Uberlândia registra abertura de 1,7 mil novas empresas no primeiro trimestre de 2025

Cidade é a segunda do estado com mais negócios abertos no período, atrás apenas da capital Belo Horizonte

Por IGOR MARTINS I DIÁRIO DE UBERLÂNDIA-
7 Min

Setor de serviços deve continuar se destacando nos próximos anos, segundo o presidente da Aciub I Foto: PMU/Divulgação

Minas Gerais registrou a abertura de 32 mil novas empresas no primeiro trimestre de 2025. Com 1.778 novos negócios, Uberlândia é um dos destaques no índice, sendo a segunda cidade do estado com mais empreendimentos abertos durante o período, atrás apenas da capital Belo Horizonte, que teve 8.361 estabelecimentos criados.

De acordo com o Governo, o número de empresas abertas no primeiro trimestre é 36,6% maior em relação ao mesmo período de 2024, quando Minas teve 23.444 negócios abertos. Além de Belo Horizonte e Uberlândia, outros municípios com grande destaque foram Contagem (1.042 empresas abertas), Juiz de Fora (881), Montes Claros (736), Betim (640), Uberaba (588), Divinópolis (473), Governador Valadares (390) e Ipatinga (387).

O setor de serviços lidera o crescimento neste ano, com um aumento de 40,78% no trimestre. Foram 23.884 novas empresas, contra 16.965 no mesmo período de 2024. O comércio registrou alta de 26,46%, com 6.714 novos empreendimentos, e o setor industrial teve um crescimento de 23,33%, com 1.443 novos negócios. Os dados são da Junta Comercial de Minas Gerais (Jucemg), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG).

Segundo o subsecretário de Liberdade Econômica e Empreendedorismo da Sede-MG, Rodrigo Melo, o crescimento de empresas no primeiro trimestre deste ano é reflexo das políticas de desburocratização e simplificação no ambiente de negócios promovidas pelo Governo do Estado.

"O número maior do que no ano passado só vem confirmar o trabalho que Minas Gerais vem realizando por meio do trabalho do estado. Isso tem acontecido desde 2019, e vem reforçar os instrumentos de liberdade econômica. Essas iniciativas só confirmam que Minas Gerais é o melhor estado para se investir no país", disse.

AMBIENTE PROPÍCIO
Na visão do presidente da Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (Aciub), Fábio Túlio Felippe, a cidade tem um ambiente propício para a abertura de novas empresas e para a atração de investimentos. Segundo ele, a infraestrutura, a presença de mão de obra qualificada 
e a logística de Uberlândia são um grande atrativo para empreendedores.

De acordo com Fábio, mesmo não sendo uma cidade de porte grande quando comparada às principais metrópoles do país, é possível notar que Uberlândia costuma competir economicamente com municípios como Brasília (DF), São Paulo (SP), Goiânia (GO), dentre outras. Vivendo um pleno crescimento, a cidade acaba se tornando um chamariz para novos investimentos.

"Uberlândia tem infraestrutura, qualidade de vida alta e um crescimento que fomenta e estimula investimentos. Ela tem um ecossistema muito rico, o que coloca Uberlândia em um lugar de destaque. É uma cidade que compete com grandes capitais ou centros regionais, e isso atrai sucesso. Quando a cidade é atrativa para boa mão de obra e para um ambiente saudável de negócios, você atrai cada vez mais empreendedores e cada vez mais investimentos", analisou o presidente da Aciub.

Ainda segundo Fábio Túlio Felippe, o setor de serviços deve continuar se destacando nos próximos anos. Conforme relatado por ele, o desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA) deve abrir novas oportunidades em consultorias nas mais diversas áreas. Além disso, a tecnologia também deve ser um foco de várias empresas que chegarem a Uberlândia.

Outra área que deve continuar sendo visada pelos empreendedores é a logística, através da criação de indústrias. O setor de saúde também tem crescido muito nos últimos anos, de acordo com Fábio, e deve aumentar ainda mais nos anos subsequentes. Isso, segundo ele, deve melhorar ainda mais o ambiente de negócios no município.

"Uberlândia está atraindo investimentos constantemente. Temos visto investimentos em empresas de tecnologia. Isso não só deságua dinheiro na região, mas também aumenta a musculatura de outras empresas para investirem mais. Com isso, temos mais contratações e mais empreendimentos. Um sucesso vai atraindo o outro", disse Fábio.

DESAFIOS
Apesar do bom desempenho obtido por Uberlândia no primeiro trimestre de 2025, o presidente da Aciub afirmou que há preocupações em relação ao futuro. Diante de incertezas econômicas, como a alta taxa de juros, é preciso inovar cada vez mais e capacitar tanto a mão de obra como futuros líderes empreendedores.

Na opinião de Fábio, o fato de Uberlândia já se destacar positivamente mesmo em um cenário difícil já mostra a força econômica da cidade. Segundo ele, é preciso comemorar a pujança uberlandense no desenvolvimento econômico, mesmo com a imprevisibilidade do mercado nos próximos anos.

"A imprevisibilidade é tão grande que a gente não sabe como vai parar essa guerra tarifária mundial e as incertezas dentro do próprio país. Eu acredito que pode ocorrer uma desaceleração, mas eu acredito que Uberlândia está fazendo o dever de casa muito bem. Por mais que o Brasil desacelere na economia, a gente ainda tem motivos para continuarmos otimistas, mas não podemos nos surpreender em caso de desaceleração", explicou.

Por fim, o presidente da associação disse ainda que Uberlândia e o Triângulo Mineiro podem se tornar referência de desenvolvimento econômico não apenas no estado de Minas Gerais, mas para todo o Brasil. Para isso, é preciso continuar atraindo investimentos, entregando inovação e tecnologia.

"Uma desaceleração não pode nos impedir de continuar empreendendo e se destacando. O Triângulo Mineiro pode ser um lugar de alto destaque, que puxa e fomenta o desenvolvimento de outras regiões. É preciso fazer um trabalho árduo de evolução, a gente não pode parar. Temos que nos esforçar para sermos cada vez mais aquela região que inspira e que traga sucesso e desenvolvimento gradativos para as demais regiões", detalhou Fábio.

MIGRAÇÃO DE CARREIRA
A uberlandense Thainá Davi, de 29 anos, resolveu migrar de carreira neste ano. Em conversa com o Diário, ela contou que trabalhava como advogada, mas se frustrou com os baixos salários da profissão em Uberlândia. No início de 2025, ela abriu uma empresa de estética focada em depilação a laser, a Pisom Estética Especializada.

Segundo Thainá, essa é a segunda vez que ela abre o próprio negócio. Quando tinha 18 anos, ela montou uma empresa de montagem de móveis planejados, mas precisou encerrar o estabelecimento enquanto fazia a faculdade de Direito. Mesmo gostando da advocacia, ela disse que sempre teve um espírito de empreendedora nas veias.

"Eu me frustrei muito quando fui para o mercado de trabalho no Direito. Durante toda a faculdade, pensei que fosse querer advogar. É um mercado muito prostituído. Eu tentei fazer essa mudança na carreira, vi um modelo de negócios e abri a minha empresa. Tive um pouco de receio, porque é tudo muito burocrático, e gasta muito tempo para engajar", explicou Thainá.

De acordo com a empreendedora, ela já atingiu parte das expectativas e tem usado a internet como meio de divulgar o próprio trabalho. Mesmo apaixonada pela área, Thainá conta que tem certos receios em função do cenário econômico vivido no Brasil nos últimos anos.

"A área da estética não para, mas tenho alguns medos. O preço dos alimentos está muito alto, as coisas básicas da vida, como aluguel, prestações de carro, casa. Por mais que a área da estética não pare de crescer, uma pessoa não vai deixar de comer para fazer um procedimento estético, não é uma necessidade básica. Em relação ao negócio, tem tudo para dar certo, mas confesso que tenho alguns medos", disse a empreendedora.
 

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