01/02/2019 às 08h22min - Atualizada em 01/02/2019 às 08h22min

Procuram-se startups

MARIANA SEGALA

Ser dono de uma startup é uma profissão que está na moda, mas não para qualquer um. A dificuldade não é exatamente se tornar o novo Google, Uber ou iFood. O problema está bem antes disso – é manter as portas abertas mesmo. Cerca de um terço das startups morre em pouco tempo, indicou um levantamento do Sebrae e do antigo Ministério da Indústria e Comércio Exterior, incorporado ao atual Ministério da Economia, realizado no ano passado. Os mais de mil empreendedores que participaram da pesquisa apontam que os principais motivos para encerrarem as atividades antes de ter a chance de virar uma estrela são a dificuldade de acesso a capital (40%), obstáculos para entrar no mercado (16%) e divergências entre os sócios (12%). Eles clamam por apoio. Suas chances de sucesso são muito maiores quando encontram.

A probabilidade de uma startup – como são chamadas as jovens empresas inovadoras e com alto potencial de crescimento – sobreviver aos primeiros anos aumentam se recebem alguma espécie de apoio. A taxa de fechamento das que participam de programas de aceleração, por exemplo, cai para 15%. Para quem está começando, pode parecer impossível conseguir uma vaga para receber orientação e auxílio para desenvolver seus negócios. Não é, mas exige um certo esforço. Oito empresas uberlandenses já participaram do programa gratuito de aceleração InovAtiva Brasil, realizado pelo governo federal. É uma gota no oceano, considerando o número de empreendedores que entram no jogo todos os anos. A boa notícia é que há uma série de outras oportunidades aqui mesmo, dentro dos limites da cidade.

Os formatos de apoio são variados. Para quem está dando os primeiros passos, a Liga Empreendedora de Uberlândia pode ser uma parada do caminho. Todos os anos, o grupo seleciona uma turma de talentos interessados em desenvolver negócios inovadores. Durante os meses que se seguem, eles recebem treinamento e mentoria de empresários e especialistas locais do calibre de João Rabello, que já presidiu o Tribanco, e Humberto Carneiro, fundador da Policard. A experiência – e, principalmente, os contatos – que eles são capazes de compartilhar são certamente o maior ativo adquirido pelos participantes. A turma de 2019 já trabalha a todo vapor.

Para quem tem um projeto mais consolidado, uma alternativa é o Programa de Prospecção de Novos Negócios do Ciaem, como é chamado o Centro de Incubação de Atividades Empreendedoras. Sediado na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), o Ciaem abriga empresas nascentes em um pequeno prédio no campus Santa Mônica, oferecendo estrutura que favorece a transformação de resultados de pesquisa em atividades produtivas. O processo seletivo deste ano, aliás, está aberto até o dia 17 de março. Até quatro projetos serão contemplados com espaço físico, equipamentos e assessoria para serem desenvolvidos.

Empreendedores que já tenham passado da fase da ideia para a da execução podem aprimorar seus negócios em programas realizados dentro do grupo Algar. Em janeiro, a Algartech convocou startups dos segmentos de internet das coisas (IoT), blockchain, realidade aumentada e inteligência artificial a participar do programa Open Innovation Lab. Agora, em fevereiro, é o Brain – centro de inovação e tecnologia da Algar Telecom – que está buscando interessados em participar do Brain Open. Nesse programa, o Brain e as empresas desenvolvem soluções tecnológicas e as levam ao mercado juntos. São bem-vindos empreendedores dos setores financeiro, agronegócio, energia, saúde, logística e indústria 4.0, desde que já possuam equipe, alguns clientes e faturamento.

E para quem já está na etapa de procurar investimentos para crescer, duas novas iniciativas prometem ajudar. Está se instalando em Uberlândia a FCJ Participações, empresa composta por “anjos” – como são chamados os corajosos investidores que apostam em negócios nascentes – dedicados a assessorar startups promissoras para que consigam captar novas rodadas de investimentos. Já a Up Angel, ela mesma uma jovem empresa em pleno processo de aceleração, está se posicionando como uma espécie de bolsa de valores de startups. Seus criadores desenvolveram uma plataforma por meio da qual será possível às empresas buscar no mercado aportes a partir de R$ 100 mil junto a grandes (e também pequenos) investidores.

As oportunidades de apoio estão aí. Procuram-se startups – com qualidade de gestão, é claro – para delas participar.

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