02/08/2022 às 16h50min - Atualizada em 02/08/2022 às 17h20min

Após discussão sobre racismo, vereadora de Uberlândia dispara contra colega: “vereadorzinho de merda”

Dandara (PT) afirmou ter sido barrada por segurança da Câmara por conta de sua cor e trocou insultos com Cristiano Caporezzo (PL)

SÍLVIO AZEVEDO | DIÁRIO DE UBERLÂNDIA
Vereadora Dandara acusou segurança de racismo após ser barrada na Câmara | Foto: ALINE REZENDE/CMU
Uma discussão acalorada entre os vereadores Cristiano Caporezzo (PL) e Dandara (PT) foi o destaque da segunda sessão ordinária de agosto, realizada nesta terça (2) na Câmara Municipal de Uberlândia. O embate teve início depois que a petista subiu à tribuna para se queixar de ter sido barrada por um segurança da Casa, alegando diferenças no tratamento dado a ela em relação aos demais colegas e acusando o profissional de racismo.
 
Durante a fala, Dandara pediu que os profissionais da segurança passassem por mais treinamento na Casa. “Um ano e oito meses de mandato, já deu para saber quem é vereador e quem não é. É preciso fazer orientação à segurança dessa casa para que entendam que tem uma mulher negra que usa turbante, da quebrada, da periferia, que é vereadora. Não só homens brancos com traje social ou engravatados”, argumentou.
 
Momentos depois, o vereador Cristiano Caporezzo subiu à tribuna para criticar a atitude da colega, alegando que o segurança não é obrigado a reconhecer todo mundo que trabalha na Câmara. “Acho interessante esses vereadores que dizem que são representantes do povo, mas se forem confundidos com o povo ficam ofendidos e brigam com o segurança que está fazendo o trabalho dele. Não faz sentido uma coisa dessas. E ainda teve uma quase insinuação de racismo, que é mais absurdo ainda”, rebateu.
 
Caporezzo disse também que, assim como os demais vereadores, Dandara é uma ilustre desconhecida. “Vereador que vem aqui em cima e acha que tem que ser reconhecido por onde passa pela cidade, porque acha que é mais bonito que os outros, não é não”.
 
Dandara, por sua vez, voltou à tribuna para se defender e não economizou na fala. “Quero falar para esse vereadorzinho de merda que eu sei muito bem o que significa o racismo nesse país. Sei muito bem o que significa ser uma mulher preta. Quantas vezes o senhor já foi barrado quando entra nessa Casa. Toda vez que tem um segurança novo, eu sou barrada”, respondeu.
 
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A petista disse que foi vítima de racismo e, mais uma vez, usou um termo de baixo calão para se referir a Caporezzo. “Sei que o racismo que está sendo colocado nessa questão, porque não estão acostumados com mulheres negras vereadoras, com mulheres negras nos espaços de poder. Então reduza a sua insignificância. Vai caçar assunto na puta que te pariu. Quem está desesperado para a eleição é você. Eu falo do jeito que quiser nessa tribuna, porque você não sabe o que está falando”, disse.


Como forma de defender que foi realmente vítima de racismo, Dandara alegou que outros parlamentares não foram barrados na entrada do Plenário. “As vereadoras Amanda (Gondim), Cláudia (Guerra), Liza (Prado) não foram barradas. O vereador Murilo estava entrando junto comigo e também não foi barrado. Por que as três vereadoras não foram barradas e eu fui, a ponto de encostar no meu braço, falando que eu não poderia entrar nesse espaço? Por quê? Tem nome isso, racismo!”, relatou.
 
A reportagem entrou em contato com os vereadores Caporezzo e Dandara, com a Câmara Municipal e o presidente da Comissão de Ética da Casa, Luiz Eduardo "Dudu" (PROS) solicitando um posicionamento a respeito dos acontecimentos na sessão desta terça.
 
O vereador Caporezzo informou que fará uma representação contra Dandara no Conselho de Ética da Casa por quebra do decoro parlamentar. “Além das agressões verbais, ela se promover humilhando um trabalhador inocente que estava cumprindo seu dever como segurança. Acusou o rapaz de racismo, que é crime. E quando você acusa de uma coisa que não fez, é crime de calúnia. Então vou acioná-la na Justiça em relação a isso. Ainda por cima o segurança é negro. Então, qual o sentido de acusar o rapaz de racismo? Não tem sentido”, disse.
 
Ao Diário, a vereadora Dandara reafirmou que foi vítima de uma estrutura racista, mas que acredita que o segurança não seja culpado. “Eu não acho que o segurança seja culpado. Ele está imerso em uma estrutura racista que organiza as relações de poder na sociedade. O que pedi na tribuna, e que reforço, é que tenha uma formação para os seguranças, eles precisam de treinamento, preparo”, afirmou.
 
O presidente da Comissão de Ética da Casa, Luiz Eduardo “Dudu” (PROS), disse que, até o momento, nenhum pedido havia sido enviado para análise da comissão. Já a Câmara Municipal informou que não se manifestará sobre o caso. Segundo informações dos demais vereadores, o segurança que teria barrado a petista é novo na ocupação e substitui um colega que está de férias.

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