestores, professores, pais e alunos. Estamos prontos para viver essa transformação? Precisamos buscar alternativas transformadoras para o futuro da educação!

No Brasil a educação foi uma das primeiras áreas a sofrer com os impactos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Com o avanço da doença para todos os estados brasileiros, as aulas presenciais foram substituídas para o Ensino a Distância (EAD) ou remota, com todas as atividades disponibilizadas em plataformas on-line, um verdadeiro “show de improviso”.

A educação brasileira estava organizada no modelo presencial, com aulas dentro do espaço físico da instituição escolar, onde os alunos e professores se encontravam e interagiam durante o período letivo. A pandemia provocou uma profunda ruptura desse modelo, alterando completamente essa rotina educacional, que tem um tempo e espaço escolar determinados. Concomitantemente ocorreu uma aproximação e a adoção de recursos tecnológicos para suprir a lacuna da relação que era presencial, com aulas dialogadas entre professores e alunos.

Tudo isso é muito complexo para ser analisado no contexto dos acontecimentos, onde os fatos tão próximos de nós, estão mudando todas as práticas da educação básica ao ensino superior, impactadas por mudanças sociais e educacionais, originárias da pandemia. O isolamento alterou a organização educacional do ensino em todos os níveis, no caso a organização do trabalho pedagógico, onde políticas educacionais e de formação de professores não estavam sendo pensadas para esse novo momento.

A educação precisa encontrar novos caminhos. A escola no modelo presencial é insubstituível, por se tratar do lugar onde as relações humanas acontecem de forma dialógica e democrática. Não obstante esse status, em nada diminui a importância da Educação a Distância, que exerce papel de grande relevância principalmente em algumas regiões do país, que é de difícil acesso para a escola presencial. O que podemos pensar é usar a EAD de forma complementar e não substitutiva da educação presencial. 

Vamos refletir:... Os grandes desafios apontados pela maioria dos especialistas são o difícil acesso à internet no Brasil por grande parte da população, além da falta de um ambiente adequado para o estudo dentro de casa e a orientação que o aluno necessita para cumprir as tarefas, principalmente estudantes da educação básica. Existe no Brasil uma realidade muito dispare em relação as condições de vida de uma parte da população, que não tem acesso as tecnologias, como celulares mais modernos, tablets, e o acesso à internet por meio dessas tecnologias utilizados.

“Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – tecnologia da informação e Comunicação (Pnad Contínua TIC) 2018, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 46 milhões de brasileiros não tem acesso à internet. Em áreas rurais, o número é ainda maior, cerca de 53,5% dos moradores estão distantes da rede”.

Os desconectados, que representam 41,6% não sabem usar o serviço, enquanto 34,6% não tem interesse em se relacionar com a tecnologia. As condições socioeconômicas colocam 11,8% da população distante da internet, enquanto 5,7% acha o equipamento necessário para o uso, como celular e tablets, caros demais.  Além da qualidade do sinal de internet que é precário. 

Por causa da pandemia, o uso da tecnologia na educação precisou sair do discurso e ser colocado em prática. Mas a tecnologia, por si só, não vai resolver o problema educacional do Brasil. Precisamos de políticas públicas bem articuladas, recursos para educação e professores valorizados e bem treinados.

“Se o docente não for mais bem preparado, ele vai fingir que ensina e os alunos fingirem que aprendem”, afirmou Paulo Blikstein. Ele é professor assistente na Escola de Educação da Universidade Stanford e organizador do livro Inovações Radicais na Educação Brasileira.

Pensando estrategicamente:...  As experiências, inéditas no país, apontam para uma necessidade de reavaliar o papel da tecnologia na educação, o acesso da população à uma internet de qualidade e a importância do trabalho do professor na construção da aprendizagem.

Lidar com a precarização das escolas e a falta de estímulo à formação dos educadores já é difícil suficiente para professoras e professores. Não é justo que um ponto tão fundamental quanto o estímulo à criatividade recaia tão somente sobre os ombros desses profissionais.

Temos que olhar para a combinação de três fatores: a saúde, o bem estar e a aprendizagem dos alunos. É desafiador, mas é fundamental que isso aconteça. Isso é mitigação de danos, isso é diminuição do impacto. Quando os alunos voltarem, deve ser feita uma avaliação diagnóstica para identificar as perdas e organizar um sistema competente de recuperação de aprendizagem.

O fato de o impacto direto da educação sobre importantes variáveis não-econômicas ser tão ou mais importante que o seu impacto sobre as variáveis econômicas revela que investimentos em educação têm importantes externalidades sociais que tornam o subinvestimento em educação ainda mais oneroso para o desenvolvimento humano de uma sociedade.


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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