30/10/2019 às 08h18min - Atualizada em 30/10/2019 às 08h18min

O seu mestre interior

FERNANDO CUNHA

Na série Game of Thrones, famílias nobres e poderosas disputam um jogo mortal de dominação e poder. Por trás do enredo, inúmeros personagens possuem algumas características marcantes, entre elas, a habilidade de persuasão e influência. Analisando a oratória de alguns protagonistas desta estória, percebemos que cada um deles expressa aquilo que carrega de mais valioso dentro de si. Lorde Varys não é um lorde de verdade, mas todos o tratam como tal. Isso por que é um manipulador habilidoso, astuto e implacável da política da corte. Daenerys Targaryen é uma princesa exilada que se autoproclamou legítima rainha e herdeira do trono. Ela usa o argumento do fim da escravidão para fortalecer o seu prestígio junto aos súditos. Tyrion Lennister é um nobre de segunda classe. A utilidade que ele demonstra ter para os outros, através de sua retórica, o livra de inúmeras situações conflituosas.
Na vida real não é diferente. Nas “batalhas” que enfrentamos diariamente no meio corporativo e no mundo dos negócios devemos usar nossos melhores artifícios se quisermos nos destacar profissionalmente. Para pessoas que almejam destaque em posições de liderança e no universo de palestras, esse “jogo” é ainda mais disputado. Inúmeros profissionais produzem conteúdos diversos com o objetivo de conquistar mais seguidores e potenciais clientes. Mas, o que vemos também são várias incongruências. Me perdoe a expressão, mas tem gente burra falando sobre inteligência emocional. Gente financeiramente pobre vendendo cursos de como enriquecer em pouco tempo. Pessoas desorganizadas e impontuais ensinando técnicas de administração do tempo. “Nada pior que um bom discurso seguido de um péssimo exemplo”, disse certa vez o professor Henrique José de Souza.

Se o verdadeiro sonho de Martin Luther King não fosse libertar o seu povo da opressão racista norte-americana, seus discursos não surtiriam efeito. Se o propósito de Mahatma Gandhi não fosse livrar os indianos do domínio inglês, sua mensagem não atingiria a consciência de toda aquela nação. Se a insanidade de Hitler não fosse real, o nazismo não haveria impregnado o ódio e a intolerância em tantos corações e mentes. Para o bem ou para o mal, a velha máxima do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” nunca colou e não cola. De nada serve um discurso eloquente e maravilhoso se as palavras não forem condizentes com as ações de quem as profere. Se quisermos realmente transmitir algo que seja relevante para o nosso público, devemos ser exemplos daquilo que falamos e praticar o que pregamos.

Se o tema é sobre felicidade, a pessoa deve transmitir alegria e vontade de viver. Se é qualidade de vida, precisa emanar saúde, tranquilidade e bem-estar. Se o tema é emagrecimento, deve ser magro, saudável e esbelto. Se é riqueza financeira, tem de ser, no mínimo, rico e próspero. Se quer falar sobre superação, deve ter superado algo acima da média. Há uma frase que diz “palavras falam alto, mas exemplos gritam”. Isso serve, inclusive, para educar os filhos. Não adianta um pai dizer ao filho que fumar faz mal se ele sempre dá uns tragos na frente dele. Dizer “eu te amo” a quem maltratamos o tempo todo é o mesmo que tentar apagar o fogo com gasolina. Uma empresa que se diz “cidadã” não deve sonegar impostos e desrespeitar os direitos de seus funcionários. Um político que defende a honestidade não pode ser corrupto.

Por isso, antes de nos apresentarmos como líderes de uma comunidade, inclusive visando algum cargo eletivo, devemos defender causas ajustadas também à nossa história de vida. Antes de galgarmos posições de liderança na empresa, precisamos ter espírito de líder. Antes de nos lançarmos como palestrantes, oferecendo possíveis soluções para determinados problemas, devemos ter um conteúdo alinhado às nossas experiências de vida e trajetória profissional. Precisamos descobrir o nosso mestre interior. Para isso, sugiro que respondamos, individualmente, a três perguntas: 1) qual a minha habilidade mais marcante, acima do normal? Algo que faço e que surpreende os outros; 2) de que maneira essa minha habilidade pode ajudar outras pessoas? Respondendo a essa segunda pergunta, já defino uma meta para a minha apresentação. Ou seja, anuncio a transformação que desejo para as pessoas e para o mundo; 3) como vou transmitir isso? Devo definir o formato (discurso curto, palestra motivacional, vídeo, etc.). Feito isso, siga em frente no cumprimento do seu propósito e de sua missão!        

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.





 

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