17/05/2019 às 16h54min - Atualizada em 17/05/2019 às 16h54min

Receita para a inovação

MARIANA SEGALA
O que faz certos lugares serem propícios para o desenvolvimento tecnológico e outros não? O que está por trás da vocação para a inovação? Em uma das reportagens que publiquei na revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios no ano passado, meu desafio era encontrar respostas para essas perguntas. Identifiquei cinco cidades - todas fora do já tradicional eixo Rio-São Paulo-BH-Floripa-Recife - que vinham despontando como celeiros de inovação no país. Uberlândia era uma delas, assim como São Carlos (SP), Joinville (SC), Curitiba e Fortaleza. Em alguns casos, eram as prefeituras que puxavam o movimento. Em outros, a comunidade empresarial era o propulsor. Havia também estrelas isoladas, em torno das quais outros atores gravitavam, e havia inovação bem diluída. Havia ainda hubs bem estruturados, e outros um pouco desorganizados. Lembro que, na época, o ponto que mais me chamou atenção foi o fato de existir uma característica comum às cinco cidades: todas elas contavam com (pelo menos) uma universidade federal. Não só as universidades estavam presentes, como eram reconhecidas pelos mais ilustres representantes de cada ecossistema tecnológico como parcela importante da infraestrutura fundamental de apoio a eles. Não me atrevo a cravar uma relação de causalidade direta. Não tenho dados que me permitam afirmar categoricamente que uma coisa é razão da outra. Mas não é preciso ser um ás da estatística para saber que educação superior de alto nível é um combustível poderoso para o motor da inovação. Infelizmente, o conhecimento vem sendo alvo de inexplicável desprezo – o que, convenhamos, é um tremendo erro. Esta privilegiada ex-estudante de duas universidades federais, fincadas em dois polos de inovação de relevância nacional, torce para que o equívoco seja corrigido em tempo.

I9 de volta
Empresários de tecnologia de Uberlândia estão se articulando para retomar as atividades da I9, associação que representa o setor na cidade. Uma assembleia foi convocada para o dia 28, com o objetivo de deliberar pela reabertura da entidade e pela eleição de uma nova diretoria. Há a expectativa de que o seu modelo de atuação também seja repaginado daqui para frente. A I9 está fechada desde o fim do ano passado, depois que o processo eleitoral para a direção – que deveria ter acontecido em dezembro – deixou de ser realizado por falta de candidatos.

Uber dos ônibus
É possível viajar de Uberlândia a São Paulo, em um ônibus leito, por pouco mais de R$ 100. O valor é a metade do preço de uma passagem equivalente em uma empresa de transporte convencional. Quem oferece a barganha é a Buser, empresa criada em Belo Horizonte e apelidada de “Uber dos ônibus”. O aplicativo conecta pessoas com um destino comum a empresas privadas de fretamento, criando grupos para realizar viagens em datas específicas. A Buser ganhou notoriedade pela polêmica em torno do seu modelo de negócio – há quem diga que, no fundo, a empresa oferece transporte clandestino. O caso, aliás, está no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma associação de empresas de ônibus buscou no órgão uma liminar para barrar o serviço. Na sexta-feira passada, no entanto, o ministro Edson Fachin negou o pleito. A Buser pode continuar operando até que o plenário do STF decida sobre o assunto. A ver.

Resultados em alta
A receita da Sankhya avançou 55% entre janeiro e abril, na comparação com o mesmo período de 2018. O resultado veio, principalmente, da consolidação de oito novas unidades de negócios criadas em 2018. Espírito Santo, Campinas, Triângulo Mineiro e Ribeirão Preto foram algumas das que sobressaíram no período. Mais oito novas regionais devem ser abertas neste ano – o número de unidades da empresa no país deve chegar perto de 30. A expectativa da empresa é alcançar um faturamento de R$ 220 milhões neste ano, segundo informações do portal Computerworld.
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