28/02/2020 às 08h30min - Atualizada em 28/02/2020 às 08h30min

Você é um número!

CELSO MACHADO


Desculpe a sinceridade, mas mesmo tendo nome você é um número. Ou melhor, uma porção de números. Que têm muito maior utilidade e uso do que a denominação que seus pais escolheram para identifica-lo.

Pense em quantas vezes você tem que dar informações a seu respeito por meio de números. O do cadastro das pessoas físicas, o da carteira de identidade, da data de nascimento, da conta na instituição bancária, do telefone celular e do fixo, do sapato, da rua em que mora, a hora em que deita ou levanta, do programa preferido, da placa do carro, de todos os tipos de senhas, do protocolo quando você faz uma solicitação ou reclamação, de quanto é sua renda mensal, da pressão arterial e de todos os tipos de avaliação médica, dos minutos na esteira, da poltrona do avião, do tempo que gasta entre sua residência e o trabalho ou seja lá onde for, do tamanho da sua calça ou camisa, da idade da esposa e dos filhos, dos anos de casado, do tempo de casa, do valor da aposentadoria e por aí afora.

Até mesmo quando vai a um restaurante que está lotado e fica esperando vaga quando esta surge você é chamado pelo número que te deram, não pelo seu nome. Ah é claro, se for político, quantos votos teve na última eleição, quantos são os seus cabos eleitorais, a quantidade dos colegas de bancada, a verba que administra e para não causar maiores problemas melhor parar por aqui.

Você é muito mais reconhecido pelos números que fazem parte da sua vida do que por qualquer outro meio. Soa desumano saber de todos. E ultimamente, para complicar, a grande maioria da sua movimentação é por meio de senha. A senha para ligar o notebook, acessar o face, movimentar o cartão de crédito, desbloquear o celular, utilizar os meios eletrônicos bancários, liberar o portão do condomínio, ligar ou desligar o alarme, resgatar os pontos dos seus cartões, do token e com certeza estou esquecendo de inúmeras outras.

São tantas senhas que os artifícios utilizados para guarda-las vão dando um nó na cabeça da gente, provocando confusões com frequência. E um temor no momento que precisamos utilizar algumas que são necessárias apenas esporadicamente. O dedo vacila tanto quanto a mente e a palpitação toma conta do peito para ver se o resultado vai permitir o desfecho positivo da liberação do acesso. 

De tanto lidar com números e senhas não atentamos para a impessoalidade que toma conta dos relacionamentos atuais. Até mesmo dos pessoais. Quantas vezes escutamos os pais falando sobre seus filhos usando a expressão ele é o terceiro, o do meio, o primeiro. O pior é que temos que tomar o maior cuidado para não sermos conhecidos por um número nada positivo, um zero a esquerda. Apenas isso.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.














 

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