10/03/2020 às 07h30min - Atualizada em 10/03/2020 às 07h30min

Primeiras escolas apropriadas

ANTÔNIO PEREIRA
Dois fatos mudaram a dinâmica do desenvolvimento de Uberabinha em 1.912: a posse do vereador, agente executivo, João Severiano Rodrigues da Cunha, e a construção da estrada de rodagem de Uberabinha a Ituiutaba e Itumbiara. A estrada, construída por Fernando Vilela e Paes Leme, despertou a vocação comercial da cidade porque transformou Uberabinha no pião recebedor e distribuidor de manufaturados do Sul e de matérias primas de Goiás. Rodrigues da Cunha, conhecido como Joanico, foi aquele administrador sensível que percebeu que as novas condições econômicas permitiriam transformar a velha vila emporcalhada, numa cidade limpa e disposta ao desenvolvimento.

Uma série de outros fatos expõe à população, ávida por progredir, que a cidade toma novos ares. O primeiro, de mais vistosa importância, foi a construção do Grupo Escolar Júlio Bueno Brandão, em 1.914, inaugurado em 1.915. Não havia escolas apropriadas na cidade. Era tudo improvisado em pequenas salas em que se misturavam todas as classes. Foi o impulso cultural mais importante do período. Foi nomeado seu primeiro reitor, o prof. Honório Guimarães, homem culto, dinâmico, escritor, que se dava a uns golinhos etílicos; enfiou-se na política e quase foi assassinado por isso; não gostava de negros apesar dos fortes traços africanos que trazia no corpo. Criou um jornal, O Escolar, e uma banda de música, a Euterpe Juvenil, tudo executado pelos alunos. Que tempos, hein?

Em 1.917, Joanico inaugurou a nova sede da Câmara Municipal, no centro da praça Clarimundo Carneiro, construída pelo Cypriano del Fávero – que não viu a festa porque morreu pouco antes.

Em 1.922, o Estado inaugurou o novo Fórum. Um imponente prédio na praça que começava a puxar o centro para a Cidade Alta. O prédio onde funcionava o Fórum anterior era tão inseguro que os seus júris eram realizados em Monte Alegre.

Na área do secundário (ginásio – hoje absorvido pelo fundamental), até 1.920, não havia escola instalada em prédio apropriado. Continuavam os meninos a estudarem em residências adaptadas, mal adaptadas. Tínhamos uma boa escola, o Gymnasio de Uberabinha, do diretor Antônio Luiz da Silveira. Nesse tempo, os meninos, para se formarem, tinham que prestar provas finais num colégio equiparado ao referencial nacional, o d. Pedro II, do Rio de Janeiro. Aqui na região, só em Ribeirão Preto havia uma escola secundária equiparada onde os meninos todos da região iam confirmar seu conhecimento e merecer diploma de ginásio. Os do nosso Gymnasio, passavam quase todos. Era uma referência.

As lideranças políticas e sociais estavam inconformadas de estarem pontos abaixo de Araguari e Uberaba com seus colégios bem montados. Resolveram construir prédio especial para abrigar o Gymnasio. Sob a liderança de Carmo Giffoni a cidade juntou dinheiro e construiu o Colégio Estadual, “museu”. Naquele tempo, recebeu o nome do colégio que abrigou: Gymnasio de Uberabinha.  Algum tempo depois, a Sociedade “Progresso de Uberabinha” doou o prédio para o Estado sob a condição de criar um colégio estadual na cidade. O presidente Antônio Carlos aceitou e nomeou o dr. Mário Porto seu primeiro reitor.
 
(ESTOU EDITANDO UM LIVRO CHAMADO “AS ESTRADAS PIONEIRAS DO BRASIL” – LOGO ESTARÁ NA PRAÇA.)


*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.








 
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