25/02/2022 às 12h30min - Atualizada em 25/02/2022 às 12h30min

ONGs de proteção animal em Uberlândia sofrem com redução de 60% das doações

Número de cães e gatos abandonados cresceu 30% durante a pandemia; instituições pedem ajuda para manter atividades

GABRIELE LEÃO
Abandono de animais é o maior já registrado desde o início da instituição, segundo presidente da APA I Foto: PETZ
O número de animais abandonados nas ruas de Uberlândia registrou um crescimento de 30% nos últimos dois anos. O aumento da demanda tem imposto obstáculos às instituições de proteção animal. Isso, porque, na direção contrária, as doações que ajudam a manter o trabalho dos voluntários tiveram uma queda de até 60%.
 
Em entrevista ao Diário, o presidente da Associação de Proteção Animal (APA), Elson Torres, disse que está cada vez mais difícil manter os atendimentos aos animais de rua. A instituição oferece apoio a mais de 500 animais, entre cães e gatos, e tem um gasto mensal de R$ 50 mil.
 
Segundo o responsável, o trabalho que já era desafiador, ficou ainda mais complexo com as consequências causadas pela pandemia da covid-19. As doações à instituição hoje não conseguem atingir nem 40% do que a APA recebia antes da crise sanitária. De acordo com Elson Torres, 80% dos gastos são custeados por ele ou por voluntários.
 
“A APA sobrevive de doações e ações públicas e com a variante ômicron e restrições de eventos sociais, fica difícil manter o cronograma de atividades para ajudar nas despesas. A verba arrecadada na festa junina, por exemplo, é responsável por até quatro meses da nossa folha de pagamento. Esse pode ser o terceiro ano sem o evento”, comentou.
 
O presidente da APA contou ainda que está mais caro manter a alimentação dos animais, uma vez que a instituição percebeu um aumento de 50% nos custos da ração. Para atender a todos os animais, são necessários mais de 4 mil quilos por mês.
 
“Esse aumento de animais abandonados é o mais assustador desde a criação da instituição há 27 anos. Já tivemos situações de as pessoas jogarem os animais por cima do muro para que a APA cuidasse, mas infelizmente não conseguimos atender toda a demanda. Precisamos das doações para continuar mantendo o trabalho e assistência, mas as pessoas também precisam entender que a castração é uma pauta que precisa ser abordada, principalmente entre os animais que já tem um lar”, destacou.
 
No Instituto SOS Pet, uma associação de voluntários que atua na cidade desde 2017, a situação não é diferente. A associação promove a castração e resgate de cães e gatos abandonados, além de cuidar do tratamento dos animais e encaminhar para a adoção.
 
A instituição atende a 60 animais, em sua maior parte cães. O voluntário e presidente, Henrique da Silva, contou que os custos somente com a alimentação dos animais chegam a R$ 5 mil por mês. Mas, as despesas vão além e, se contabilizados os gastos com medicamentos, cirurgias e produtos de limpeza, o valor ultrapassa os R$10 mil.
 
“Sobrevivemos de doações e a conta está ficando mais apertada. Desde o início da pandemia, lutamos para conseguir fazer o atendimento necessário e manter a instituição funcionando”, explicou.
 
O presidente do SOS Pet ressaltou que a queda das doações também foi impactada pela ausência dos eventos presenciais que a instituição realizada, que ficaram prejudicados por causa das restrições sanitárias. Com a flexibilização das medidas, aos poucos a instituição tem retomado as ações.
 
“Neste sábado (26) voltaremos com as feiras de adoção, pois percebemos que quando a pessoa tem o contato físico com o animal a chance de ele ser escolhido para um lar é maior. Nesse meio tempo fizemos ações nas redes sociais para aumentar as doações e adoções, mas o retorno foi mínimo”, disse.
 
Ainda de acordo com o responsável, a instituição também notou o crescimento do abandono de animais de raça durante a pandemia. “Seja por motivos financeiros ou troca de residência, as pessoas tem descartado esses animais. Sabemos que a pandemia restringiu o poder de compra, mas isso não é motivo para que haja o abandono”, relatou.
 
LARES TEMPORÁRIOS
Outra instituição de proteção animal que também está enfrentando dificuldades é a Serzinho de Luz. Com mais de 450 animais, entre cães e gatos, a ONG não possui sede própria e recorre a lares temporários para abrigar os bichos.
 
Ao todo, três lares absorvem a demanda. Além da queda das doações, a instituição também precisa enfrentar outro desafio: conseguir mais espaços para atender os chamados da população. Segundo a voluntária, Letícia Marra, os resgates de animais são feitos apenas em casos críticos por falta de locais. Desde 2020, o índice de lares disponíveis teve queda de 80%, assim como a quantidade de animais adotados.
 
“As pessoas procuraram muito pela adoção nos primeiros meses da pandemia, mas conforme o tempo foi passando e a rotina voltando ao normal, o número começou a cair. Quando recebemos pedidos de resgate, e informamos que não temos espaço, as pessoas reagem de forma negativa e agressiva, mas não temos condições de abraçar todos os bichos”, explicou.
 
Os gastos mensais da instituição chegam a R$ 23 mil quando não há animais internados. Caso haja, a despesa pode chegar a R$ 45 mil. A ONG, que também sobrevive de doações, registrou uma queda de 60% dessa ajuda.
 
“Nosso desejo é que os animais que estão nos lares temporários possam ser adotados, dessa maneira as despesas diminuem e podemos atender outros bichos”, completou a voluntária.
 
DOAÇÕES
Os interessados em contribuir com o trabalho das instituições citadas nesta reportagem podem entrar em contato por meio dos dados disponibilizados abaixo:
 
SOS PET
Para fazer uma doação para a instituição, basta entrar em contato pelo e-mail: [email protected] ou doar algum valor pela chave do PIX: 30.377.975/0001-02 (CNPJ)
 
Feira de Adoção (26/02)
Local: Praça Tubal Vilela
Horário: de 10h30 às 14h
Local: Avenida Nicomedes Alves dos Santos, nº 1.100 (Petland)
 
APA
Para ajudar a APA, basta acessar o site www.apauberlandia.org.br e clicar na aba “Como posso ajudar?” Para fazer a doação via PIX a chave é o CNPJ: 01.181.582/0001-12.
 
SERZINHO DE LUZ
Para ajudar a ONG Serzinho de Luz, basta acessar as redes sociais Serzinho Luz e Bicho sem grilo (@serzinhodeluz) pelo Instagram. O PIX da instituição é o CNPJ: 34.189.436/0001-92

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