Hospital de Clínicas da UFU já realizou mais de 450 atendimentos por câncer de próstata neste ano
Homens com 60 anos ou mais representam 89% dos pacientes atendidos na unidade
Homens com mais de 70 anos representam a maior parte dos atendimentos em Uberlândia I Foto: Milton Santos
O Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) realizou, neste ano, 454 atendimentos relacionados ao câncer de próstata, sendo uma média de 45 consultas por mês. Os homens com 60 anos ou mais representam 89,2% (405) dos pacientes. Os dados são referentes aos meses de janeiro a outubro.
Ainda de acordo com o levantamento, 172 pacientes que passaram pelo Hospital de Clínicas neste ano tinham entre 70 e 79 anos de idade. Outros 161 com idades entre 60 e 69 anos e 72 homens com 80 anos ou mais.
Completando a lista de atendimentos, o HC-UFU recebeu ainda 45 pacientes com idades entre 50 e 59 anos, três entre 40 e 49 anos e um paciente que estava na faixa dos 20 aos 29 anos.
Em todo o ano de 2024, o hospital da UFU realizou 1.741 atendimentos, uma média de 145 por mês, ou quase cinco por dia. A maior parte dos pacientes (1.280) tinha entre 60 a 79 anos de idade.
Em relação aos óbitos por câncer de próstata, entre 2023 e 2025, foram registradas 142 mortes pela doença, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), por meio da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Uberlândia. Confira mais detalhes abaixo.
Óbitos:
2023: 45 óbitos 2024: 54 óbitos
2025: 43 óbitos (dados parciais até 20 de outubro)
ASSOCIAÇÃO DO CÂNCER
De acordo com a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), o câncer de próstata representa 29% dos cânceres masculinos do Brasil, com uma média de 66 mil novos casos e 16 mil óbitos por ano no país.
O diagnóstico precoce é fator crucial para um tratamento efetivo do câncer de próstata, aumentando significativamente as chances de cura. Por isso, o acompanhamento regular, principalmente a partir dos 40 anos, é fundamental para todos os homens.
Valdir Miguel, ex-pedreiro, de 81 anos, descobriu a doença há alguns anos. “Eu descobri em 2019 quando fui fazer um exame no postinho de saúde e de lá me mandaram para o Hospital Municipal, lá eu fiz a biópsia e o médico falou que tinha identificado um carocinho na minha próstata”, disse.
O aposentado afirmou que praticamente não sentiu sintomas antes de realizar os exames, apenas na hora de urinar e de forma leve, o que acabou causando uma surpresa ao receber o diagnóstico. Ele contou ainda que já foi indicado para cirurgia em duas oportunidades, mas em ambas o processo teve de ser interrompido.
“Eu fui para a mesa de cirurgia duas vezes e em ambas não deu certo de fazer, uma delas por conta da arritmia cardíaca. Daí eu fui fazer radioterapia no Hospital do Câncer e lá eu fiz 37 sessões e todas as vezes que eu fazia e depois ia na médica, ela me falava que estava indo muito bem”, relatou.
Valdir recebeu acompanhamento da Associação de Amparo de Crianças, Adolescentes e Adultos com Câncer de Uberlândia (ACRAAC) e comentou estar muito satisfeito com o atendimento durante o seu tratamento.
“Eu faço as oficinas que eles marcam, faço fisioterapia, me peso, faço alguns exames, passo pela nutricionista. Estou bem satisfeito porque até o momento está dando tudo certo, principalmente levando em conta a minha idade”.
A esposa de Valdir acompanha ele durante toda essa jornada e confirmou que a situação do marido está estável. “Agora ele está fazendo apenas acompanhamento, dia 14 agora ele vai tirar sangue e dia 19 vai passar pelo médico para ver como está, até o último momento estava tudo bem”, disse a companheira.
NOVEMBRO AZUL
O Novembro Azul é um movimento que tem sua origem ainda no século XX, em 1999, na Austrália, quando um grupo de homens deixou seus bigodes crescerem para chamar a atenção sobre a saúde masculina e arrecadar fundos. No Brasil, a campanha teve início em 2008 através do grupo Lado a Lado pela Vida, focando especialmente em alertar os homens sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata e abordando aspectos gerais da saúde masculina.
O médico urologista do Mater Dei Santa Genoveva, Arthur Bianco, conversou com o Diário de Uberlândia sobre a importância da campanha, afirmando que, mesmo após quase duas décadas de sua chegada no Brasil, a iniciativa segue sendo extremamente importante.
“O Novembro Azul segue sendo essencial e continuará sendo por muitos e muitos anos. É um convite aos homens para falarem da sua saúde física e vai além do câncer de próstata que seria o debate central. Nos últimos anos eu tenho percebido que até por conta da campanha, a gente tem tido muito mais consulta em consultório a respeito da saúde masculina”, disse.
Para o médico, as consultas preventivas devem iniciar, no máximo, por volta dos 45 anos, mas reforça que não faz mal nenhum começar antes e que a consulta médica trata vários aspectos além do câncer de próstata.
“A prevenção, pensando em câncer de próstata, deve começar ali por volta dos 45 ou 50 anos, a depender dos fatores de risco, como as questões hereditárias, mas o que a gente aconselha é que essa prevenção pode começar a partir do momento que o paciente se sentir confortável em buscar ajuda, porque em consultório vamos ver muito mais além do que somente o câncer de próstata, vamos debater sobre saúde cardiovascular, mental e até mesmo sexual e hábitos de vida”, afirmou.
O urologista afirmou ainda que após os 45 anos a consulta deve ser feita anualmente. “O acompanhamento deve ser feito anualmente, mas se eventualmente o paciente tiver queixas, ou fatores de risco mais importantes, é interessante fazer esse acompanhamento mais individualizado”, esclareceu.
A próstata é uma glândula masculina, responsável por produzir um líquido que compõe o sêmen, localizada bem próxima ao reto, podendo ser acessada pelo ânus. Por isso, muitos homens ainda se recusam a tratar uma doença grave por conta do preconceito que existe.
“O toque retal ainda é muito utilizado, é um exame clínico, muito simples, feito em consultório durando menos de 10 segundos, indolor e traz muitos dados ao urologista. Mas além dele temos o PSA, que é o exame de sangue, e embora o valor dele possa oscilar, o mais importante é aquela curva que a gente vai produzindo ao longo do acompanhamento que podem representar diversas alterações prostáticas, como inflamação, infecção e até mesmo o câncer de próstata”, explicou.
Bianco explicou ainda que muitas doenças podem estar relacionadas ao surgimento do câncer de próstata, sendo fatores de risco que devem ser considerados, como o sobrepeso e o histórico familiar de outros tipos de câncer.
“A gente tem na literatura médica a obesidade listada como um dos principais fatores de risco para o câncer de próstata. Outro câncer que está muito ligado ao de próstata, é o câncer de mama, então o paciente que tem histórico de câncer de mama na família, deve ter um tratamento mais individualizado”, afirmou.
Já quanto aos métodos de tratamento, o especialista explicou que a tecnologia tem avançado muito nessa área, com procedimentos cada vez mais modernos, eficientes, práticos e menos invasivos, trazendo conforto ainda maior para os pacientes.
“Hoje a gente tem diversas formas de tratamento, entre eles o cirúrgico que consideramos bem curativo, que é a retirada da próstata como um todo, mais as vesículas seminais. Hoje nós temos diversas formas desta cirurgia, como a aberta, a laparoscópica, mas a que chama mais atenção é a cirurgia robótica que nada mais é do que a videolaparoscópica, refinada com o auxílio de um robô, onde temos uma chance de cura maior, chance de recuperação melhor e um tempo de internação reduzido por ser uma cirurgia minimamente invasiva”, finalizou.
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