22/02/2019 às 09h34min - Atualizada em 22/02/2019 às 09h34min

Investimentos: Queremos

MARIANA SEGALA
Nos últimos dois anos, Uberlândia recebeu investimentos privados da ordem de R$ 1,4 bilhão, pelo menos. O valor equivale a aproximadamente metade do orçamento municipal aprovado para este ano. Está longe, portanto, de ser pouca coisa. Esse enorme bolo de dinheiro se dividiu por segmentos diversificados. Vários novos varejistas se instalaram na cidade, assim como instituições de ensino e incorporadores imobiliários. Pequenas e grandes indústrias que montaram ou ampliaram as suas estruturas também entraram na conta: a cervejaria artesanal Alienada e a Ambev, gigante global das bebidas, figuram na mesma lista, elaborada a partir de dados coletados pela prefeitura. Em meio essa diversidade de setores, alguns nomes conhecidos do ecossistema de inovação (outros, nem tanto) marcam presença. Super Geek, Zup, Altave são apenas alguns deles.

As cidades duelam por investimentos – e mostrar o que cada uma tem de diferente das outras (para melhor, é claro) é uma parte importante da batalha. Na última quarta-feira, a prefeitura convocou lideranças locais para conhecer um programa que batizou de Invista, que tem como objetivo apresentar Uberlândia como um bom lugar para as empresas estabelecerem suas operações. A ação, por ora, compreende um vídeo institucional e uma brochura com detalhes sobre as potencialidades da cidade. Há destaque para as características da população – que engloba cerca de 70 mil estudantes universitários – e também para obras de infraestrutura, como as que devem assegurar abastecimento de água para até 3 milhões de pessoas em 2060, quatro vezes a população atual. Um capítulo do documento é dedicado à inovação, descrevendo iniciativas em andamento. Já existem por aqui cerca de mil empresas do setor de tecnologia da informação e comunicação, de acordo com o que informa o material oficial.

Para além da intenção de alavancar investimentos, a reunião também teve tom de prestação de contas – uma oportunidade de falar de ações realizadas nos últimos dois anos. E do ponto de vista do ecossistema da inovação, um assunto – velho conhecido, diga-se – saltou aos olhos. A concretização do Polo Tecnológico Sul voltou à pauta uma vez mais. Nos últimos anos, o assunto vem sendo tratado com reserva, até com uma certa dose de desconfiança, pelos membros da comunidade uberlandense de tecnologia, tantas foram as idas e vindas desse projeto. “Será que agora vai?” foi a pergunta dominante entre executivos e entusiastas ao final do encontro.

Alguns passos estão sendo dados, restou claro. Dez dias atrás, a licitação para contratar quem elabore os projetos executivos de infraestrutura e complementares foi realizada – quem venceu o certame, a propósito, foi Vórtex Construções e Engenharia. Nos planos da prefeitura, a comercialização dos lotes deve começar ainda no segundo semestre deste ano.

O projeto do Polo – um loteamento empresarial em uma área de 153 mil metros quadrados pertencente ao município, localizada nas imediações do Uberlândia Shopping – foi lançado em 2012. Deve ter espaço para receber cerca de 80 empresas ligadas ao setor de tecnologia. Mas como ficou estacionado por muito tempo desde então, diversos negócios que potencialmente se interessariam por se instalar fisicamente na região acabaram migrando para outras áreas da cidade – caso do bairro Granja Marileusa, ao norte, que, liderado pelas empresas do grupo Algar, hoje concentra instituições relacionadas a esse segmento.

O projeto é visto hoje como um dos potenciais catalizadores de investimentos no ecossistema de inovação. “Não é só a infraestrutura física, como a do Polo, que forma um ecossistema. É preciso engajamento e governança”, avalia Fabiano Alves, analista de negócios do Sebrae e um dos entusiastas do assunto na cidade. “Mas é claro que o adensamento de startups e de empresas de base tecnológica é relevante também. E nesse sentido, o Polo e a proposta de desenvolver também um Parque Tecnológico têm grande importância, porque proporcionam a interação e a atração de novos negócios”. Desencalacrar o projeto parece ser um sinônimo de ter nas mãos um cartão de visitas extra para apresentar aos novos investidores.
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