21/08/2019 às 07h54min - Atualizada em 21/08/2019 às 07h54min

Uma palestra é uma missão

FERNANDO CUNHA

Imagine só. Você está sentado na varanda de sua casa, faz um carinho no seu cãozinho de estimação, sente a brisa no seu rosto, presta atenção na bela melodia do canto dos pássaros e contempla a exuberante natureza que existe ao seu redor. Você nem imagina o que está prestes a acontecer, até que um barulho estranho surge do nada, parecido com o som de um terremoto e que, aos poucos, vai aumentando, ganhando corpo e volume. Você não entende o que está havendo. De repente, uma onda gigante de lama chega e engole tudo, inclusive você, numa fração de segundos. Acredito que esta deve ter sido a sensação de várias das quase trezentas vítimas do rompimento da barragem de Brumadinho (MG) que completa sete meses no próximo domingo, 25 de agosto.

Enquanto você lê esta coluna nesse momento, centenas de profissionais do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e tantas outras instituições, bem como familiares de vítimas e voluntários, ainda continuam numa incessante busca pelos desaparecidos. Pessoas que, diariamente, arriscam as suas próprias vidas para salvar a vida de outras. Entre eles, uma comandante de helicóptero chama a atenção. A major Karla Lessa Alvarenga Leal ficou muito conhecida no primeiro dia de buscas pelas manobras arriscadas que fez no comando da aeronave que pilotava. O objetivo foi resgatar uma das vítimas ainda com vida. A um palmo da lama, a aeronave balança como um guarda-chuvas fechado se equilibrando na ponta do dedo indicador, enquanto outros membros da equipe de resgate tentam içar uma mulher de 25 anos com a ajuda de dois rapazes. A habilidade da major impressiona.

A disponibilidade e dedicação dela e dos outros tripulantes, em não desistirem do resgate, mesmo apesar do iminente perigo, me levou a uma reflexão que serve de fio condutor deste artigo sobre Comunicação Eficaz: o que leva um profissional a se dedicar com tanto afinco a um determinado trabalho? Dias atrás, uma querida seguidora das redes sociais me perguntou: “onde posso fazer um curso para me tornar uma palestrante”? Após alguns minutos, educadamente respondi: “não existe curso que forma palestrante. O que constrói um palestrante é um propósito”. É algo que vai além da simples vontade e do uso de técnicas. Seria estupidez da minha parte comparar o trabalho de um militar do Corpo de Bombeiros com o de um palestrante. Porém, tanto um quanto outro devem ter uma coisa: uma missão!

O que vai determinar a excelência na execução de um trabalho, seja ele qual for, é a dedicação e o esforço depositados naquele intento. Quando não existe um desígnio alimentando aquilo que fazemos, qualquer dificuldade que surge no caminho é razão suficiente para desistir. Portanto, se você, leitor, tem o sonho de ser um orador de sucesso, um palestrante requisitado ou um líder influente no seu meio profissional ou social, descubra antes a sua missão, o seu propósito. Tomei a liberdade de usar como título deste artigo o nome de um evento anual que acontece na capital paulista, no qual eu tive a felicidade de estar presente no final de semana passado.

O mestre Edilson Lopes faz uma pergunta instigante: o que você descobriu de extremamente novo que merece ser contado para todo mundo? Qual a sua boa nova? É justamente a resposta para essa pergunta que separa os simples oradores dos profetas, desde a antiguidade. Existem vários exemplos bíblicos como o de Moisés, Isaías, Jeremias e o próprio Jesus Cristo. Nos tempos atuais, o que diferencia Cortella, Karnal, Marins e Clovis Barros Filho dos demais? Sabemos que a estrada é longa e difícil, mas se torna menos penosa quando levamos na bagagem aquilo que carregamos dentro de nossos corações.

Assistindo à última versão do filme Nasce Uma Estrela, percebi o que está por trás daquele enredo. Um músico famoso se apaixona por uma dançarina e cantora de boate que sonha com o estrelato. Antes de conduzi-la até lá, ele deixa bem claro que, mais do que expressar a sua bela voz, ela deve descobrir o que tem dentro de si que deve ser colocado para fora, caso contrário a fama não durará por muito tempo. O mesmo acontece com profissionais diversos que se aventuram no mundo da oratória e das palestras. Seja para fazer um simples discurso para a equipe, uma apresentação de um projeto na empresa ou uma palestra profissional, devemos descobrir primeiramente o nosso “mestre interior”. O que tem aí dentro que merece ser compartilhado e que vai tornar os seus ouvintes pessoas e profissionais ainda melhores?

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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