26/04/2019 às 09h27min - Atualizada em 26/04/2019 às 09h27min

Semana digital

MARIANA SEGALA
A semana foi agitada para a cena tech de Uberlândia. A expectativa é de que, até o fim do dia de hoje, cerca de 10 mil pessoas participem das mais de 150 palestras, oficinas e outras atividades realizadas durante a Digital Transformation Week. Promovida pela Algar Tech, a organização da DT Week contou com outros integrantes do ecossistema da inovação da cidade. Para quem participou, foi certamente uma rara chance de enxergar, na prática, como funcionam certos aparatos tecnológicos. Houve oficinas de impressão 3D e de construção de chatbots – como são chamados os robôs que “atendem” clientes e usuários em chats, comuns em sites de bancos e telefônicas. Houve também palestras com conteúdo de altíssima qualidade, abordando assuntos bem além dos códigos. Um exemplo, a presença de mulheres em áreas técnicas em que tipicamente os homens predominam. A emergência do tema não passou despercebida. Em uma das palestras, soube que as operações da rede da Algar Telecom estão atualmente 100% sob o comando de mulheres. Toda a liderança do Centro de Operações de Rede (COR) é feminina, ainda que três quartos do quadro completo de colaboradores dessa equipe sejam homens. É só um número, pode-se argumentar. Mas é a partir de números que se consegue visibilidade para discussões capazes de nos fazer refletir sobre o tipo de sociedade que forjamos até aqui, e como os seus aspectos culturais mais arraigados podem se adaptar aos novos tempos.

#Respeitaasmina
Por falar nelas, pela primeira vez haverá uma edição feminina da Copa TI, tradicional torneio de futsal entre equipes das empresas de tecnologia de Uberlândia. As inscrições ocorrerão em maio e os jogos, de maio a julho. À frente da organização, Rayla Tanache, da TQI, e Paula Bessa, da Callink. Na sua versão masculina, a Copa TI de 2019 – a sexta edição – envolveu 16 times de 12 empresas e quase 200 jogadores. A equipe campeã foi a da Jiva.

Sou Gloria
Gloria é como se chama o avatar que dá cara a uma plataforma de inteligência artificial de combate à violência contra mulheres e meninas. A tecnologia foi criada pelo movimento Free Free, empresas de tecnologia e a professora Cristina Castro-Lucas, da Universidade de Brasília. A ideia é que as pessoas interajam virtualmente com Gloria, relatando fatos que tenham vivenciado. A robô será capaz de entender o ocorrido e de identificar soluções para quebrar o ciclo de violência. O objetivo é atingir 20 milhões de pessoas com a plataforma, que poderá gerar relatórios com segmentação por faixa etária, dados socioeconômicos, local e padrão das ocorrências – isso pode servir de base para a formulação de políticas e projetos de apoio. O perfil de Gloria está disponível no Facebook e no Instagram (@eusouagloria).

Jovens programadores
Mais de 600 pessoas se inscreveram para participar do segundo ciclo de 2019 do Uberhub Code Club, treinamento gratuito que procura apresentar temas como raciocínio lógico e programação a jovens de 14 a 21 anos. Durante o ano, eles participarão de encontros presenciais e realizarão atividades remotas relacionadas às ciências da computação. O objetivo é aproximá-los do mundo e dos bastidores da tecnologia, ambiente ao qual talvez não tivessem acesso de outras formas. Com a falta crônica de gente para trabalhar na área, espera-se que, entrando em contato logo cedo com o assunto, os jovens possam cogitar um caminho profissional na tecnologia. A meta para 2019 é formar 1.500 deles no programa.

Mentores e mentorados
Pausa para um causo pessoal. Oferecer mentoria sempre me pareceu tarefa exclusiva para os mais graduados empreendedores. Isso até duas semanas atrás, quando fui convidada a participar como mentora da Batalha Esamc. O evento foi uma grande hackathon envolvendo todos os cursos de graduação da Esamc de Uberlândia. O desafio dos alunos era elaborar o projeto de um produto ou serviço inovador. Já o meu e o de Paulo Eduardo Monteiro Vieira, diretor de jornalismo da TV Integração, era ouvir e avaliar a proposta que os estudantes do curso de Jornalismo tinham em mente, a partir da visão de profissionais que somos. Sob a batuta da competente professora Adriana Sousa, um grupo de oito garotas e garotos nos contou entusiasmado como pretendia combater a disseminação de fake news – um dos tristes fenômenos da sociedade digital – com o uso de inteligência artificial. Ser mentor, ensinaram-me amigos escolados no assunto, é um exercício de equilibrar pés no chão com cabeça nas estrelas, nutrindo o sonho de mudar o mundo com algumas mancheias de realidade. Saí de lá tão empolgada com a experiência quanto a empenhada equipe do Jornalismo – que, vejam só, foi a que venceu a batalha. Parabéns!
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