13/11/2019 às 08h50min - Atualizada em 13/11/2019 às 08h50min

O segredo do milho premiado

FERNANDO CUNHA


Há 30 anos, um agricultor, proprietário de uma enorme lavoura de milho, é premiado pela qualidade de sua produção. Todos os anos ele recebe o prêmio de O Melhor Milho do Ano. Sua história chamou a atenção de especialistas e da mídia especializada. No evento de entrega do prêmio, um repórter de uma revista agro lhe perguntou: “qual o segredo do seu milho premiado”? Muito humildemente, ele respondeu: “todos os anos, após a colheita, eu pego as minhas melhores sementes e distribuo gratuitamente para os meus vizinhos. Assim, quando a plantação deles cresce e dá a florada, o vento poliniza tudo o que o milho deles tem de bom para a minha lavoura. Dessa forma, não existe milho contaminado na minha plantação”.

Assim deve ser a nossa comunicação. Quando usamos a oratória e o poder de persuasão para a construção de relacionamentos saudáveis, criamos uma esfera positiva de influência ao nosso redor. Quando usamos as nossas palavras para exaltar as outras pessoas, ao invés de criticá-las, somos sempre enaltecidos. Quando tecemos elogios sinceros a alguém, conquistamos o respeito e admiração dessa pessoa e de outras que estão por perto. Quando prestamos algum favor a alguém, mesmo que apenas com uma conversa amiga, recebemos alguma graça de volta. Talvez não daquela mesma pessoa a quem ajudamos, mas, com certeza, de quem a gente menos espera. Quanto mais agradecermos hoje, mais motivos teremos para gratificarmos no futuro.

Um velho ditado diz que sempre colhemos aquilo que plantamos. “A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons”. De nada adiantará aprendermos técnicas de oratória e apresentação em público e estratégias de persuasão e influência, se o nosso discurso não servir para transformar positivamente a vida das pessoas que irão nos ouvir. Uma apresentação precisa ter uma missão e um propósito bem definidos para conquistar a atenção da plateia. Quando nossas ideias ficam soltas, são esquecidas rapidamente por nossos espectadores. Mas, quando organizamos a nossa mensagem visando o aprendizado em benefício do outro, aos poucos vamos criando uma legião de seguidores que compactuam com as nossas ideias e ações. É onde o “jogo” vira.

Um dos artifícios mais usados pelos grandes comunicadores é o princípio da reciprocidade, indicado pelo psicólogo norte-americano Robert Cialdini no best-seller As Armas da Persuasão (Editora Sextante). Quando sabemos que podemos ajudar a uma determinada pessoa, ou um grupo delas, devemos fazer isso sem pensar duas vezes. Um conhecimento transmitido sem nenhum interesse, a exemplo de como faço semanalmente aqui no Diário de Uberlândia com esta minha coluna, uma hora acaba gerando algum retorno palpável, mesmo que a minha intenção não seja essa. Há muitos empreendedores de sucesso que iniciaram a carreira oferendo conteúdos gratuitos. Quanto mais informação gratuita disponibilizamos, mais pessoas ajudamos e, consequentemente, mais novos clientes estas pessoas podem nos indicar.

Por isso, hoje quero provocar uma reflexão: qual o seu principal objetivo em aprender a se expressar melhor em público? Você pretende falar apenas de boca para ouvido, de mente para mente ou de coração para coração? Os bons apresentadores tocam a alma das pessoas. Sugiro então que você pare agora e pense um pouco sobre como você pode ajuda-las usando a sua oralidade. O que você tem a dizer que pode contribuir com os outros? Dessa forma o aperfeiçoamento da oratória ganha mais sentido. Isso faz com que busquemos o aprimoramento constante, sem tempo para distrações e espaço para o desânimo, pois saiba já que, mesmo oferecendo ajuda gratuita, muitos ainda não se interessarão. Azar o deles!

Independentemente de crenças religiosas, eu gosto de inserir em minhas palestras e treinamentos uma citação do Papa Francisco. Ele diz que “o rio não bebe da própria água, as flores não exalam perfume para elas mesmas, as árvores não comem dos próprios frutos e o sol não brilha para si mesmo”. É papel de todas as criaturas da natureza servirem umas às outras. Nós, como seres humanos, também somos parte desta mesma natureza. Por isso, devemos cultivar o hábito de servir sempre, assim como o fazendeiro premiado faz, pois quando somos felizes é muito bom, mas quando as outras pessoas são felizes por nossa causa, é melhor ainda. E nada como uma boa comunicação para plantarmos e cultivarmos a semente do bem nos corações de todos aqueles com os quais nos comunicamos, não é mesmo?

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.








 

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