28/07/2019 às 16h00min - Atualizada em 28/07/2019 às 16h00min

Ansiedade e hipertensão estão de mãos dadas?

ANGELA SENA PRIULI

Sabe aquele momento em que a inspiração para fazer seu trabalho (no meu caso, a coluna desta semana) vem justamente do que você está passando? Cá estou eu, com a pressão subindo por não relaxar! (Um parêntesis: #ficadica - use seu contexto para aumentar sua produtividade, mas essa é uma conversa para outro dia e que eu já estou adiantando porque minha cabecinha age no fast mode e não para! hehe...)

Aí está a problematização de hoje: sofrer de ansiedade aumenta sua pressão arterial e/ou vice-versa? Há anos os cientistas vêm investigando se o desequilíbrio de nossa saúde mental influencia no desenvolvimento de doenças crônicas, como o câncer, a diabetes e a HIPERTENSÃO - uma das maiores causadoras de morte.

Encontrei vários trabalhos que abordam essa questão, uns dizendo que a ansiedade não desencadeia, mas que pode levar a picos de pressão alta em momentos galopantes de estresse, e outros dizendo que viver pensando no futuro até abaixa a pressão... Mas, um grupo de pesquisadores chineses realizou uma pesquisa extensa chamada meta-análise, incluindo 21 estudos epidemiológicos do mundo todo que avaliaram mais de 230 mil pessoas, e mostrou que há sim associação entre ansiedade e hipertensão e que a recíproca também pode ser verdadeira.

Como ser ansioso pode acarretar em "ser hipertenso"?
Só para reforçar a ideia, já foi mostrado anteriormente que a depressão e a hipertensão estão associadas. E já sabemos que a ansiedade é "prima" da depressão... Mas, vamos entender como isso funciona lá dentro de nós: fisiologicamente, sentir ansiedade aumenta a pressão sanguínea, a resistência vascular sistêmica, ativa o sistema nervoso simpático, a atividade plasmática da renina, o modelo de homeostase, os lipídios sanguíneos e a alteração de hormônios ligados ao estresse. Ufa, trocando em miúdos, isso aumenta a carga do coração, contrai os vasos sanguíneos, aumenta a retenção de líquidos, pois diminui a liberação pela urina, e por fim, sobe a pressão arterial lá pra tampa!

Além disso, a associação indireta entre ansiedade e aumento do risco de hipertensão também pode derivar das características dos indivíduos ansiosos, que geralmente têm um estilo de vida mais "insalubre". Em outras palavras, eles geralmente têm alguns comportamentos adversos, como aumento da ingestão de alimentos inadequados, fumo e uso de álcool, e ainda fazem menos exercícios, devido ao estresse e ansiedade, que afetam a saúde. Para piorar, a ansiedade é uma barreira para o tratamento da hipertensão, já que ele incluir mudar de estilo de vida, tarefa mais árdua para os apressadinhos.

Por outro lado, alguns estudos sugerem que o desenvolvimento de hipertensão (até mesmo por questões genéticas) pode induzir estados de ansiedade. Os pesquisadores dizem, portanto, que a terapia anti-hipertensiva convencional junto a um suporte psicológico e tratamento ansiolítico farmacológico, ou ainda a terapia de atenção plena, conhecida como mindfulness, e o treinamento para o controle do estresse poderiam alcançar uma melhor eficácia em pacientes hipertensos com ansiedade.

Seguinte: há uma estimativa de que em 2025 seremos mais de 1,5 bilhão de hipertensos no mundo, então o assunto é sério e já sabemos algo que cada um de nós pode fazer para impedir a doença de acontecer: trabalhar forte em nossa saúde mental e no nosso estilo de vida!

Nossa vida é única e deve ser vivida um minuto de cada vez... vou continuar entoando esse mantra!
 
Fonte:
Pan, Y., Cai, W., Cheng, Q., Dong, W., An, T., & Yan, J. (2015). Association between anxiety and hypertension: a systematic review and meta-analysis of epidemiological studies. Neuropsychiatric disease and treatment, 11, 1121–1130.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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