25/10/2019 às 09h08min - Atualizada em 25/10/2019 às 09h08min

Fazenda rosa, sem terra, com chips

MARIANA SEGALA

Não havia me ocorrido que para entrar em uma plantação de alfaces eu algum dia precisasse vestir jaleco, máscara, touca nos cabelos e sapatilhas. Até dez dias atrás. Foi assim paramentada que conheci o salão mais nobre da sede da Pink Farms, em São Paulo. Trata-se da primeira fazenda urbana vertical em escala comercial da América Latina, erguida a poucos metros da Marginal Tietê. Lá, folhas e brotos são cultivadas em bandejas dispostas em estruturas que lembram uma grande estante com muitas prateleiras. Temperatura e umidade são minuciosamente controladas. As plantas são alimentadas por um sistema de hidroponia que lhes fornece a exata quantia de cada nutriente para que cresçam ainda mais viçosas do que as plantadas em terra firme. A iluminação, com placas de led, é ajustada na frequência perfeita para o desenvolvimento de cada muda – e, por isso, o ambiente assume um tom de rosa forte. Nem uma gota de agrotóxico é usada no cultivo. O controle de pragas é feito a partir de um mix de fungos inseridos na água que abastece as bandejas. Seria por isso a necessidade da proteção ao entrar lá, para evitar contato com os fungos, talvez nocivos para humanos? Nem de longe. A preocupação era exatamente a oposta: impedir que nós contaminássemos as plantas. Admirável mundo novo.

Impressiona, na Pink Farms, o nível de atenção dispensado a cada variável envolvida no cultivo das folhas. Empregando tecnologia, os fazendeiros urbanos são capazes de economizar mais de 95% da água que seria necessária para o mesmo volume de produção do jeito convencional. Localizada no meio da cidade, a empresa também reduz a emissão de gases poluentes na atmosfera, já que estão a poucos quilômetros de distância dos seus clientes (supermercados e restaurantes entre eles). Nesta semana, um de seus fundadores esteve em Uberlândia para se apresentar aos membros do Agroven, clube de investidores em agtechs. Alguns deles compunham a mesma comitiva que entrou no salão rosa na semana passada (aliás, obrigada pelo convite, Agroven). Agora, tentam entender se o modelo da Pink Farms é realmente escalável como afirmam seus executivos.
 
Reconhecimento facial... de vacas
Já que o assunto são as agtechs, uma startup irlandesa chamada 
Cainthus, investida pela Cargill, está aplicando tecnologias de reconhecimento facial para acompanhar rebanhos bovinos, conforme destacou a newsletter The Shift nesta semana. Essa ousadia permite saber com precisão o estado de cada animal. Não é a única novidade no segmento. O investimento global em startups de agtech foi de US$ 16,9 bilhões em 2018, 43% maior que no ano anterior.
 
Mineiros conectados
Os brasileiros são conhecidos entusiastas de redes sociais. Um levantamento da consultoria internacional Comscore, com base no comportamento online de 50 mil internautas, aponta que 88% utilizam redes sociais pelo menos uma vez por mês. É mais do que o registrado na Argentina (83%) e no México (80%). E dentre os brasileiros conectados, os mineiros formam o segundo maior grupo, registra o jornal O Tempo: eles somam 14% dos brasileiros que acessam redes sociais com regularidade, atrás apenas dos paulistas (32%).
 
Indústria 4.0
Será lançado, na segunda-feira, um hub de inovação voltado à Indústria 4.0 no bairro Granja Marileusa, em Uberlândia. O hub é integrado pelo Brain, centro de inovação da Algar Telecom, pelo coworking Eureka e agora também pelo Open Maker 4.0, que será inaugurado. O local será um espaço para prototipação e outras atividades, criado em parceria com BRF, Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Senai/Fiemg, Startadora e Eurobrás. A proposta é promover a colaboração entre grandes empresas – que têm o desafio de se transformar e evoluir digitalmente com eficiência e produtividade – startups, universidades e empresas de tecnologia que desenvolvem soluções.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.





 

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