21/09/2019 às 08h00min - Atualizada em 21/09/2019 às 08h00min

Amazônia: pulmão ou cofre do mundo?

ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA

No fim da década de 1970, a Amazônia possuía somente 1% de área desmatada. Encerrando a década de 2010, o índice de desmatamento alcança 20%, segundo o relatório da Procuradoria do Meio Ambiente. Entre janeiro e agosto de 2019, 40 mil focos de incêndio atingiram a floresta (maior índice desde 2010) e é inegável a contribuição da exploração econômica da região para esse dado.

A Amazônia abrange 80% dos 7 milhões de km² da Bacia Amazônica da América do Sul. Sua área representa mais da metade das florestas tropicais existentes no planeta, compreendendo a maior biodiversidade destes ecossistemas terrestres. Também é conhecida como Amazônia Internacional, território onde o Brasil e mais oito países sul-americanos abrigam a floresta.

O bioma engloba a área de nove estados, em três divisões regionais (Norte, Nordeste e Centro-Oeste), do nosso país. A Amazônia brasileira é delimitada, política e economicamente, por uma área chamada “Amazônia Legal”. O conceito da demarcação foi criado em 1953, sob o governo de Getúlio Vargas, com a finalidade de melhorar o planejamento e execução de projetos econômicos nessa região.

A Amazônia Legal reafirma as demandas do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, previsto na Constituição Federal de 1988. Sua área é supervisionada pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), cujo objetivo é encontrar soluções eficientes para os problemas socioeconômicos e desenvolver de forma sustentável os estados da região demarcada.

Decretada por Vargas durante a criação da Amazônia Legal, a Lei n° 1806/53 garantia a adoção de medidas, serviços ou empreendimentos que fomentem as atividades agropecuárias, minerais e industriais nas áreas abrangidas, bem como a realização de obras de infraestrutura. Ela também prevê a manutenção de programas de pesquisas tecnológicas, naturais e sociais.

Todavia, onde antes existia uma densa floresta e savanas, agora vemos pastagens para a criação de gado e culturas agrícolas. Devido às queimadas, aliados à poluição industrial, o desmatamento descontrolado da Amazônia aumentou a quantidade de gás carbônico na atmosfera. O “pulmão do mundo” vê seus brônquios repositórios ecológicos morrendo aos poucos.

O solo amazônico é rico de minerais, como ferro, alumínio, cobre, zinco, níquel, nióbio, titânio, ouro, prata e até diamante. Outra riqueza é o poder medicinal da floresta. Há séculos, indígenas e outros grupos repassam o conhecimento farmacológico encontrado em plantas e animais do bioma. A morte desses povos também extingue a sabedoria ancestral para as futuras gerações.

Esta vigente preocupação com a preservação da Amazônia é plausível, mas também envolve aspectos econômicos dentro do contexto da política internacional. Não é de hoje que outras nações querem colocar a nossa soberania nacional em risco, e nem é segredo para ninguém que a Amazônia Legal é a última esperança natural com alto potencial econômico a ser explorada na Terra.
Grandes potências mundiais ambicionam a abundância de água doce, estratégica em vários sentidos, e os vastos recursos minerais amazônicos. Além disso, o saber dos povos nativos acerca da farmacologia da flora, a diversidade da fauna, a capacidade de contribuir para a estabilização do clima e a regulação natural de precipitações hídricas no planeta são bens de interesse mundial.

As ONGs ambientais entrariam em cena para impedir que o bioma vire item de leilão diplomático internacional. Porém, de acordo com o IBGE, elas são minoria na Amazônia Legal: das 15.900 entidades sem fins lucrativos, nacionais e internacionais, apenas 3,25% são dedicadas ao meio ambiente. Na contramão, 35,94% das ONGs na região têm caráter religioso – uma suposta catequização 2.0 dos povos indígenas.

Pensando estrategicamente...  não é a desonestidade de entidades filantrópicas que irá dizimar a nossa floresta amazônica. Há desafios a vencer no processo de humanização e desenvolvimento da Amazônia, particularmente no que diz respeito à defesa dos sistemas ecológicos naturais e à incorporação de técnicas agrícolas adequadas. Isto, entretanto, não pode impedir a utilização racional da região.

Manter a Amazônia intocada, como um santuário da natureza, é um absurdo que povoa a imaginação dos pensadores retrógrados. Essa abertura não representa a renúncia da nossa soberania. Como brasileiros, ou assumimos de vez nossas responsabilidades ou estaremos, novamente, entregando a chave do cofre em mãos mal-intencionadas.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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