27/04/2017 às 09h34min - Atualizada em 27/04/2017 às 09h34min

Reforma do contra

Às vésperas de uma das maiores greves do país, os parlamentares insistem em trabalhar contra os anseios da população e se articulam para a aprovação de uma das propostas que está gerando muito incômodo, tanto nos políticos atrás de votos, como na população trabalhadora que teme perder os seus direitos.

Até o momento que finalizei esta coluna, a Câmara dos Deputados se preparava para votar, com o viés de aprovação, o texto da reforma trabalhista. Entre as inúmeras críticas e soluções propostas no projeto, o texto do relator, deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), terá muita discussão em sua apreciação. O parcelamento de férias, a regulamentação do trabalho "home office" e a não obrigatoriedade de pagamento da contribuição sindical estão entre os pontos positivos da proposta. Mas a grande crítica é a possibilidade de precarização, com o aumento da carga horária diária do trabalhador para até 12 horas e a terceirização do trabalho.

Outras reformas

A análise das controversas propostas do projeto de reforma da previdência segue nesta semana. Mesmo com um placar adverso à aprovação, o governo insiste em colocar o PL em votação ainda neste mês. Um "fla x flu" que promete fortes emoções, com parlamentares da base governista saindo em debandada, se a proposta for aprovada como segue o texto do relator Arthur Oliveira Maia (PPS-BA).

Já a reforma política vem sendo alvo de ciúme político. O relatório do deputado Vicente Cândido (PT-SP) vem evoluindo em suas discussões, mas alguns pontos estão divergentes da classe política conservadora do Congresso, que quer vedar coligações políticas e são desfavoráveis a única fonte de financiamento de campanha, o recurso partidário. Por isso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) está sendo deliberada paralelamente na Comissão de Constituição e Justiça, enfraquecendo o trabalho da comissão especial que discute o tema.

Outros embates

O ex-presidente Lula e o juiz Sérgio Moro protagonizam o duelo do século no próximo mês. O depoimento que o petista iria prestar junto ao Ministério Público Federal (MPF), em Curitiba (PR), na próxima semana, foi adiado para o dia 10/5. Nos bastidores do Congresso Nacional, para aliados de Lula seria um sinal de enfraquecimento de argumentos para tentar incriminá-lo. Já para opositores, seria uma semana a mais para que o ex-presidente agonize esperando uma possível punição judicial.

Para esquentar ainda mais a temperatura do cenário político na capital, índios e policiais legislativos se confrontaram em pleno gramado do Congresso. Crianças e mulheres indígenas foram agredidas sem mesmo estar em embate com os seguranças armados do prédio parlamentar.

Volta pro banco

Brasília também protagonizou uma reviravolta esportiva nesta semana. A primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, na última terça-feira (25), mandar o goleiro Bruno Fernandes de volta à prisão. O jogador defende o Boa Esporte, de Minas Gerais, que disputa a 2ª divisão do Campeonato Mineiro. Por 3 votos a 1, os ministros decidiram derrubar uma decisão de fevereiro do ministro Marco Aurélio Mello, que havia determinado a libertação do atleta, após seis anos e meio de prisão.

 

Tiago Pegon, uberlandense, residente em Brasília há 7 anos,  jornalista há 9 anos, MBA em Marketing Político, trabalhou como repórter político e assessor de comunicação parlamentar.

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