15/06/2022 às 13h20min - Atualizada em 15/06/2022 às 13h51min

Prefeito e vice de Santa Juliana são alvos de ação na Justiça por abuso de poder e compra de votos

Denúncia feita ao Ministério Público pede a cassação de Belchior Antonio da Silva (PSDB) e Juliano Geraldo da Cunha (PSDB), que teriam sido beneficiados com prática ilegal nas eleições municipais de 2020

DHIEGO BORGES I DIÁRIO DE UBERLÂNDIA
Belchior teve 4.274 votos (53,77%) em 2020 e está em seu segundo mandato I Foto: REPRODUÇÃO/REDES SOCIAIS
O Ministério Público Eleitoral da Zona Eleitoral de Nova Ponte (MG) deu parecer favorável a uma ação movida por uma moradora da cidade de Santa Juliana, no Triângulo Mineiro, que pede a cassação do mandato do prefeito, Belchior Antonio da Silva (PSDB), e do vice, Juliano Geraldo da Cunha (mesmo partido). Ambos são alvos da ação protocolada na Justiça Eleitoral que investiga possíveis práticas de abuso de poder e compra de votos por parte dos políticos. As condutas teriam sido praticadas nas eleições municipais ocorridas em 2020. O prefeito, reeleito com 4.274 votos (53,77%), está em seu segundo mandato.

O documento encaminhado à Justiça Eleitoral cita quatro depoimentos de eleitores que teriam sido procurados pelo representante da campanha na época, hoje atual secretário de Assuntos Estratégicos da Prefeitura, Odovânio Antônio da Silva. As testemunhas alegaram que receberam propostas de benefícios, especialmente de dinheiro em espécie em troca de apoio nas urnas.
 
Uma testemunha revelou em depoimento ao MP que o atual secretário teria solicitado a ele que realizasse postagens na internet a favor de Belchior e Juliano. Em troca, o eleitor receberia a quantia de R$7 mil pelo apoio dele e de sua família.  A testemunha, que fazia campanha para outro candidato, alegou que teria recebido uma primeira quantia de R$500 em dinheiro, mas que devolveu valor por não estar, segundo ele, interessado na proposta.
 
O rapaz disse também que teria recebido ameaças e que a conversa entre os dois teria sido gravada e comprovada pelo eleitor em registros via WhatsApp. O rapaz e a mãe, que estava ciente do fato e também prestou depoimento, teriam, por segurança, feito um ato notorial como forma de comprovar a veracidade da conversa.     
 
Uma terceira testemunha ouvida pelo Mistério Público também confirmou a prática. A mulher disse que procurou a Prefeitura pedindo ajuda, porque tinha duas crianças e fazia um tratamento contra o câncer. Em depoimento, a eleitora informou que o atual prefeito, Belchior, nunca tinha lhe dado retorno, mas que na época das eleições, foi procurada por Odovânio, que a ofereceu ajuda. A mulher confirmou que recebeu uma cesta básica como doação e que o atual secretário teria proposto ajuda em dinheiro em troca do voto.
 
No depoimento, a mulher cita que recebeu a quantia de R$ 600 reais. O valor seria utilizado para o pagamento da conta de energia, que estava atrasada. A eleitora também alegou ter recebido ameaças. Caso não cumprisse o combinado, ela poderia “esquecer a Prefeitura” e não teria apoio no tratamento de saúde, que realizava no hospital Hélio Angoti, em Uberaba. A mulher informou também que, após as eleições, registrou o fato no Cartório e, por medo de retaliações, decidiu mudar-se para a cidade de Nova Ponte.
 
Um quarto depoimento feito ao Ministério Público informou que a prática de compra de votos na cidade de Santa Juliana é algo recorrente. A testemunha, que era servidora efetiva no Conselho Tutelar, disse que o setor começou a distribuir cestas básicas fora do programa assistencial, concedidas somente no período de eleição.


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A funcionária contou que tinha uma irmã esquizofrênica e que buscava para ela uma internação via Prefeitura, mas que nunca havia conseguido. Ao MP, a eleitora disse que, ao tomar conhecimento de que ela não apoiava o atual prefeito, Odovânio teria feito a ela uma proposta de ter o tratamento para a irmã, além da reforma de um telhado de sua residência, em troca do apoio. A recusa, segundo a funcionária, gerou retaliações. Após a negativa, a servidora, que trabalhava no administrativo do Hospital, disse que foi transferida para o setor de Educação e por fim para o Conselho para, segundo ela, “não exercer função nenhuma”.
 
O Ministério Público Eleitoral acatou o pedido feito pela moradora Ghabryella Marques da Silva, que 
solicita, entre os pedidos à Justiça Eleitoral, a inelegibilidade dos investigados, por oito anos, além da cassação dos mandatos e pagamento da multa. O MP requer ainda que os depoimentos das testemunhas sejam encaminhados à Delegacia de Polícia Civil de Nova Ponte, para investigação de crime eleitoral.
 
O QUE DIZEM OS CITADOS
A produção do Diário de Uberlândia tentou contato com o prefeito Belchior Antonio da Silva (PSDB), e o vice, Juliano Geraldo da Cunha (mesmo partido) para comentar sobre as acusações, mas as ligações não foram atendidas.
 
O Diário também procurou o secretário de Assuntos Estratégicos da Prefeitura, Odovânio Antônio da Silva, mas as ligações também não foram atendidas.

* Matéria atualizada às 16h para ajuste de informações.

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