Mais de 1.500 pessoas morreram por Doenças Crônicas não Transmissíveis neste ano em Uberlândia
Número representa uma média de 176 óbitos por mês ou cinco por dia; homens são maioria das vítimas
Especialistas alertam para prevenção das doenças crônicas I Foto: FÁBIO RODRIGUES/POZZEBOM-ABR
Dados do Painel Epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais mostram que, em 2025, até o fim de setembro, 1.590 pessoas morreram em Uberlândia vítimas de Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT). O número representa uma média de 176 óbitos mensais ou cinco por dia.
Entre as doenças mais frequentes que levaram a óbitos em 2025 estão:
- Doenças pulmonares obstrutivas crônicas (DPOC): 121 mortes
- Infarto agudo do miocárdio: 105 mortes
- Neoplasias malignas dos brônquios e pulmões: 88 mortes
- Doença isquêmica crônica do coração: 72 mortes
- Insuficiência cardíaca: 52 mortes.
Ainda de acordo com o levantamento, 54% das vítimas (860) são homens, enquanto as mulheres representam 45,9% (730) dos óbitos. Em relação à faixa etária, 468 vítimas tinham 80 anos de idade ou mais, 422 entre 70 e 79 anos e 539 tinham entre 50 e 69 anos de idade.
Os dados apontam ainda que 62,8% das vítimas (1.000) eram brancas, enquanto 26,6% (424) eram pardas e 10% (161) negras.
Em entrevista ao Diário, o epidemiologista e docente do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Uberlândia, Glênio de Freitas, explicou como as doenças pulmonares obstrutivas se tornaram a causa mais comum de mortalidade por DCNT na cidade.
“As doenças pulmonares obstrutivas crônicas são as principais causas de mortalidade no mundo e estão associadas ao tabagismo, exposição prolongada à poluição e à substâncias químicas e ou poeira, além de associar a fatores genéticos. Ao observar dados epidemiológicos dos últimos dez anos, as DPOCs já aparecem como principal causa de óbitos das DCNTs, junto ao infarto agudo do miocárdio”, disse.
Conforme dito pelo especialista, a predominância maior de vítimas do sexo masculino pode ser explicada pela baixa procura dos homens por atendimento médico.
“Ao analisar o fator raça ou cor é preciso considerar, além das características, o contexto em que as pessoas vivem. As pessoas negras possuem uma expectativa de vida menor devido a vários fatores. Como o óbito por DCNT ocorre, em sua grande maioria, em pessoas idosas, pode ser que pessoas brancas, com maior expectativa de vida, sejam mais afetadas”.
Por fim, Glênio de Freitas enfatizou a importância de ações de prevenção para a população. “É preciso a realização de ações que promovam a prevenção, além de orientação à população para realizar exames periódicos para identificar essas doenças precocemente” concluiu.
PREVENÇÃO
Os óbitos por Doenças Crônicas não Transmissíveis cresceu no último ano em Uberlândia, de acordo com os dados do Painel Epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. Em 2024, a cidade totalizou 2.357 mortes, um aumento de 4,8% em relação ao ano de 2023, quando foram registrados 2.248.
Para o médico da Comunidade e Família, coordenador médico da Amparo Saúde, Leonardo Abreu, o aumento de casos está diretamente relacionado com avanços na área de saúde que elevam a expectativa de vida da população em geral.
“Quando a gente compara com o passado, voltando aí uns 100 anos quando as pessoas viviam no máximo até os 35 anos, as pessoas não viviam tempo o suficiente para experimentar essas doenças crônicas, elas iam a óbito por doenças agudas, infecciosas, inflamatórias e com a evolução da parte médica, farmacológica, saneamento básico a gente foi aumentando a expectativa de vida e hoje as doenças crônicas se tornaram comuns”, disse.
De acordo com o especialista, só o número de óbitos por doenças do coração já é motivo para um alerta geral. “Durante toda a pandemia de covid-19, morreram aproximadamente 600 mil pessoas no país. Só por doenças cardiovasculares, mais de 300 mil vieram a óbito em 2025, isso em um ano que ainda está em andamento”, alertou.
À medida que essas doenças vão se tornando comuns e gerando mais vítimas, urge a necessidade de buscar formas de evitá-las, para que não se tornem uma grande epidemia. O médico que atende a comunidade e famílias afirma que trabalha de maneira ativa na prevenção com cada um de seus pacientes.
“Quando a gente fala de fatores de risco, pegando como o exemplo o infarto agudo do miocárdio, 80% deles poderiam ser evitados através de uma alimentação adequada, praticando atividade física pelo menos 150 minutos por semana, mantendo um peso adequado, controlando a pressão, a diabetes e o colesterol, evitando o excesso de sal e eliminando o tabaco de nossas vidas”, afirmou.
Leonardo explicou ainda que a prevenção também serve para quase todas as doenças crônicas que, no geral, são evitadas com bons hábitos no dia a dia.
“Essas doenças compartilham de muitas coisas em comum, inclusive das formas de prevenção. As DCNTs são as grandes responsáveis por óbito em nosso país e no mundo inteiro, mesmo sendo preveníveis e isso precisa ser trabalhado”, finalizou.
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