10/05/2019 às 18h00min - Atualizada em 10/05/2019 às 18h00min

Marketplace: vale a pena surfar nessa onda?

ANTÔNIO CARLOS | ANALISTA DE NEGÓCIOS E PROFESSOR UNIVERSITÁRIO
O termo “marketplace” (em português, “lugar de mercado”) é muito comum nas rodas de conversas empresariais, principalmente naquelas onde estão presentes os donos de negócios em ascensão. Esse recente modelo de negócios virou uma potência desde o começo desta década, e é considerado um dos setores mais promissores para as startups. Atualmente, os maiores marketplaces brasileiros possuem, em média, 40 milhões de potenciais compradores.

Marketplace é um modelo de negócio semelhante a um shopping center virtual, porque reúne uma gama de marcas no mesmo lugar. Tal característica facilita a busca do consumidor pela mercadoria com os melhores preços. Várias empresas brasileiras conhecidas atuam nesse mercado, como Lojas Americanas, Magazine Luiza, Mercado Livre e OLX. Os lojistas participantes pagam uma taxa de manutenção para a gerenciadora do negócio, em troca da plataforma e divulgação.

Contudo, não confunda marketplace com e-commerce. Este último comercializa produtos de uma mesma loja, enquanto o primeiro tem uma proposta mais plural e colaborativa, onde lojas, pessoas e marcas podem anunciar e vender seus produtos. O e-commerce é simplesmente a operação de compra e venda em um site, enquanto o marketplace é fundamentado pela intermediação da venda.

Há quatro formas de monetização no marketplace: comissão – fixa ou variável, cobrando uma taxa percentual sobre a venda; “freemium” – valor cobrado para o uso de ferramentas premium na plataforma; anúncio – o lojista paga por um espaço em destaque dentro do site, e assinatura – com pagamento mensal ou anual, geralmente utilizada para os casos onde não há intermédio das transações dos negócios hospedados.

Um dos benefícios do marketplace para o lojista é a retenção do consumidor na plataforma. Com tantas opções de produtos disponíveis, os clientes tendem a passar mais tempo no site, seja para pesquisar um item específico ou para comprar itens da sua “lista de desejos”. Outro ponto positivo é que, por conta da grande oferta e praticidade, os consumidores acabam visitando o site com frequência.

Contudo, a maior vantagem desse modelo de negócio é a visibilidade. Por abrigar lojas de diversos segmentos, a plataforma atrai múltiplos públicos, tornando uma marca nova – por exemplo – internacionalmente conhecida. Ao dividir a vitrine com grandes marcas do comércio eletrônico, todas passam a compartilhar da mesma credibilidade. Isso reduz os investimentos dos lojistas com divulgação.

Já para os donos de marketplace, a visibilidade também reduz o tempo e os gastos com marketing. Como o site é formado por uma rede de vendedores e compradores, ele é um prato cheio para novos visitantes e anunciantes. A fim de esgotar o estoque de seus produtos, os próprios vendedores inflam a divulgação da plataforma e atraem mais público para ela, com zero investimento de publicidade dos gerenciadores do site.

Mas nem tudo são flores. Manter um site estável no ar, com uma quantidade enorme de lojas “abertas” ao mesmo tempo, todos os dias do ano, não é barato. Além disso, existem épocas com grande fluxo de tráfego – Dia das Mães, Black Friday e Natal – que podem gerar uma impressão negativa do usuário, se ele tiver problemas com algum lojista parceiro. Sabemos que reputação vale ouro para qualquer negócio.

Para os lojistas, as desvantagens do marketplace estão atreladas ao faturamento. A principal delas é a comissão cobrada pela plataforma, que parece irrisória, mas pode comprometer o seu lucro final sobre a mercadoria. Dentro de um marketplace, os parceiros precisam seguir as ordens do site e nem sempre essa dependência irá favorecer os lojistas. Por isso, tais burocracias desanimam os vendedores.

Pensando estrategicamente... seja qual for o seu nicho de mercado, e para quem quer vender mais na internet, vale a pena mergulhar nesse modelo de negócio. Estude uma forma assertiva para entrar no marketplace e agregar valor para a sua empresa através dele. É importante ter uma estratégia bem clara, pois há riscos muito grandes ao se aventurar sem planejamento.

Uma estratégia simples para monetizar seu e-commerce é criar uma conta no YouTube. Nele você consegue produzir vídeos relacionados aos seus produtos, atingindo uma nova audiência. Vale ressaltar que o Brasil é um dos países que mais consome essa mídia no mundo. Sua marca poderá aumentar o alcance de um público mais qualificado por lá, gerando mais receita e solidificando sua marca no mercado. Não é fácil, mas pode compensar – e muito!

Já ouviu aquela história que o ovo de galinha é muito mais consumido do que o ovo de pata, porque a galinha “divulga” e a pata “não”? O marketplace pode ser a sua galinha dos ovos de ouro.


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