27/07/2019 às 08h00min - Atualizada em 27/07/2019 às 08h00min

Conquista da Lua e sua contribuição social

ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA

A Lua sempre exerceu um forte magnetismo sobre os moradores da Terra. Sua conquista já travou batalhas tecnológicas – e de ego – entre os Estados Unidos (EUA) e a extinta União Soviética (URSS) há mais de 60 anos.  Em 1957, as duas nações digladiavam para ver quem seria a primeira a aterrissar em solo lunar. Os pés americanos, como todos sabem, foram os pioneiros.

Após a Segunda Guerra Mundial, essas duas nações, que eram aliadas, competiam entre si em busca do pódio político e econômico mundial. A partir daí estava instaurada a Guerra Fria entre EUA e URSS, onde o tradicional conflito armado deu lugar às disputas culturais, esportivas e tecnológicas. O maior embate entre os países foi a Corrida Espacial – uma guerra intelectual, sem sangue.

O principal desafio da Corrida era desenvolver aeronaves capazes de sobrevoar a órbita terrestre, alcançando o espaço. Para começar os estudos, americanos e soviéticos recrutaram cientistas e engenheiros da Alemanha, desempregados nesse período pós-guerras. Os dois países tinham a “mesma” capacidade técnica e operacional, mas a URSS largou na frente.

É da União Soviética, o primeiro satélite artificial (Sputnik 1, em 1957) e o primeiro homem a chegar no espaço (Yuri Gagarin, em 1961). Tais feitos soviéticos instigaram os Estados Unidos a acelerar os seus esforços na Corrida Espacial. Em julho de 1958 é criada a NASA, a agência espacial responsável por coordenar e administrar o programa espacial norte-americano.

Para se ter uma ideia do investimento nessa guerra tecnológica, entre os anos de 1960 e 1970, o número de satélites artificiais terrestres e sondas espaciais lançados pelos EUA e pela URSS ultrapassa 60 veículos. Após várias missões, os soviéticos se concentraram nas possibilidades de colonizar o espaço, enquanto os americanos se voltavam para o ambicioso projeto de pisar na Lua.

Em 1961, o presidente americano John Kennedy anunciou que os EUA seria o primeiro país a levar um homem ao solo lunar. Oito anos depois, em 20 de julho de 1969, o astronauta Neil Armstrong desembarca da Apollo 11 e pisa em solo lunar. A NASA ainda enviaria outras seis missões tripuladas à Lua, a fim de recolher materiais para análises dos seus cientistas.

A primeira crise do petróleo aumentou os custos de produção das agências espaciais dos EUA e da URSS. Nesse período também acontecia uma aproximação diplomática entre as duas potências, com o objetivo de acabar com a Guerra Fria. Em 1975, a nave espacial americana Apollo e a soviética Soyus se acoplaram no espaço, marcando o fim da Corrida Espacial.

Hoje temos a dimensão da relevância dessas expedições espaciais das últimas décadas. Elas ajudaram a humanidade não apenas com as descobertas científicas, mas foram importantes para o desenvolvimento de inovações que decolaram direto das estações espaciais para as casas dos cidadãos “comuns”. Celular, GPS, papinhas de bebê, micro-ondas, máquina fotográfica digital, todas essas tecnologias – e muitas outras – só existem graças à exploração do universo.

Outra contribuição tecnológica da Corrida Espacial está ligada à área de comunicação. Hoje é impossível pensar em uma transmissão de dados em longa distância sem o uso dos satélites. Televisão, rádio, telefone e internet são meios que dependem organicamente dessa infraestrutura espacial para a qualidade do seu serviço, e permanecerão assim durante muitos anos.

Em geral, nós terráqueos temos muito a agradecer à Corrida Espacial. Por mais que seu desenrolar tenha tido outras intenções, os benefícios que ela proporcionou à humanidade são incalculáveis. Nosso mundo goza de facilidades tecnológicas que só são possíveis graças aos cientistas viajantes do espaço e suas missões espaciais – do passado e presente.

Pensando estrategicamente... nunca mais houve um acontecimento na história espacial comparável ao de Neil Armstrong e seus companheiros da Apollo 11 – exceto a tragédia da Challenger, em janeiro de 1986. A ida à Lua, vista na perspectiva do tempo, representa o triunfo da vontade humana. Nada supera o impacto simbólico e cultural daquele primeiro passo na superfície da Lua.

Se o homem é capaz de superar limites para alcançar grandes louros no espaço, onde estaria escondida a motivação para transformar a vida de quem está ancorado em terra firme? Onde estão as soluções para a fome e miséria, violência contra a mulher, os conflitos religiosos, o racismo, a LGBTfobia e o trabalho infantil e escravo? Este, sim, seria um salto gigante para a humanidade – que Armstrong falava.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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