09/09/2016 às 08h45min - Atualizada em 09/09/2016 às 08h45min

Deputados e movimentos sociais convocam protestos

Parlamentares condenam destituição de Dilma Rousseff e defendem reorganização da esquerda contra retrocesso.

Moradores de colônias de hansenianos acompanharam a reunião, para protestar contra despejo de grávida

Moradores de colônias de hansenianos acompanharam a reunião, para protestar contra despejo de grávida

Moradores de colônias de hansenianos acompanharam a reunião, para protestar contra despejo de grávida

Moradores de colônias de hansenianos acompanharam a reunião, para protestar contra despejo de grávida

Álbum de fotos
Moradores de colônias de hansenianos acompanharam a reunião, para protestar contra despejo de grávida - Foto: Sarah Torres
Os três senadores mineiros, que votaram pelo impeachment, foram criticados pelos deputados

Os três senadores mineiros, que votaram pelo impeachment, foram criticados pelos deputados

Os três senadores mineiros, que votaram pelo impeachment, foram criticados pelos deputados - Foto: Sarah Torres
Seu browser não suporta flash player
Grávida pede que ação de despejo seja revista

Deputados e representantes de movimentos sociais defenderam, em audiência pública realizada nesta quarta-feira (31/8/16), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), uma série de protestos e mobilizações no País, para enfrentar a possibilidade de corte de direitos sociais e trabalhistas. O debate aconteceu em reunião da Comissão de Direitos Humanos, organizada para discutir o tema: "Democracia, liberdade e Direitos Humanos no Brasil e em Minas Gerais".

O deputado Rogério Correia (PT) defendeu, durante a audiência pública, a preparação de uma greve geral no País. Autor do requerimento para realização da reunião, ele afirmou que o evento era um protesto contra a destituição de Dilma Rousseff da Presidência da República, decidida nesta quarta (31), pelo Senado Federal, em votação que concluiu o processo de impeachment em andamento desde o início de 2016.

Dilma Rousseff foi destituída pelo voto de 61 senadores, enquanto 20 votaram contra o impeachment. Rogério Correia afirmou, durante a reunião, que os senadores que votaram contra ela não têm moral para julgá-la. Acrescentou que o impeachment é apenas o primeiro passo de um projeto que pretende retirar direitos sociais e trabalhistas do povo brasileiro. "Não temos tempo para lamentar. Precisamos nos preparar para reagir contra isso", convocou.

Na avaliação do deputado, entre as ameaças mais graves contra o povo está a proposta de tornar a negociação direta entre patrões e empregados capaz de se sobrepor, legalmente, aos direitos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Também afirmou que já se propõe a desvinculação entre os vencimentos da aposentadoria e o salário mínimo. "O golpe foi feito para isso, para retirar direitos", afirmou.

Revanchismo - O deputado Paulo Guedes (PT) afirmou, por sua vez, que o processo de impeachment foi liderado pelo revanchismo da derrota. Criticou o papel exercido pelos três senadores mineiros, que votaram pelo afastamento de Dilma Rousseff: Aécio Neves (PSDB-MG), Antonio Anastasia (PSDB-MG) e Zezé Perrella (PTB-MG). "Eles deram um golpe na democracia brasileira", afirmou.

O deputado Doutor Jean Freire (PT) leu diversas manchetes de jornais estrangeiros que criticaram o impeachment de Dilma Rousseff. Da mesma forma que os demais parlamentares, ele lembrou que o processo se originou de uma vingança do ex-presidente da Câmara de Deputados, o deputado federal Eduardo Cunha, ele mesmo acusado de corrupção. "Agradeço a Dilma por fazer nascer em meus filhos esse ideal de lutar por justiça", disse Doutor Jean.

O ex-presidente da seção mineira do Comitê Brasileiro pela Anistia, Betinho Duarte, também participou da reunião e defendeu a desobediência civil contra o novo governo. "Esse golpe político, jurídico e midiático roubou meu voto e o de mais de 50 milhões de pessoas", protestou. Ele defendeu os governos de Dilma e do ex-presidente Lula que, segundo ele, tiraram 40 milhões de pessoas da miséria.

Mobilização - Representando o Levante Popular da Juventude, a estudante Débora de Araújo Costa disse que o movimento organizará, entre os dias 5 e 9 de setembro, no ginásio do Mineirinho, o 3° Acampamento Nacional, com a participação de sete mil jovens. "É um desafio para mostrar que não vamos abaixar a cabeça. Uma semana após esse golpe parlamentar, vamos nos reunir para dizer não e gritar fora Temer", afirmou ela, salientando que é necessário reorganizar a esquerda para resistir ao retrocesso de direitos.

O secretário de Políticas Institucionais do Sindieletro, Jairo Nogueira Filho, disse que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) já prepara uma paralisação para o dia 22 de setembro, a fim de protestar contra a ameaça de retirada de direitos trabalhistas. "Esse golpe veio quando eu achava que a democracia estava consolidada, depois que conseguimos eleger um metalúrgico para presidente da República", lamentou.

Hansenianos protestam contra despejo de grávida

Durante a reunião, foram aprovados dois requerimentos parlamentares com o objetivo de interceder em favor das famílias das colônias de hansenianos da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). Moradores das colônias acompanharam a reunião, da galeria, para protestar contra o despejo de Michele Regina de Paula Rocha, grávida de seis meses, sob o argumento de que ela não tem o título do imóvel onde vivia, na Colônia Santa Fé, no município de Três Corações (Sul de Minas).

Na opinião de Mônica Abreu, integrante do Conselho Executivo de Mães e Avós de Usuários da Fhemig, a injustiça contra Michele Rocha é comparável à injustiça cometida contra a presidenta Dilma Rousseff. "Esses símbolos, Dilma e Michele, vão ficar cada vez mais fortalecidos com a nossa luta", afirmou Mônica. Ela responsabilizou o governador Fernando Pimentel pelo fato de Michele estar sem casa, dependendo de favores.

Um dos requerimentos aprovados solicita a realização de audiência pública para ouvir denúncias sobre a retirada de Michele, filha e neta de hansenianos, da sua residência. O outro requerimento solicita providências para que a questão seja resolvida e Michele Rocha seja indenizada. Os dois requerimentos são de autoria dos deputados Rogério Correia e Durval Ângelo (PT).

Consulte o resultado da reunião.

Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »