17/01/2020 às 10h09min - Atualizada em 17/01/2020 às 10h09min

A TI contrata, e não apenas programadores

MARIANA SEGALA

O ano mal começou, e o ecossistema de inovação continua imerso numa busca sem fim: a de talentos para trabalhar nas empresas de tecnologia. Em Uberlândia, a segunda quinzena de janeiro começou com pelo menos 30 vagas abertas no segmento. A maior dificuldade é encontrar programadores e desenvolvedores. Eles estão em falta (crônica) não apenas aqui, mas no Brasil inteiro – e, no mundo, também não sobra gente nessa área. Mas não é apenas de programadores que o setor de tecnologia é feito. A gama de profissionais necessários para o funcionamento de uma empresa de tecnologia é ampla, envolvendo desde aqueles dedicados aos aspectos administrativos até os que podem ajudá-las a vender os seus produtos e serviços. E mesmo em funções que não envolvam bytes e linhas de programação diretamente, espera-se um certo perfil dos candidatos que nem sempre é simples de encontrar.

Na última semana, um relatório divulgado pelo Linkedin – maior rede social profissional do mundo – trouxe resultados curiosos. O documento, intitulado Profissões Emergentes 2020, listou as 15 profissões em alta no Brasil atualmente, com no aumento da procura por elas ao longo dos últimos anos. Delas, nada menos que 9 estão ligadas diretamente à tecnologia da informação. É o caso, por exemplo, dos programadores de JavaScript, uma das principais linguagens de programação para internet. A busca por eles teve um crescimento anual de 72%, o que é muito revelador do acirramento da disputa no mercado.

Além dos programadores, também estão em evidência os engenheiros de cibersegurança (115% de crescimento anual), os cientistas de dados (78%), os especialistas em inteligência artificial (73%) e, quem diria, até mesmo os recrutadores especializados na área de TI (56%). Não é, certamente, uma coincidência.

Há outras funções em crescimento que, embora não sejam demandadas exclusivamente por empresas de tecnologia, compõem o rol de profissionais necessários para as operações delas. Representante de vendas é um caso. Ora, vendedor talvez seja a profissão mais democrática do capitalismo global. Todas as empresas, de qualquer que seja o segmento, precisam ter alguém (ou muitos alguéns) para convencer potenciais clientes de que seus produtos ou serviços são a melhor opção entre todas as existentes. O crescimento anual da procura por representantes de vendas, segundo o Linkedin, foi de 109%. Os setores da economia responsáveis por esse avanço? Empresas de software, de TI e de internet, diz o levantamento.

O mesmo acontece na profissão que lidera o ranking do Linkedin, a de gestor de mídias sociais. A procura aumentou 122% ao ano entre 2015 e 2019. Quem trabalha nessa função é responsável pela imagem, pelo relacionamento e engajamento e pela prospecção de uma empresa nos seus canais digitais. Indústrias de alimentos precisam desse profissional? Sim. Corretoras de seguros? Também. Parques de diversão? Claro. Todos precisam. Mas quem puxou a demanda, além das agências de publicidade, foram as empresas de mídia online e as de internet. Um raciocínio idêntico serve para a função de assistente de mídias sociais, também listada pelo Linkedin, cuja procura cresceu 60% ao ano nos últimos tempos.

Enxergo um mundo, num futuro não muito distante, em que todas empresas serão baseadas em tecnologia em algum grau. Familiarizar-se com os conceitos e ferramentas do segmento, portanto, não é perfumaria. É uma necessidade real e imediata. Nem todo mundo será programador – não tão cedo, ao menos. Mas certamente estarão mais preparados para lidar com um ambiente profissional em transformação se estiverem dispostos a estudar certos temas que, eventualmente, não lhes havia ocorrido até aqui. Ainda dá tempo.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.









 

Tags »
Relacionadas »
Comentários »