26/08/2020 às 15h18min - Atualizada em 26/08/2020 às 15h18min

Economia: Recuperação poderá vir mais cedo do que se espera!

ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA
A economia do País já apresenta sinais de recuperação, após o impacto da crise provocada pela pandemia do coronavírus. Desde o início do ano quando medidas forçou a adoção do distanciamento e isolamento social em todo o mundo, setores da economia brasileira, apresentaram resultados positivos. Quando fez uma apresentação a investidores estrangeiros o Banco Central pregou cautela, mas mostrou que os indicadores econômicos confirmam a volta gradual da economia.

Os sérios danos causados nas economias mundiais mais consolidadas, e os impactos nos países emergentes como o caso do Brasil, também foram muito relevantes. Não obstante os problemas vividos, as medidas emergenciais tomadas pelo Ministério da Economia e pelo Banco Central, tais como transferência de renda, impulso ao crédito a empresas e aumento de liquidez no sistema financeiro, colocaram o Brasil numa situação de vantagem em relação aos outros emergentes.

Em recente apresentação para investidores do Bank Of America realizada na última semana, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que o cenário para o Brasil segue desafiador. Na ocasião o BC apresentou uma série de dados das economias mundiais. No caso da indústria, o índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria brasileira alcançou em julho o maior nível desde o início da pesquisa realizada pela IHS Markit. Nesse indicador, quando o número está acima de 50%, o setor está passando por crescimento em vez de retração, foi o caso brasileiro. Em julho o índice foi de 58,2%, ante 51,6% no mês anterior. Ao compararmos o desempenho do Brasil a outros emergentes como México, índia, África do Sul, Rússia e Colômbia, vimos que a indústria brasileira foi a que melhor resultado apresentou no período. 

Se analisarmos pela perspectiva do PIB, a projeção da recessão brasileira, apresenta-se na casa de 5,6%. Segundo o mercado financeiro essa deve ser uma das menores quedas apresentada dentre os emergentes, perdendo para a Índia e, estendendo aos Brics, para a China, que deve apresentar crescimento econômico ao final de 2020. Espera-se para 2021 que a economia brasileira cresça alinhada com os demais países emergentes. 

Vamos refletir: ... Parece que iniciamos uma recuperação, e a primeira parte dessa recuperação foi em V, disse Campos Neto. Se os indicadores econômicos estudados pelo governo mostram que o pior da crise do novo coronavírus já passou e que a recuperação econômica será mais rápida do que se pensava, só nos resta pensar em algo melhor.

Para quem acreditava em uma catástrofe economia e sem possibilidade de recuperação no curto prazo, pode-se dizer que a economia brasileira tem surpreendido na resiliência, mas não é suficiente para abandonar a agenda reformista e abrir os cofres. O mau exemplo foi dado recentemente por agentes do Legislativo (Senado Federal), que caminha na direção contrária dos ajustes empreendidos pela Economia e projetado pelo BC tão necessários para retomada de um crescimento gradual a partir deste semestre e no ano que vem. 

Pensando estrategicamente... O presidente do BC explicou que a economia brasileira ficou muito mal em abril, o mês mais intenso do isolamento social no país. Mas, ensaiou uma retomada em maio e acelerou esse processo de recuperação em junho.

O setor financeiro é muito importante para alocar os recursos necessários de maneira eficiente, observou. Campos Neto admitiu que ainda é preciso aperfeiçoar um ponto importante do sistema financeiro: o acesso ao crédito. Houve uma tendência que acabou se concentrando nas grandes empresas e não foi suficiente para fazer frente à demanda extraordinária gerada pela pandemia. Por isso, ainda há um sentimento por parte micro, pequenas e médias empresas de escassez de crédito. A autoridade monetária anunciou recentemente um pacote que promete direcionar mais de R$ 200 bilhões de crédito para as pequenas e médias empresas.         
Para Campos Neto, o BC vem cumprindo o seu papel no que diz respeito à política monetária, reduzindo a taxa básica de juros (Selic) para a mínima histórica de 2,00% ao ano. A redução da taxa de juros implica na mudança dos fluxos de investimento no país, principalmente como combate aos efeitos do novo coronavírus.      

O que a autoridade monetária parece disposta a fazer agora é, portanto, aperfeiçoar as políticas de crédito e seguir com a agenda de inovação do sistema financeiro.

Baseadas nas projeções dos dados da economia brasileira bem como da mundial, o BC sinaliza que o cenário ainda é de cautela, mas que as medidas tomadas no início da pandemia têm se mostrado eficientes, e aponta para uma trajetória de recuperação mais sólida a partir do terceiro trimestre.

A recuperação poderá vir mais cedo do que se espera. Vamos aguardar!




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