27/09/2019 às 09h20min - Atualizada em 27/09/2019 às 09h20min

Vale a pena canibalizar o próprio negócio?

MARIANA SEGALA

A inovação, quando acontece, deixa para trás os modelos já conhecidos. Mercados inteiros se transformaram nas últimas décadas (anos, meses) e é por isso que a tecnologia pode ser uma seara um pouco assustadora. Para as empresas, é difícil reconhecer que o que deu certo uma vida inteira precisa mudar. E quando reconhecem, paira o temor de mudar e destruir o negócio original – que muitas vezes ainda rende. É uma reação compreensível, é claro. Mas nem sempre tem bons efeitos. O exemplo clássico é o da Kodak, a gigante da fotografia analógica engolida pela transformação digital. O curioso é que o primeiro protótipo de câmera digital foi desenvolvido, há mais de 40 anos, dentro da própria Kodak.

É difícil canibalizar o próprio negócio. Mas será melhor deixar que os outros façam isso? A certa altura, esse foi o tom das discussões durante o Sankhya Talks, evento que reuniu 1.500 pessoas nesta semana para debater sobre inovação, gestão, economia, startups e liderança. A própria Sankhya, que se tornou uma conhecida empresa desenvolvedora de sistemas para gestão de empresas (conhecidos como ERPs), vem fazendo um movimento nesse sentido. Neste ano, lançou um novo produto batizado EIP (enterprise intelligence platform) que avança sobre o seu ERP tradicional, agregando ferramentas e o conceito de colaboração. Conforme demonstraram no evento, os executivos da empresa não parecem temer que um supere o outro. Esperam clientes satisfeitos com o que escolherem.

Nesses tempos de transformação digital, não há respostas fáceis para pergunta alguma. Vale a pena canibalizar o próprio negócio? O que ouço de executivos envolvidos com o setor de tecnologia é que se trata de um movimento que exige rapidez, mas também cautela. A transição das soluções antigas para as novas representa um momento delicado, de aculturamento dos clientes, que muitas vezes levam um tempo até se sentirem seguros para mudar. Tirar o antigo de linha e apostar todas as fichas no novo, de uma vez, pode quebrar uma empresa. Só o que parece claro e cristalino é que ficar parado não é uma opção. Cooperativas de táxi que resistiram à mudança não foram capazes de impedir o avanço da Uber. Empresas de telefonia também não puderam barrar o crescimento de Skype ou WhatsApp. Como esses, os exemplos são inúmeros.

Novo espaço para inovar
Foi inaugurado, na terça-feira (24), o Minas Tecnologia e Inovação (MTI), um centro de inovação que busca colocar em contato profissionais de tecnologia, startups, empresas estabelecidas, entidades e possíveis investidores. O MTI ocupa o prédio da antiga Construtora Centro Oeste (CCO), no bairro Aparecida – mas da construção original não restou muito mais do que as paredes externas. Nos últimos três meses, o edifício passou por uma ampla reforma para abrigar um coworking, um pavimento dedicado a startups (que já tem cerca de 70% do espaço sendo ocupado) e um terceiro, voltado a empresas de tecnologia já estabelecidas. O MTI já está funcionando normalmente.

Recrutamento digital e premiado
A Zup Innovation, empresa de Uberlândia que desenvolve projetos para transformação digital, é uma das finalistas do Linkedin Talent Awards. A premiação é oferecida pelo Linkedin, rede social profissional, às empresas que utilizam a plataforma. A Zup concorre com a 99 e o iFood na categoria Best Talent Acquisition Team, que reconhece as melhores equipes de recrutamento, na subcategoria formada por companhias com mais de 500 funcionários. O vencedor será anunciado em um evento no dia 31 de outubro.

Empreendedorismo e diversidade
Estão abertas as inscrições para o Startup Weekend Diversidade & Inclusão, que ocorrerá em Uberlândia de 18 a 20 de outubro. A imersão seguirá a dinâmica tradicional do evento, que já teve outras cinco edições aqui. Em 54 horas, os participantes irão aprender como desenvolver uma ideia de startup, construir e validar um modelo de negócio, além de criar um protótipo. O que essa edição tem de especial é o fato de que as soluções devem ser destinadas a públicos formados por minorias sociais. Serão bem-vindos projetos que envolvam, por exemplo, mulheres, diferentes grupos étnicos ou etários, portadores de deficiências, público LGBTQI+, entre outros. As inscrições são feitas pelo site da Sympla.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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