08/06/2019 às 07h30min - Atualizada em 08/06/2019 às 07h30min

Trabalho, desemprego e qualificação

ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA
Todo indivíduo cresce ouvindo que “o trabalho dignifica o homem”. O ditado é verídico, uma vez que a ocupação profissional traz sentido para as nossas vidas e nos motiva, financeiro ou psicologicamente, a levantar da cama todos os dias. É com o resultado do nosso trabalho que realizamos sonhos, provemos o nosso alimento e desenvolvemos nossas habilidades.

Segundo teses da psicologia, concordantes com a sabedoria popular, o trabalho é mesmo condição hegemônica para a realização humana. Não tem a ver somente com o ganha pão, mas com sentir-se útil à sociedade e a si próprio, promovendo sentido à sua vida. Em contrapartida, a inatividade afeta negativamente o indivíduo, pois “diminui” a sua dignidade.

Neste ponto, é válido explicar a diferença entre trabalho e emprego. Ao realizar um trabalho, o indivíduo não precisa ser recompensado pecuniariamente pela tarefa desempenhada, como no caso de um trabalho voluntário. Em contrapartida, o conceito de emprego é validado pela remuneração da atividade física e/ou mental do trabalhador, paga por uma empresa ou instituição, geralmente em forma de salário.

Por isso, o sucesso profissional é parte substancial na construção da autoestima e satisfação pessoal. Nos tempos de escola, os trabalhos em grupo já servem para reunir indivíduos de personalidades diferentes, mas com interesses em comum, por exemplo. Na idade adulta, o emprego é o pilar dos relacionamentos interpessoais, pois é nele que passamos a maior parte do nosso tempo.

Todavia, escola e trabalho não se relacionam só na infância e adolescência. No mercado de trabalho atual, as ofertas dos cargos responsabilizam o indivíduo pelo seu desemprego, por causa da sua baixa qualificação profissional. Isto deve-se também às mudanças do mundo globalizado, onde o índice de capacitação é baseado no saber da ciência e tecnologia.

As inovações tecnológicas foram as grandes responsáveis pelas mudanças estruturais e organizacionais dos ambientes de trabalho. Tais transformações reestruturaram a cultura e filosofia do trabalho humano, mas também fomentaram as desigualdades sociais, alavancando os índices de desemprego e subemprego no mundo todo.

O conhecimento como capital intelectual passou a privilegiar métodos imateriais de produção, como as Tecnologias da Informação e Comunicação, que requerem entendimentos e habilidades mais exigentes e elevados. A qualificação profissional, que até então era um aspecto desejável e funcional, tornou-se condição básica de produtividade.

Por conta disso, diversas empresas adotam a gestão do conhecimento para orientar os seus funcionários na produção e disseminação de informações que agreguem valor. Através de canais tecnológicos, elas disponibilizam as informações para todas as áreas, a fim de fortalecer o relacionamento interno, melhorando o clima organizacional e instigando o aprendizado dos empregados.

Outra maneira encontrada pelas empresas para potencializar a aprendizagem da sua equipe é a criação de programas de graduação personalizado, em parceria com Universidades públicas e privadas. Neles, os gestores promovem as ações de desenvolvimento dos participantes, contribuindo para a transformação e o crescimento profissional desses funcionários.

 Pensando estrategicamente... a educação é um fator que está diretamente ligado ao emprego e à remuneração. Há uma triste segmentação no mercado de trabalho. De um lado, temos os trabalhadores formais (empregados com carteira, funcionários públicos e militares), com maior rendimento e acesso aos benefícios da classe trabalhadora. Do outro, estão os trabalhadores informais (empregados sem carteira, autônomos e empregadores), sem qualquer tipo de privilégio.

A afirmação clichê de que a educação faz bem para um país é mais do que correta. Comprovadamente, a educação traz desenvolvimento social e econômico em um contexto macro, além de melhorar a capacidade produtiva, interpessoal e social de um indivíduo.

Contudo, gastar em educação não é suficiente para gerar um desenvolvimento exponencial no setor. É preciso fazê-lo com critério, planejamento e qualidade de gestão. Assim, há chances mais certeiras de tornar o Brasil uma nação verdadeiramente desenvolvida.



*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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