05/10/2019 às 08h00min - Atualizada em 05/10/2019 às 08h00min

Turnaround e a quebra de paradigmas

ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA

O momento de instabilidade econômica pelo qual o Brasil passa no momento não é o dos mais animadores para os negócios. Inúmeras empresas tiveram que fechar as portas e outras tantas ainda seguirão esse mesmo caminho. Nestas situações turbulentas é quando os donos dos negócios precisam admitir que é o momento de mudança e recuperação: o turnaround.

Criado por Rodolfo Biasca, especialista em gestão, na década de 1970, em bom português, turnaround significa “dar a volta por cima”. No âmbito pessoal, seria como terminar um relacionamento desgastado e retomar a vida amorosa com outras expectativas e desejos. No mundo dos negócios, o termo referencia a possibilidade de obter resultados positivos com a recuperação da estabilidade do empreendimento.

Quando há casos de crise financeira, as empresas tendem a cortar gastos excedentes e enxugar o seu quadro de funcionários. Embora essas atitudes pareçam resolver a situação à primeira vista, nem sempre elas são eficazes na retomada do crescimento. As organizações precisam se redirecionar para um rumo sólido, a fim de ampliarem seu desempenho.

Neste ponto, é válido saber o que é um “negócio em crise”, para que não haja esforços em vão. No mercado, é normal as empresas sofrerem oscilações por conta da sazonalidade. Contudo, se seu negócio, no intervalo de um ano, perdeu competividade no mercado, aumentou as dívidas e a rotatividade dos trabalhadores e diminuiu a qualidade do produto/serviço, é bem provável que ele precise dar a volta por cima.

Os processos do turnaround envolvem uma reestruturação integral do negócio, readaptando-o à nova realidade pós-crise. A empresa deve repensar desde o seu posicionamento no mercado até o clima organizacional. Para isso, é necessário identificar e reconhecer os problemas, considerar mudanças na gestão, além de resolver os entraves operacionais.

Sua metodologia é baseada na avaliação minuciosa de todos os aspectos internos, que vão da estrutura hierárquica dos cargos institucionais às políticas de mercado e estratégias de marketing. Na análise mostra-se os motivos que levaram a empresa ao declínio, os erros e acertos e a capacitação dos diretores e colaboradores, levando em conta os determinantes do formato de negócio.

Diagnóstico concluído, são apresentadas as propostas de mudanças necessárias – às vezes, radical – em cada departamento da empresa. O método turnaround é aplicado logo em seguida, para que se tenha resultados positivos já nos primeiros passos e modificações, promovendo confiança e credibilidade da gestão da empresa aos seus financiadores.

A estratégia de reestruturação deve ser participativa e descentralizada, uma vez que o objetivo é levar a empresa a uma transformação substancial em seus negócios. Como em qualquer mudança, o envolvimento de todos faz a diferença. O engajamento dos colaboradores é tão valioso quanto a aceitação das medidas sugeridas por parte dos profissionais de níveis hierárquicos elevados.

Todavia, o turnaround faz mais do que uma restruturação: ele trabalha a quebra de paradigma dos envolvidos no processo. No contexto empresarial, “pensar fora da caixa” traz grandes desafios. Embora muitos empreendedores acreditem que somente inovar já é o suficiente para quebrar paradigmas, este movimento exige planejamento, metas e coragem para ser executado.

Muitas empresas estão estagnadas por não conseguirem trazer novidades para seus clientes. Em uma época onde a informação vale ouro, é necessário inovar e renovar com criatividade, pois o cenário é competitivo. Quem tem ideias e soluções melhores larga na frente. Ao homogeneizar práticas com resultados, empresas e consumidores são beneficiadas.

Pensando estrategicamente, gestores e empreendedores precisam entender que as pessoas buscam por coisas novas o tempo todo e, por isso, quebrar paradigmas é vital para a sobrevivência da empresa. Numa sociedade conduzida por transformações rápidas, independentemente de sua área de atuação, o melhor caminho para dar a volta por cima é a criatividade.

Uma empresa inovadora não acontece sem algum erro ou equívoco. A essência da quebra de paradigmas vai além da rotina: ela ultrapassa as fronteiras da empresa e impacta o público – que, satisfeito, retornará. Ir além do trivial gera desconforto, pois implica lidar com os riscos e sair da nossa zona de conforto. Desafios são assim: demandam esforço e sacrifício em troca de decisões emblemáticas.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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