15/03/2019 às 09h28min - Atualizada em 15/03/2019 às 09h28min

Investidor anjo, uma grande oportunidade

FABIANO ALVES | ANALISTA DO SEBRAE E MESTRE EM INOVAÇÃO TECNOLÓGICA
Ser empresário e transformar o grande sonho em um negócio de sucesso exige muita dedicação, empreendedorismo e superação a cada dia.
Ter e usar o feeling para encontrar uma oportunidade mal atendida no mercado ou ter visão de futuro para vislumbrar um produto inovador que possa resolver um problema e melhorar a vida das pessoas é, sem dúvida, um grande diferencial. Porém, essa grande ideia, até esse primeiro momento, não quer dizer muita coisa, pois a jornada do empreendedor está apenas começando.

Transformar essa ideia em um plano, persuadir e convencer pessoas chave para sonharem juntos, conseguir viabilizar recursos financeiros para materializar esse sonho, implementá-lo no mercado e ter sucesso em meio à concorrência global e toda a burocracia do país, isso sim é ser um empreendedor de sucesso.

Independentemente de todos esses obstáculos e outros que classificam o Brasil em 125º lugar no ranking de Ambientes de Negócios, segundo a
Doing Business 2018, nosso empreendedorismo segue a todo vapor. De acordo com o Sebrae, existem no País 14 milhões de empresas, incluindo pela categoria Microempreendedor Individual (MEI).

Dentro de todo esse contexto estão também as startups, que são negócios com potencial de alto impacto, mas também de alto risco. Por concepção, elas atuam com soluções inovadoras e, em alguns casos, criam ou modificam setores econômicos tradicionais por meio de seus diferentes modelos de negócios.

Se por um lado, as startups têm um grande índice de mortalidade, 75% segundo a Fundação Dom Cabral, por outro, são uma grande oportunidade de negócios e investimentos. Hoje, as 5 empresas mais valiosas do mundo foram startups no passado e superaram as tradicionais indústrias de petróleo e derivados.

Dentre alguns dos fatores que condicionam o sucesso desses negócios inovadores, além da inovação, do mercado e do time de colaboradores, os recursos financeiros são determinantes.

Muitas startups nascem pelo meio dos famosos Love Money, ou dinheiro doado/emprestado pela família, e do Bootstrap, capital do próprio bolso do empreendedor. Existem ainda outras oportunidades, como editais de subvenção, programas privados ou governamentais de investimento e também as plataformas de compartilhamento e apoio chamadas Crowdfunding. Esses recursos normalmente são utilizados no estágio Customer Discovery, momento em que o empreendedor precisa transformar sua ideia em um protótipo e em seguida o Customer Validation, estágio de validação da existência de um modelo comercial e de vendas que consiga escalar a solução. Mais tarde, nas próximas fases, a startup necessita de mais capital para conquistar os primeiros clientes, e é aí que entra o famoso investimento anjo com aportes entre R$ 50.000,00 e R$ 500.000,00 para impulsionar a mudança de fase do negócio.

Na sequência das rodadas de investimento se tem a modalidades Seed Money, ou Capital Semente, com valores entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões, o Venture Capital e o Private Equity, com valores superiores ao anterior, chegando até a possível ingressão ao mercado acionário pelo famoso IPO, sigla para Initial Public Offering.

Mas voltando à figura do Investidor Anjo, trata-se de uma pessoa física ou jurídica que aporta recursos próprios em negócios novos e promissores como as startups. Normalmente os Anjos buscam negócios já validados e com alguns clientes consumindo os serviços. Por mais promissor que possa ser o negócio, o investidor possui outras oportunidades de investimento, como fundos de ações, imóveis, títulos e debêntures, além de outros negócios empresarias. Assim, como critério de seleção, o Anjo avalia o segmento de mercado no qual a startup propõe atender, o tamanho e o comportamento desse mercado, as projeções financeiras de rentabilidade, o time e principalmente o potencial do empreendedor fundador desse novo negócio. Em troca de um possível investimento, a startup oferece título de dívida regida em um contrato ou mesmo participação acionária na empresa ou equity.

Esta modalidade de investimento tem sido uma grande oportunidade que tem alavancado inúmeras startups a avançarem na conquista de novos mercados e, posteriormente, se solidificarem nacional e internacionalmente.

Porém, o empreendedor precisa ficar muito atento e buscar por Investidores Anjo que têm histórico de investimento e checar com os investidos a qualidade da relação e da parceria. Um investidor, seja em qualquer estágio, precisa trazer não só o recurso financeiro necessário naquele momento, mas principalmente usar a favor da startup o seu network, o seu know how e a sua sensibilidade para que ele possa não só exigir as cláusulas contratuais, de seu direito, mas de fato contribuir para o sucesso do negócio para que todos saiam ganhando. 
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